{"id":5097,"date":"2013-06-14T02:07:12","date_gmt":"2013-06-14T05:07:12","guid":{"rendered":"http:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/?p=5097"},"modified":"2022-01-17T10:17:04","modified_gmt":"2022-01-17T13:17:04","slug":"migranea-ou-enxaqueca-seminario-curso-de-medicina-da-famema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/migranea-ou-enxaqueca-seminario-curso-de-medicina-da-famema\/","title":{"rendered":"Migr\u00e2nea ou Enxaqueca. Semin\u00e1rio. Curso de Medicina da Famema"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/CEFAL\u00c9IAS-PRIM\u00c1RIAS-13-06-2013.pptx\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-11746\" src=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/enxaqueca-jacar\u00e9.jpg\" alt=\"enxaqueca- jacar\u00e9\" width=\"225\" height=\"244\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/CEFAL\u00c9IAS-PRIM\u00c1RIAS-13-06-2013.pptx\">Semin\u00e1rio apresentando pelos alunos David Claro, Ana Caroline Ramires Ramos e Bruna A. Nalin durante est\u00e1gio no Ambulat\u00f3rio de Cefaleia &#8211; Ambulat\u00f3rio Mario Covas &#8211; da Faculdade de Medicina de Mar\u00edlia- disciplinas Neurologia e Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Sa\u00fade.<\/a><\/p>\n<p>A dor de cabe\u00e7a \u00e9 uma das queixas mais frequentes na pr\u00e1tica m\u00e9dica do dia a dia e constitui um importante problema de Sa\u00fade P\u00fablica no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Estima-se que mais da metade da popula\u00e7\u00e3o apresenta algum tipo de cefaleia em alguma fase da vida. Esse tipo de queixa constitui uma das causas mais frequentes de absente\u00edsmo, de sorte que seu impacto socioecon\u00f4mico \u00e9 muito grande.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas houve avan\u00e7os significativos no estudo das cefaleias, principalmente no que tange a sua sistematiza\u00e7\u00e3o, aos mecanismos fisiopatol\u00f3gicos, fatores etiol\u00f3gicos e \u00e0 abordagem terap\u00eautica.<\/p>\n<p>As cefaleias podem ser desdobradas em prim\u00e1rias e secund\u00e1rias, sendo a enxaqueca (ou migr\u00e2nea) uma das cefaleias prim\u00e1rias mais frequentes.<\/p>\n<p><strong>Conceito<\/strong><\/p>\n<p>A enxaqueca \u00e9 uma forma de cefaleia cr\u00f4nica prim\u00e1ria que pode ser definida como uma rea\u00e7\u00e3o neurovascular anormal que ocorre num organismo geneticamente vulner\u00e1vel e que se exterioriza, clinicamente, por epis\u00f3dios recorrentes de cefaleia e manifesta\u00e7\u00f5es associadas que geralmente dependem de fatores desencadeantes.<\/p>\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o, embora incompleta, tem o m\u00e9rito de incorporar dois fatores fundamentais da enxaqueca: o end\u00f3geno(gen\u00e9tico) e o ex\u00f3geno(ambiental). Quando ocorre a conjuga\u00e7\u00e3o desses fatores pode exteriorizar-se a crise enxaquecosa.<\/p>\n<p>Embora a enxaqueca seja um quadro cr\u00edtico, em certos pacientes ela pode ser mais abrangente configurando o chamado epis\u00f3dio enxaquecoso que evolui em cinco fases: sintomas premonit\u00f3rios, aura, fase \u00e1lgica (cefaleia e manifesta\u00e7\u00f5es associadas), resolu\u00e7\u00e3o da fase \u00e1lgica e quadro p\u00f3s-cr\u00edtico ou de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A crise simplesmente resuma-se \u00e0 aura, \u00e0 fase \u00e1lgica e \u00e0 fase de resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter gen\u00e9tico da enxaqueca \u00e9 inquestion\u00e1vel embora em muitos casos seja ainda impreciso. O hist\u00f3rico familiar da enxaqueca muitas vezes constitui um pr\u00e9-requisito para o diagn\u00f3stico. A frequ\u00eancia do quadro enxaquecoso em algumas fam\u00edlias sugere uma transmiss\u00e3o do tipo dominante. A frequ\u00eancia da enxaqueca em g\u00eameos id\u00eanticos \u00e9 maior do que em g\u00eameos fraternos.