“A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera, é um romance profundo que explora a dualidade entre leveza e peso na existência humana, ambientado na Tchecoslováquia durante a invasão soviética de 1968.
A metáfora central do livro contrapõe a leveza e o peso: a leveza pode ser libertadora, mas também insignificante; o peso pode ser opressor, mas confere sentido à vida. Essa dualidade permeia todas as decisões dos personagens, mostrando que não há respostas definitivas…
Pois bem…
Analogia Kundera & ENAMED
- Milan Kundera abre sua obra com uma provocação: viver é leveza ou peso?
- O eterno retorno de Nietzsche sugere que tudo se repete infinitamente.
- Se a vida fosse repetida, cada erro teria peso insuportável.
- Mas se ela acontece apenas uma vez, cada falha se dissolve na leveza.
- O estudante diante do ENAMED sente exatamente esse dilema.
- O peso da prova parece esmagador, como se definisse toda a trajetória.
- Cada questão errada é vivida como uma marca eterna.
- Cada nota baixa é sentida como sentença definitiva.
- Mas Kundera nos lembra: talvez seja apenas leveza.
- Talvez o fracasso não seja repetido, mas vivido uma única vez.
- O erro não precisa ser prisão, pode ser aprendizado.
- O peso é a responsabilidade, a cobrança, o medo de não ser suficiente.
- A leveza é a liberdade de recomeçar, de tentar de novo.
- Alunos que foram considerados incompetentes carregam o peso da avaliação.
- Mas também podem escolher a leveza da experiência única.
- O ENAMED não é eterno retorno, é apenas um momento.
- O peso pode esmagar, mas a leveza pode libertar.
- O fracasso não define, apenas revela caminhos.
- Kundera nos ensina: viver é oscilar entre peso e leveza.
- E o estudante precisa aprender que até o “incompetente” pode ser leve.
No Enamed 2026 foram avaliados 351 cursos de Medicina no Brasil (conceitos de 1 a 5).
Destes, 163 cursos obtiveram excelência acadêmica, com conceitos de 4 ou 5, enquanto 107 cursos ficaram abaixo do padrão esperado e poderão enfrentar sanções futuras pelo Ministério da Educação: impossibilidade de novos vestibulares e ou redução de vagas.
No link todas as faculdades avaliadas e as notas Veja lista e notas dos 351 cursos de Medicina avaliados no Enamed | G1
A persistência de tantos cursos de Medicina em conceitos 1 e 2 no ENAMED não pode ser atribuída apenas aos alunos considerados incompetentes.
O resultado reflete também a própria estrutura das faculdades, suas metodologias, investimentos e compromisso com a formação médica.
Quando o fracasso se repete, não é apenas o estudante que falha — é a instituição que insiste em oferecer uma formação insuficiente.
O peso da avaliação, portanto, recai sobre ambos: alunos e faculdades. Mas é nas instituições que se encontra a responsabilidade maior, pois delas depende a qualidade da educação e, em última instância, a segurança da sociedade que receberá esses futuros médicos.
Citando trechos da obra de Kundera para o momento real que ocorre na formação médica no Brasil:
“Quanto mais pesado o fardo, mais perto nossas vidas chegam da terra, mais reais e verdadeiras elas se tornam. Inversamente, a absoluta ausência de fardo faz com que o homem seja mais leve que o ar, elevando-se às alturas, despedindo-se da terra e de seu ser terreno, e tornando-se apenas meio real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes. O que então escolheremos? Peso ou leveza? … Quando queremos dar expressão a uma situação dramática em nossas vidas, tendemos a usar metáforas de peso. Dizemos que algo se tornou um grande fardo para nós. Ou suportamos o fardo ou falhamos e sucumbimos a ele, lutamos contra ele, vencemos ou perdemos. E Sabina – o que aconteceu com ela? Nada. Ela havia deixado um homem porque sentiu vontade de deixá-lo. Ele a havia perseguido? Ele tentou se vingar dela? Não. Seu drama não era um drama de peso, mas de leveza. O que lhe coube não foi o fardo, mas a insuportável leveza do ser “
“Quanto mais pesado o fardo, mais reais e verdadeiras nossas vidas se tornam…” — Kundera.
No ENAMED, o peso é a responsabilidade das faculdades em formar médicos competentes. Cada conceito 1 ou 2 não é apenas reflexo de alunos incompetentes, mas também da insustentável leveza institucional: cursos que se multiplicam sem estrutura, sem compromisso, sem fardo real.
Enquanto os estudantes carregam o peso da reprovação, muitas faculdades vivem na leveza — livres de consequências, oferecendo diplomas sem solidez. Mas agora o MEC impõe sanções: redução de vagas, suspensão de vestibulares, supervisão especial. O fardo finalmente chega às instituições.
Assim como Kundera nos provoca a escolher entre peso e leveza, o ENAMED mostra que a formação médica não pode ser leve demais. Sem peso, ela se torna insignificante. Com peso, ela se torna verdadeira.
Referência: Kundera, M. (2008). A insustentável leveza do ser (T. B. C. da Fonseca, Trad.). São Paulo: Companhia das Letras.


Como sempre, análises assertivas.!!!
Não me assalta o espanto, pois é da natureza humana fazer de si o centro do mundo, como se toda verdade consumisse somente o seu corpo. De veras já não se busca edificar as almas, mas apenas comercializar a consciência e o tempo do próximo, e haverá algo de valioso que não seja o tempo? Aquele que assume a função por nome e prestígio, e não por zelo ou misericórdia, não serve ao próximo, mas ao próprio lucro. Quando o herdeiro sem virtudes exerce o ofício da medicina, não é de seu interesse aprender ou ensinar, mas nadar em sangue enfermo. E se considerarmos os enfermos que, vencidos pelo labor contínuo, chegam ao médico e são confiados a alguém que pouco ou nada aprendeu da arte, ali estando não por mérito, mas por haver cumprido o tributo exigido. O homem, já exausto pelo trabalho, tem então a paciência consumida pelo desespero, e não tardará a insurgir-se, seja no recinto público, seja no privado, Pois “A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então consideradas respeitáveis e cercadas de um piedoso respeito. Ela transformou o médico… em seus trabalhadores assalariados.” E não teremos mais a prospecção da alma, porque “O capital não tem a mínima consideração pela saúde e duração da vida do trabalhador, a menos que seja forçado pela sociedade a ter essa consideração.” Sabemos que “A medicina cura dúvidas tanto quanto doenças.” que cesse a angústia do povo, pois não fomos feitos apenas para sobreviver, mas para viver, pois “Preciso do médico, não de seu moleque de recados”.(MARX, O capital)