{"id":4869,"date":"2013-05-04T14:10:26","date_gmt":"2013-05-04T17:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/?p=4869"},"modified":"2016-06-14T10:24:21","modified_gmt":"2016-06-14T13:24:21","slug":"acidente-vascular-cerebral-epidemiolgia-comorbidades-e-uso-de-anticoagulantes-e-antiagregantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/acidente-vascular-cerebral-epidemiolgia-comorbidades-e-uso-de-anticoagulantes-e-antiagregantes\/","title":{"rendered":"Acidente Vascular Cerebral: epidemiolgia, comorbidades e uso de anticoagulantes e antiagregantes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/cerebro-perfil-04-05-2013-menor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-4870\" title=\"cerebro perfil - 04-05-2013 menor\" src=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/cerebro-perfil-04-05-2013-menor.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"262\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/AVCI-TRATAMENTO-ANTICOAGULANTES-E-ANTIAGREGANTES.pptx\">Semin\u00e1rio apresentado pelos alunos do 4\u00ba ano do curso de medicina da Famema Gabriel Augusto Queijo e Fernando Tadeu Orlato Rossetti no Ambulat\u00f3rio Neurovascular-Ambulat\u00f3rio Mario Covas &#8211; disciplinas Neurologia e Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Sa\u00fade.<\/a><\/p>\n<p>Dados retirados do DATASUS mostram que no Brasil o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es ultrapassa 225.000 e a mortalidade atinge 88.000 pessoas anualmente.<\/p>\n<p>A denomina\u00e7\u00e3o AVC envolve duas grandes entidades etiol\u00f3gicas com fisiopatologias completamente distintas:<br \/>\no acidente vascular cerebral isqu\u00eamico (AVCI), que ocorre em at\u00e9 85% dos casos, e o hemorr\u00e1gico (AVCH).<\/p>\n<p>A embolia por fonte card\u00edaca \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente 20% dos AVCIs. Desses, metade \u00e9 causada por trombos originados no \u00e1trio esquerdo em decorr\u00eancia de fibrila\u00e7\u00e3o atrial n\u00e3o valvar; a outra metade divide-se entre trombos originados no ventr\u00edculo esquerdo (infarto agudo do mioc\u00e1rdio e miocardiopatia dilatada) e por doen\u00e7a valvar.<\/p>\n<p>O AVC nos EUA foi respons\u00e1vel, em 2007, por custos diretos e indiretos da ordem de 34 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Os custos considerados diretos, como cuidados m\u00e9dicos, interna\u00e7\u00f5es, visitas ambulatoriais, visitas a emerg\u00eancia e medicamentos representaram 18,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que o AVC compartilha muitos dos fatores de risco das doen\u00e7as cardiovasculares, mas exibe uma complexidade etiol\u00f3gica muito maior. Notavelmente, em grande parte das vezes, as afec\u00e7\u00f5es cardiovasculares tornam-se comorbidades em um paciente com AVC; al\u00e9m disso, \u00e9 frequente que as doen\u00e7as cardiovasculares assumam o papel de causa principal do AVC.<\/p>\n<p>O AVCI, assim como a maioria das doen\u00e7as cardiovasculares, tem incid\u00eancia concentrada sobremaneira no indiv\u00edduo com mais de 55 anos de idade, faixa em que tamb\u00e9m se concentra o surgimento da maioria de seus fatores de risco. Por essa raz\u00e3o, a idade \u00e9, em si pr\u00f3pria, um desses e ir\u00e1 somar-se ao sexo, ra\u00e7a e heran\u00e7a gen\u00e9tica para constitu\u00edrem os principais fatores de risco n\u00e3o modific\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os negros e hisp\u00e2nicos homens (e outros latino-americanos, como os brasileiros) constituem grupos de risco para afe\u00e7\u00e3o pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>As medidas de maior impacto para o controle da doen\u00e7a s\u00e3o justamente as tomadas com a finalidade de preven\u00e7\u00e3o (prim\u00e1ria e secund\u00e1ria) e direcionadas aos fatores de risco chamados modific\u00e1veis.<\/p>\n<p>Desses, de longe a hipertens\u00e3o arterial (HAS) \u00e9 o mais importante e que comprovadamente ocasiona o maior risco tanto para a doen\u00e7a isqu\u00eamica quanto para a hemorr\u00e1gica. A eleva\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica da press\u00e3o arterial contribui para a aterosclerose da aorta, das art\u00e9rias do cora\u00e7\u00e3o e do c\u00e9rebro, e dos pequenos vasos, al\u00e9m de sustentar o desenvolvimento de outras complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas.