PBL avaliado em cursos de medicina em tese de doutoramento: aprendizagem superficial!

farsaNo Estado Liberal, no enfoque da organização  político-organizacional, a educação deve ser de qualidade para quem deseja pagar para tê-la, isto é, o Estado somente tem o dever de oferecer o ensino fundamental.

Começou no mundo nos anos de 1970, e no Brasil chegou com o  ex-presidente Fernando Henrique Cardoso  em 1994.

Neste modelo de governo liberal, o ensino médio de qualidade deverá o cidadão  pagar para educar seus filhos.

No ensino universitário a mesma tendência política já começa a se perfilar em algumas faculdades e universidades.

A excelência no padrão de ensino da  USP, UNESP, UNICAMP, e outras universidades federais custa caro aos cofres dos Estados Federados e da União.

Muitos docentes – mestres, doutores, livre-docente, titulares.

Muito dinheiro para a remuneração desses professores.

Então, a solução encontrada na nova proposta de ensino para minimizar custos tem duas vertentes:

Ensino à Distância  (EAD) e o PBL (Problem Based Learning).

Menos professores presenciais.

No EAD, um professor transmite a aula por internet banda larga (teleconferência), e os alunos assistem.

Custo reduzido.

Outra forma de baratear custo, é adotar o PBL em faculdades.

Sob a égide que a pedagogia de transmissão de conteúdos (ensino modelo tradicional) não é a melhor, os pedagogos afirmam que a aprendizagem baseada em problemas (ABP ou do inglês PBL) – casos clínicos propostos para alunos  universitários – ainda que, sem aulas ou seminários prévios,  é muito superior ao modelo tradicional.

O facilitador, argumentam os ufanistas defensores do PBL, não precisa saber os conteúdos temáticos dos casos clínicos.

Basta apenas  conduzir a  sessão tutorial ( se o tutor precisar há o guia tutorial para se socorrer).

Nada mais.

Se o aluno tiver dúvida, é só apontar para as portas, ou o caminho da biblioteca.

Sai de cena o facilitador ou tutor.

Nenhum compromisso de ensinar.

Docente – doutor, livre-docente, titular – custa caro para a faculdade ou universidade.

O facilitador ganha bem menos.

E nem precisa ser qualificado  o “professor colaborador” com pós-graduação, ou pelo menos ter Residência Médica.

Nem Residência Médica precisa ter…

Afinal, na lógica do PBL, é o “professor colaborador” que sugere questões de aprendizagem para os alunos, ou vice-versa, os alunos querem discutir algum tema, e o “professor colaborador” sugere uma busca de tais questionamentos na biblioteca da faculdade.

Ou nas apostilas do Med Curso…

Nada de ensinar.

Nem laboratório para atividades práticas há necessidade (anatomia,  histologia, fisiologia, parasitologia, patologia etc.) .

Aulas nem pensar.

Basta o aluno estar inserido no SUS – rede de atenção básica – que está ótimo.

Afinal, seguem a orientação  das Diretrizes Curriculares do Curso de Medicina.

Conhecer o SUS !

Se for qualificado  o “professor colaborador” com pós-graduação não fará diferença…

A lógica é centrada no aluno.

Se o aluno não for aprovado na graduação: culpa do aluno !

Se entrar em Residências Médicas de renome nacional: mérito do PBL (lembrando que o SJT  e o Med Curso preparam os alunos durante  dois a três anos,  pagos pelos pais dos alunos para se apropriarem de conteúdos temáticos necessários ao concurso de Residência Médica).

Basta seguir os passos tutoriais, e tudo acaba bem nesse modelo de ensino.

Cada facilitador segue os “passos tutoriais”.

Nesse diapasão, o MEC vai paulatinamente  modificando cursos de medicina com a desídia de diretores pouco preocupados em entender pedagogia, antes rendendo-se ao “novo paradigma pedagógico”, e alguns milhões de reais depositados nas contas das faculdades simpatizantes ao método PBL  (cotas de RS 1,2 milhões de reais/ano no período de três anos no período de implantação do PBL, e depois o depósito anual  para as faculdades que permanecem fiéis ao método PBL) para estimularem as mudanças na matriz curricular das mesmas.

Outrossim, alunos não precisão ter conhecimentos dos últimos 20 séculos.

Antes o desafiador “aprender a aprender”.

Esse sofisma basta !

Surreal…

Interessante que quando queremos  e pretendemos algo na vida, contratamos o melhor profissional em conhecimento.

Temo que existirão faculdades de medicina que formem médicos para trabalharem na rede de atenção básica, e outras que formem especialistas.

Haverá dois tipos de médicos.