<\/p>\n<p>Algumas formas de enxaqueca, como a enxaqueca hemipl\u00e9gica familiar (EHF), t\u00eam alguns aspectos gen\u00e9ticos j\u00e1 bem definidos. Em 50% a 60% das fam\u00edlias est\u00e3o envolvidos um gene denominado CACNA 1 A ( alfa 1 A subunidade P\/Q de um canal de c\u00e1lcio voltagem dependente) mapeado no cromossomo 19.<\/p>\n<p>Em algumas doen\u00e7as, como a MELAS e o CADASIL, nas quais o quadro enxaquecoso pode estar associado, padr\u00f5es gen\u00e9ticos bem definidos j\u00e1 est\u00e3o descritos.<\/p>\n<p>Algumas formas de enxaqueca n\u00e3o t\u00eam um padr\u00e3o gen\u00e9tico estabelecido e podem obedecer a mecanismos multifatoriais e dependem de uma heterogeneidade gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Os fatores ex\u00f3genos ou ambientais podem atuar como desencadeantes da crise.<\/p>\n<p>S\u00e3o diversificados e entre os principais podem ser mencionados: dist\u00farbios emocionais (ansiedade, depress\u00e3o, irritabilidade), modifica\u00e7\u00f5es do ciclo vig\u00edlia-sono (excesso ou priva\u00e7\u00e3o de sono), ingest\u00e3o de determinados alimentos (chocolate, queijos maturados, produtos defumados, uso de glutamato monoss\u00f3dico,\u00a0 presen\u00e7a de conservantes qu\u00edmicos em certos alimentos), ingest\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas (principalmente vinho tinto), jejum prolongado, modifica\u00e7\u00f5es hormonais (menstrua\u00e7\u00e3o, uso de anticoncepcionais, reposi\u00e7\u00e3o hormonal), exposi\u00e7\u00e3o a odores fortes e penetrantes\u00a0 (perfumes, gasolina, creolina), exposi\u00e7\u00e3o a est\u00edmulos luminosos intensos e\/ou intermitentes, exerc\u00edcios f\u00edsicos intensos ou pr\u00e1tica esportiva, viagens a\u00e9reas longas, altitudes elevadas, movimentos de acelera\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de alguns desses fatores pode ser superestimada pelo paciente, raz\u00e3o pela qual devem ser avaliados com muita prud\u00eancia e ju\u00edzo cr\u00edtico pelo neurologista.<\/p>\n<p><strong>Idade, sexo e frequ\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A enxaqueca costuma ter in\u00edcio na inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia ou nos prim\u00f3rdios da idade adulta, embora possa ocorrer em per\u00edodos mais tardios da vida.<\/p>\n<p>O pico de preval\u00eancia \u00e9 atingido entre os 30 e 45 anos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo pr\u00e9-pubert\u00e1rio h\u00e1 ligeira predomin\u00e2ncia nos meninos, entretanto, ap\u00f3s esse per\u00edodo, h\u00e1 n\u00edtida predomin\u00e2ncia no sexo feminino. A enxaqueca \u00e9 altamente prevalente e estima-se que atinja 12% da popula\u00e7\u00e3o, sendo mais frequente na mulher na raz\u00e3o de 3:1.<\/p>\n<p><strong>Formas cl\u00ednicas<\/strong><\/p>\n<p>A International Headache Society (IHS) reconhece v\u00e1rios subtipos de enxaqueca (Tabela 1), sendo os dois principais a enxaqueca sem aura e a enxaqueca com aura.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1. Formas Cl\u00ednicas de Enxaqueca com o respectivo<\/strong><br \/>\n<strong>CID10-(Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as)<\/strong><\/p>\n<p>[G43] Migr\u00e2nea<br \/>\n<strong>1.1 [G43.0] Migr\u00e2nea sem aura<\/strong><br \/>\n<strong>1.2 [G43.1] Migr\u00e2nea com aura<\/strong><br \/>\n1.2.1 [G43.10] Aura t\u00edpica com cefaleia migranosa<br \/>\n1.2.2 [G43.10] Aura t\u00edpica com cefaleia n\u00e3o migranosa<br \/>\n1.2.3 [G43.104] Aura t\u00edpica sem cefaleia<br \/>\n1.2.4 [G43.105] Migr\u00e2nea