<\/p>\n<p>Diabetes mellitus e tabagismo completam a tr\u00edade dos principais fatores de risco para AVC. O \u00faltimo parece influenciar tanto na forma\u00e7\u00e3o de trombos quanto no processo de aterosclerose dos vasos10. Diabetes \u00e9 sabidamente relacionado a doen\u00e7a de pequenos vasos e o controle glic\u00eamico nesses pacientes, em especial nos que j\u00e1 tiveram o primeiro epis\u00f3dio de AVC, deve ser o mais rigoroso poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A dislipidemia, embora sem tanta sustenta\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica como nas doen\u00e7as cardiovasculares, tem tamb\u00e9m seu papel no AVCI e seu controle est\u00e1 associado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da recorr\u00eancia de eventos cerebrovasculares.<\/p>\n<p>Outros fatores de risco bem definidos para o AVCI incluem a obesidade, estilo de vida sedent\u00e1rio, dieta pouco saud\u00e1vel e condi\u00e7\u00f5es como estenose carot\u00eddea, fibrila\u00e7\u00e3o atrial e anemia falciforme.<\/p>\n<p>Classicamente, o AVCI, por suas m\u00faltiplas possibilidades etiol\u00f3gicas, tem suas causas classificadas em cinco grandes grupos: doen\u00e7a de pequenas art\u00e9rias, doen\u00e7a ateroscler\u00f3tica de grandes art\u00e9rias (placas de ateroma, estenoses e oclus\u00f5es), embolia card\u00edaca, outras causas determinadas (dissec\u00e7\u00e3o, trombofilias, infec\u00e7\u00f5es) e causas indeterminadas.<\/p>\n<p>A embolia por fonte card\u00edaca \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente 20% dos AVCIs. Desses, metade \u00e9 causada por trombos originados no \u00e1trio esquerdo em decorr\u00eancia de fibrila\u00e7\u00e3o atrial n\u00e3o valvar; a outra metade divide-se entre trombos originados no ventr\u00edculo esquerdo (infarto agudo do mioc\u00e1rdio e miocardiopatia dilatada) e por doen\u00e7a valvar.<\/p>\n<p>Os trombos gerados caminham at\u00e9 a por\u00e7\u00e3o distal dos vasos intracranianos, quando acabam por oclui-los, podendo causar sintomas cl\u00ednicos t\u00e3o catastr\u00f3ficos quanto os que acompanham a s\u00edndrome do topo de basilar por exemplo. Outras vezes, os sintomas instalados resolvem-se ou amenizam-se espontaneamente, resultado da recanaliza\u00e7\u00e3o do vaso oclu\u00eddo que costuma ocorrer mais frequentemente em casos de embolia.<\/p>\n<p>A fibrila\u00e7\u00e3o atrial \u00e9 a arritmia mais frequente da popula\u00e7\u00e3o idosa e chega a aumentar em 20 vezes o risco de AVCI nestes indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Seu tratamento vem sofrendo grandes inova\u00e7\u00f5es, com o surgimento de diversos agentes anticoagulantes orais em alternativa aos antagonistas da vitamina K antigos, mas em uso at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O tratamento dessa doen\u00e7a tem sofrido consider\u00e1vel progresso, principalmente a partir de 1995, quando foram publicados os resultados do NINDS rt-PA Study Group, onde pacientes submetidos a tromb\u00f3lise com alteplase em at\u00e9 tr\u00eas horas do in\u00edcio dos sintomas apresentavam chance 30% maior de evoluir sem incapacidade funcional em tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>A literatura m\u00e9dica mostra que o principal fator que impede o uso de trombol\u00edtico \u00e9 justamente a janela terap\u00eautica, dando assim grande import\u00e2ncia \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o precoce dos sinais e sintomas do AVC e \u00e0 r\u00e1pida locomo\u00e7\u00e3o at\u00e9 os centros de emerg\u00eancia. Trazendo assim a concep\u00e7\u00e3o, tanto aos profissionais de sa\u00fade quanto ao p\u00fablico leigo, que o AVC \u00e9 realmente uma emerg\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O AVC isqu\u00eamico que envolve o territ\u00f3rio carot\u00eddeo pode-se manifestar com isquemia retiniana e encef\u00e1lica (com s\u00edndromes neurol\u00f3gicas que associam d\u00e9ficit de fun\u00e7\u00f5es corticais, como afasia, e d\u00e9ficit motor e\/ou sensitivo). J\u00e1 o AVC isqu\u00eamico do sistema vertebro-basilar pode apresentar sintomas como vertigem e ataxia, anormalidades na movimenta\u00e7\u00e3o ocular, diplopia, hemianopsia e d\u00e9ficit motor e\/ou sensitivo unilateral ou bilateral.