O discurso do biopsicossocial na formação do aluno, que se instrui sem auxílio do professor(discurso introduzido pelo comunista Paulo Freire em sua obra Pedagogia do Oprimido).

Um sofisma, que muitas vezes, engana até professores experientes.

Na tese de doutoramento de  Guilherme Souza Cavalcanti Albuquerque, o qual compara o PBL na Faculdade de Medicina da Universidade de Londrina com o modelo tradicional da  Faculdade de Medicina de  Curitiba UFPR, há na conclusão da tese de que o modelo PBL  é inovador, mas a aprendizagem dos alunos é superficial.

Assim, na conclusão de  sua tese de doutoramento, não qualificou o PBL como ferramenta de ensino/pedagogia a ser implementada em cursos de medicina.

A tese diz tudo que um neófito motivado pelo PBL deveria saber.

Aprendizagem superficial !

Um estelionato pedagógico !

estelionato “Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum “.

Noberto  Bobbio

13 opiniões sobre “PBL avaliado em cursos de medicina em tese de doutoramento: aprendizagem superficial!”

  1. Realmente, essa situação, é lamentável !!!!
    Conheço alguns estudantes da UNESP que dizem : unesp , é muito difícil entrar, mas depois é moleza, sem avaliações. Será que a FACULDADE DE MEDICINA DE MARÍLIA-FAMEMA, também tem essa fama??
    Dr. Milton, compreendo perfeitamente sua indignação, por ser um cidadão brasileiro, e um excelente profissional.
    Como dizia GEORGE CARLIN, que foi pioneiro na crítica à sociedade, “o governo não quer uma população capaz de fazer pensamentos críticos. Ele quer trabalhadores obedientes. Pessoas inteligentes o suficiente para controlar as maquinas, e burras o bastante para aceitarem, a própria situação.”
    Mais uma vez parabéns pelo blog!!!
    Parabéns pelo trabalho e sucesso sempre!!!

  2. O tutor (professor responsável por direcionar o grupo tutorial), aqui chamado de facilitador, tem sim que ter mestrado. E da forma que foi colocado no PBL da Famema, o facilitador apenas fica sentado observando o grupo. Pelo contrario, o tutor deveria direcionar o grupo à atingir os objetivos que devem atingir. Claro que ele nao “vomita” a materia como no ensino tradicional. Mas ele esta ali para avaliar se os alunos aprenderam ou estao confundindo alguma coisa. Ser tutor é muito mais trabalhoso do que ser professor no ensino tradicional, no qual o professor da uma aula para 100 alunos sem ter que avaliar o conhecimento de cada aluno presente. Enquanto no tradicional você tem 1 professor pra 100 alunos, no PBL você tem 1 professor para um grupo de 10 alunos. Eu sou estudante do quarto ano de medicina de método PBL.

  3. Também sou estudante do quarto ano de medicina da Universidade de Fortaleza (que ensina com método PBL) e acredito que quem faz a diferença no aprendizado é o aluno. Não existe método perfeito, e sim aluno dedicado, que gosta do que faz, que se empenha e tem curiosidade e vontade de aprender. Esse tipo de estudante nunca vai ser um profissional que se contenta com o “superficial”.Esse PBL da Famema está estranho…

  4. Boa noite
    Sou médica, com residência em Clínica médica e título de especialista em pneumologia, mestranda em Ensino em ciências da Saúde pela UNIFESP, docente do curso de medicina da UNIFAP, que iniciou com o PBL. Acredito muito na metodologia. Antes de tudo, é preciso compreender as Diretrizes Curriculares Nacionais que têm norteado os cursos de medicina no Brasil e que propõem “médicos egressos com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, para atuar nos diversos níveis de assistência” portanto, não apenas para a rede básica. A metodologia PBL não é uma nova maneira de ensinar, haja vista ter iniciado no Canadá e Holanda desde a década de 60, aqui no Brasil, o método vem ganhando campo, principalmente para os dias atuais em que a velocidade da informação demanda a adoção de métodos de ensino-aprendizagem cada vez mais ativos, em que o aluno de medicina possa entrelaçar as assuntos abordados e correlacionar com os vários cenários apresentados, diferente do ensino tradicional, em que existia uma grande barreira entre o ciclo básico e o profissional, o professor dava aula para uma turma de 100 alunos e não acompanhava quem realmente estava aprendendo e as avaliações quase sempre somativas, não avaliavam de fato a apropriação do conhecimento. Ressalta-se que o PBL é aplicado em sala de aula, em grupos de 8 a 10 alunos, onde o tutor tem a oportunidade de avaliar um a um. Neste contexto, não se propõe a retirada do especialista e o tutor deve sim ter conhecimento para conduzir com responsabilidade as sessões de discussão dos problemas. Nos laboratórios, eles aprendem anatomia, fisiologia, bioquímica, relacionando com os assuntos discutidos nos tutoriais, assim a aprendizagem se torna significativa. Não quero ser proselitista, mas acredito sinceramente ser o PBL, o método mais adequado para o curso de medicina, levando em consideração, a explosão do conhecimento médico e a necessidade formar cada vez mais médicos que possam atender às necessidades da população brasileira.