hemiplegica familiar (MHF)<br \/>\n1.2.5 [G43.105] Migr\u00e2nea hemiplegica espor\u00e1dica<br \/>\n1.2.6 [G43.103] Migr\u00e2nea do tipo basilar<br \/>\n<strong>1.3 [G43.82] S\u00edndromes peri\u00f3dicos da inf\u00e2ncia comumente precursores de migr\u00e2nea<\/strong><br \/>\n1.3.1 [G43.82] V\u00f4mitos c\u00edclicos<br \/>\n1.3.2 [G43.820] Migr\u00e2nea abdominal<br \/>\n1.3.3 [G43.821] Vertigem parox\u00edstica benigna da inf\u00e2ncia<br \/>\n<strong>1.4 [G43.81] Migr\u00e2nea retiniana<\/strong><br \/>\n<strong>1.5 [G43.3] Complica\u00e7\u00f5es da migr\u00e2nea<\/strong><br \/>\n1.5.1 [G43.3] Migr\u00e2nea cr\u00f4nica<br \/>\n1.5.2 [G43.2] Estado de mal migranoso<br \/>\n1.5.3 [G43.3] Aura persistente sem infarto<br \/>\n1.5.4 [G43.3] Infarto migranoso<br \/>\n1.5.5 [G43.3] +[G40.x ou G41.x]<br \/>\n<strong>1.6 [G43.83] Prov\u00e1vel migr\u00e2nea<\/strong><br \/>\n1.6.1 [G43.83] Prov\u00e1vel migr\u00e2nea sem aura<br \/>\n1.6.2 [G43.83] Prov\u00e1vel migr\u00e2nea com aura<br \/>\n1.6.5 [G43.83] Prov\u00e1vel migr\u00e2nea cr\u00f4nica<\/p>\n<p><strong>Quadro cl\u00ednico<\/strong><\/p>\n<p>A enxaqueca sem aura \u00e9 a mais frequente na pr\u00e1tica cl\u00ednica e representa aproximadamente 70% das formas apresentadas.<\/p>\n<p>Pode ser definida como cefaleia idiop\u00e1tica, recorrente, manifestando-se por crises com dura\u00e7\u00e3o de 4 a 72 horas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista cl\u00ednico, a dor costuma apresentar, localiza\u00e7\u00e3o unilateral, qualidade puls\u00e1til, intensidade vari\u00e1vel (moderada ou forte), sendo exacerbada pelas atividades f\u00edsicas de rotina.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios para a caracteriza\u00e7\u00e3o da crise enxaquecosa exigem a presen\u00e7a de pelo menos uma das manifesta\u00e7\u00f5es associadas (n\u00e1usea e ou v\u00f4mito, fotofobia e fonofobia).<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de enxaqueca exige que o paciente tenha no m\u00ednimo, cinco crises que preencham os crit\u00e9rios considerados.<\/p>\n<p>A enxaqueca com aura \u00e9 menos frequente e representa aproximadamente de 20% a 30% das formas cl\u00ednicas de enxaqueca.<\/p>\n<p>Exist\u00eancia de pelo menos duas crises com as caracter\u00edsticas descritas acima.<\/p>\n<p>Essa forma \u00e9 caracterizada pela presen\u00e7a de aura que se exterioriza por manifesta\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas revers\u00edveis que sinalizam comprometimento do c\u00f3rtex cerebral ou do tronco encef\u00e1lico.<\/p>\n<p>A aura costuma durar de 5 a 20 minutos, mas pode chegar a uma hora.<\/p>\n<p>A crise enxaquecosa tem in\u00edcio com a aura (precedida ou n\u00e3o por uma fase prodr\u00f4mica) e sucedida ou interpenetrada pela fase \u00e1lgica, que se instala nos minutos subsequentes, geralmente de 15 a 20 minutos ap\u00f3s o in\u00edcio da aura.<\/p>\n<p>A aura pode ser visual (a mais frequente), sensitiva, motora ou ser traduzida por dist\u00farbios de linguagem.<\/p>\n<p>Alguns enxaquecosos podem apresentar as duas formas cl\u00ednicas.<\/p>\n<h5><span style=\"color: #008000;\">CRIT\u00c9RIOS DIAGN\u00d3STICOS DA ENXAQUECA<\/span><\/h5>\n<div data-canvas-width=\"531.505\">Crit\u00e9rios para o diagn\u00f3stico da enxaqueca (ICHD-II, 2004):<\/div>\n<div data-canvas-width=\"13.758333333333333\"><\/div>\n<div data-canvas-width=\"324.2416666666666\">1.1 enxaqueca ou migr\u00e2nea sem aura<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"520.2600000000001\">A. Pelo menos cinco ataques que preenchem os crit\u00e9rios B a D<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"645.8833333333332\">B. Cefaleia durando 4-72 horas (sem tratamento ou com tratamento ineficaz)<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"538.7416666666668\">C. Cefaleia preenche ao menos duas das seguintes caracter\u00edsticas:<\/div>\n<div>1. localiza\u00e7\u00e3o unilateral;<\/div>\n<div>2. car\u00e1ter puls\u00e1til;<\/div>\n<div>3. intensidade moderada ou forte (incapacitante);<\/div>\n<div>4. exacerbada por ou levando o indiv\u00edduo a evitar atividades f\u00edsicas rotineiras (por exemplo, caminhar ou subir escada).