<\/p>\n<p>Os sintomas mais comuns na instala\u00e7\u00e3o de um AVC s\u00e3o:<br \/>\n\u2022 Altera\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e\/ou sensibilidade em um ou ambos os lados do corpo<br \/>\n\u2022 Dificuldade para falar<br \/>\n\u2022 Confus\u00e3o ou dificuldade para entender e se comunicar<br \/>\n\u2022 Dificuldade para a marcha ou equil\u00edbrio<br \/>\n\u2022 Dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos<br \/>\n\u2022 Cefaleia s\u00fabita e intensa<br \/>\n\u2022 Rebaixamento do n\u00edvel de consci\u00eancia<br \/>\n\u2022 Desvio de rima labial<\/p>\n<p>Para diagn\u00f3stico acurado, confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica e exclus\u00e3o de outras patologias, deve-se proceder logo que houver suspeita de AVC, aos seguintes passos e exames b\u00e1sicos e imprescind\u00edveis:<br \/>\n\u2022 Anamnese: deve-se questionar a forma de instala\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos sintomas, atividade realizada no momento da instala\u00e7\u00e3o, hor\u00e1rio do in\u00edcio, sintomas relacionados, medicamentos em uso e antecedentes cl\u00ednicos;<br \/>\n\u2022 Exame cl\u00ednico: deve incluir al\u00e9m do convencional, o exame vascular perif\u00e9rico, e ausculta dos vasos do pesco\u00e7o;<br \/>\n\u2022 Exame neurol\u00f3gico e uso de escalas: escala de coma de Glasgow e escala de AVC do National Institute of Health (NIHSS);<br \/>\n\u2022 Exames laboratoriais: glicemia capilar, hemograma completo com plaquetas, s\u00f3dio, pot\u00e1ssio, ureia, creatinina, glicemia s\u00e9rica, coagulograma completo e troponina;<br \/>\n\u2022 Exame de imagem: tomografia computadorizada do cr\u00e2nio sem contraste \u00e9 o m\u00e9todo mais dispon\u00edvel, por\u00e9m, a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica pode ser realizada.<\/p>\n<p>O ambulat\u00f3rio Neurovascular recebe encaminhamentos\u00a0 de 62 munic\u00edpios do Departamento Regional de Sa\u00fade IX do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/cerebro-perfil-04-05-2013.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-4871\" title=\"cerebro- perfil 04-05-2013\" src=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/cerebro-perfil-04-05-2013.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/cerebro-perfil-04-05-2013.jpg 450w, https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/cerebro-perfil-04-05-2013-247x300.jpg 247w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a>&#8220;O que me preocupa n\u00e3o \u00e9 o grito dos maus. \u00c9 o sil\u00eancio dos bons&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Martin Luther King<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio apresentado pelos alunos do 4\u00ba ano do curso de medicina da Famema Gabriel Augusto Queijo e Fernando Tadeu Orlato Rossetti no Ambulat\u00f3rio Neurovascular-Ambulat\u00f3rio Mario Covas &#8211; disciplinas Neurologia e Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Sa\u00fade. Dados retirados do DATASUS mostram que no Brasil o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es ultrapassa 225.000 e a mortalidade atinge 88.000 pessoas &hellip; <a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/acidente-vascular-cerebral-epidemiolgia-comorbidades-e-uso-de-anticoagulantes-e-antiagregantes\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Acidente Vascular Cerebral: epidemiolgia, comorbidades e uso de anticoagulantes e antiagregantes<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[4,13,9],"tags":[314],"class_list":["post-4869","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-neurologia","category-opiniao","category-saude-publica","tag-ambulatorio-neurovascular-milton-marchioli-famema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4869"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12115,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4869\/revisions\/12115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}