  5. Primeiro precisamos compreender o que é PBL, depois sabermos como estruturar um problema para alcançarmos os objetivos. É muito mais fácil preparar uma aula, do que um problema com ingredientes que estimulem o aluno. É trabalhoso planejar as situações de aprendizagem segundo os objetivos, este é um trabalho do tutor. Uma das características essenciais para o tutor é o domínio do conteúdo. Como corrigir e orientar situações se não tivermos o domínio sobre elas? Uma visão mais pedagógica seria essencial para a avaliação de um método de ensino. Não existem limites para o aprendizado seja qual for o método! O ponto forte do PBL é que nele o aluno é o centro não o professor!

  6. Minha filha faz medicina numa escola pública em que foi implantado o PBL, e parece que está fazendo um curso a distância, pois o método não funciona como deveria. Não há nem professores e nem tutores suficientes. O clima de incerteza em que sairão dali bons profissionais é o que preocupa, afinal haverá vidas a serem cuidadas. Muito me preopcupa esta metodologia se nao for levada a sério.

  7. Sou de uma família contendo 6 médicos, todos eles formados pelo método tradicional. Estudo em uma faculdade de Belém onde o método de ensino é o maldito PBL. Como cresci vendo meus irmãos cursando medicina pelo método tradicional sempre tive uma visão bem positiva em relação ao método tradicional, onde tem introdução a medicina, anatomia, fisiologia, bioquímica, etc… Que na minha opinião é o certo!
    Quando você chega no PBL simplesmente se depara com um tutor que nem é formado em medicina, geralmente são biomédicos ou enfermeiros frustrados por que não passaram em medicina ai são tutores hoje por que foi o mais próximo do curso que conseguiu chegar, que quando você vai tirar uma dúvida ou perguntar algo te respondem com estrema falta de educação, te fazendo sentir como se fosse um idiota ou nem eles sabem e te mandam estudar!
    Aqui no CESUPA o aluno tem o tutor como inimigo por que não se pode perguntar nada! Quando você estuda pelo método tradicional você tem aula com professor lá apto a te responder qualquer coisa sem te tratar com desprezo por que ele já esteve no seu lugar e quer te ajudar.
    No PBL você tem que se virar por que não tem aula de anatomia, apenas um tal de MORFOFUNCIONAL que são várias peças de borracha no qual você brinca de médico. Não existe um cadáver pra você fazer nada! Que método é esse? Isso pra mim é brincar com a medicina.
    Por que quando eu me formar vou atender pessoas e não peças de borracha.
    SOU TOTALMENTE CONTRA O PBL ISSO NÃO É ESTUDAR MEDICINA É BRINCAR DE MÉDICO E LÁ NA FRENTE BRINCAR COM A VIDA DAS PESSOAS.

    1. Creio que sua faculdade não sabe o que é o método e o implantou apenas para ter menos gastos e trabalho. Estudo numa faculdade onde tempos o método e percebo diferencial dentre vários. Ao menos na minha cidade passamos em residências do mesmo jeito que alunos de uma Federal que contém método tradicional. Faço enfermagem na Faculdade Pernambucana de Saúde e me sinto bastante satisfeita com o método e o aprendizado, tenho tutoras altamente competentes,especialistas em suas respectivas áreas e todas as minhas coordenadoras possuem doutorado. Estudei anatomia pelo método e nunca sair com uma dúvida sequer pois, os professores estavam dispostos a não dar a resposta mas, em ajudar o aluno a chegar naquele objetivo. Sem falar que o método ABP não exclui cadáveres, sua faculdade sim. Pois, tive aulas em modelos e cadáveres. Um exemplo disto, é que hj sou monitora de anatomia. Os laboratórios de habilidades práticas são os únicos que não são exclusivos do método abp. Acho que neste caso é a diferença de compromisso com os alunos e não o método ensinado.

  8. Olá Professor. Fico estarrecido com sua opinião sobre o ABP. Demonstra desconhecimento do método, a saber: 1) ABP não diminui custos, pelo contrário; 2) o facilitador deve DOMINAR o assunto do problema em discussão; 3) É absurdo afirmar que não tem compromisso com o aprendizado, muito pelo contrário, utiliza-se do melhor da ciência sobre aprendizado de adultos. 4) o Professor Tutor tem sim que ter formação acadêmica, realmente não sei de onde o sr buscou essa informação de que o Professor Tutor não precisa ter formação…. 5) Enfim, um dos pilares do ABP é que o estudante embase seus argumentos durante a discussão do assunto BASEADO EM EVIDÊNCIA CIENTÍFICA, o que eu sinceramente não vi no seu relato.

    1. Saudações Acadêmicas Professor Iglesias. Concordo com suas cinco afirmações: ABP deveria em tese ser mais caro, mais docentes contratados pela faculdade, mediante concursos, para grupos menores de trabalho[ 6 a 8 alunos], mas o que vi são médicos recém-formados, de dois a quatro anos de formados [muitos estudando para adentrarem na Residência Médica] que são “professores colaboradores” e cedidos pela Secretaria Municipal de Saúde do município, não são docentes de carreira,sendo “tutores de alunos de medicina” do primeiro ao quarto ano na rede de atenção básica; o facilitador/tutor/docente [a polissemia é ampla] de ensino deveria dominar o ensino e ser da mesma especialidade que do caso clínico em discussão, mas o tutor, nas faculdades que observei, tem por exemplo como especialidade – dermatologista-, em caso clínico da tutoria de neurologia (AVE) ou cardiologia (ICC); muitos “tutores”, apenas estão fisicamente na tutoria, enquanto alguns, isso eu vi, ou estão no “smartphone ou mudos” em toda a discussão, que muitas delas não passam de uma hora, e quando perguntados pelos alunos dizem “não posso orientar, isso é contra o método”; e ainda, e não menos importante, enfermeiro, ou psicólogo, ou farmacêutico em tutorias de casos clínicos de temas de medicina, por exemplo, de Lúpus Eritematoso Sistêmico, Linfomas, Demência Alzheimer etc. No Brasil foi isso que observei da ABP, e na Europa, pelos menos que li, a aplicação é mais rigorosa e efetiva. Outrossim na aplicação do método, e não formalmente, não funcionou nas faculdades que observei presencialmente, e o tutores [muitos na verdade pseudotutores] não exigiam dos seus alunos se as buscam eram em MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS [presenciei fontes/buscas de mais de uma década, e o tutor nada fez…]. Na tese de doutoramento citado no texto há uma confrontação de duas escolas – uma de ensino tradicional e outra de ensino no ABP. Saudações acadêmicas. Na luta pelo ensino com qualidade nas escolas médicas!

      1. Lendo esses relatos vejo que minha faculdade vai muito bem, obrigada! professores concursados, tutores participativos e que estudam para as tutorias, os professores estão sempre disponíveis para fazer consultorias e tirar as nossas dúvidas… Tivemos problemas com anatomia mas creio que o motivo principal não seja o método PBL, mas sim o fato de o curso ainda estar em implantação! já ouvi muitos relatos semelhantes, e acho que o problema do PBL, assim como do tradicional, é, em alguns casos, a execução. Quem nunca teve um professor com slide de 2001 falando em trompas de falópio que atire a primeira pedra! Abraço

  9. Como estudante em preparação para ingressar no curso, me vejo duvidosa em relação aos métodos. Minha preferência é pelo método Tradicional, devido à maior seriedade e abrangência, mas muitos estudantes de medicina e inclusive meu tio, médico mestre em Saúde Mental e psiquiatra, que é tutor em uma faculdade particular, me incentiva e defende o método PBL, pois diz ser mais proveitoso e inteligente, além de mais adequado à realidade médica. Me vejo dividida, pois o excesso de teorias do tradicional e o risco de superficialidade do PBL se confrontam com a maior organização do primeiro método em detrimento da maior praticidade do segundo.
    Por via das dúvidas, continuarei me preparando para a USP e darei preferência às faculdades que adotam o tradicional, embora tenha que estudar muitos conteúdos, talvez, não muito necessários. Acredito ser o mais seguro, atualmente, para ser um médico qualificado, ao considerar os dois anos finais de internato, totalmente práticos.

    1. Sou estudante do segundo ano de medicina e meu curso adota o PBL, e te digo com toda segurança que não há espaço pra ser superficial. Na maioria das vezes a gente se aprofunda bastante porque precisamos estudar por fontes diversificadas. Geralmente a cada problema vemos cerca de 15 referências, entre livros, artigos, dissertações de mestrado, teses de doutorado, apostilas de outras universidades, manuais do ministério da saúde e por aí vai… Sempre material confiável. Abraço!

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