<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"503.42500000000007\">D. Durante cefaleia, pelo menos um dos seguintes sintomas:<\/div>\n<div>1. n\u00e1usea e\/ou v\u00f4mitos;<\/div>\n<div>2. fotofobia e fonofobia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"298.06833333333327\">E. N\u00e3o atribu\u00edda a outro transtorno<\/div>\n<div data-canvas-width=\"13.758333333333333\"><\/div>\n<div data-canvas-width=\"336.83000000000004\">1.2. Enxaqueca ou migr\u00e2nea com aura<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"475.75666666666666\">A. Pelo menos duas crises preenchendo os crit\u00e9rios B a D<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"720.3516666666668\">B. Aura consistindo em pelo menos um dos seguintes sintomas, mas nenhuma paresia:<\/div>\n<div>1. Sintomas visuais completamente revers\u00edveis, incluindo caracter\u00edsticas positivas (luzes tremulantes, manchas ou linhas) e\/ou caracter\u00edsticas negativas (perda de vis\u00e3o);<\/div>\n<div>2. Sintomas sensitivos completamente revers\u00edveis, incluindo caracter\u00edsticas positivas(formigamento) e\/ou caracter\u00edsticas negativas (dorm\u00eancia);<\/div>\n<div>3. Disfasia completamente revers\u00edvel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"360.2516666666667\">C. Pelo menos dois dos seguintes sintomas:<\/div>\n<div>1. Sintomas visuais hom\u00f4nimos e\/ou sintomas sensitivos unilaterais;<\/div>\n<div>2. Pelo menos um sintoma de aura desenvolve-se gradualmente em \u2265 5 minutos e\/ou diferentes sintomas de aura ocorrem em sucess\u00e3o em \u2265 5 minutos;<\/div>\n<div>3. Cada sintoma dura \u2265 5 minutos e \u2264 60 minutos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"373.0566666666666\">D. Cefaleia preenchendo crit\u00e9rios de B a D para 1.1 Migr\u00e2nea sem aura come\u00e7a durante a aura ou a sucede com intervalo de at\u00e9 60 minutos<\/div>\n<div><\/div>\n<div data-canvas-width=\"298.06833333333327\">E. N\u00e3o atribu\u00edda a outro transtorno<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico da enxaqueca \u00e9 cl\u00ednico, n\u00e3o havendo marcadores biol\u00f3gicos para confirm\u00e1-lo. Mesmo outros exames complementares (registros gr\u00e1ficos, exames de imagem ou angiografia cerebral) n\u00e3o contribuem para firmar o diagn\u00f3stico, sendo, entretanto, \u00fateis para o descarte de patologias estruturais que provocam cefaleia semelhante a enxaqueca.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de um paciente com cefaleia depende fundamentalmente de uma hist\u00f3ria cuidadosa e de exame cl\u00ednico pormenorizado portanto \u00e9 imprescind\u00edvel a anamnese , que \u00e9 uma palavra derivada do grego e significa nova lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico diferencial da enxaqueca deve ser feito com outras cefaleias prim\u00e1rias: cefaleia tipo tensional epis\u00f3dica, cefaleia em salvas, hemicrania cont\u00ednua , etc.<\/p>\n<p>Particularmente na enxaqueca com aura deve ser considerado o diagn\u00f3stico diferencial com manifesta\u00e7\u00f5es epil\u00e9pticas e com os ataques isqu\u00eamicos transit\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p>O tratamento desse tipo de cefaleia deve ser personalizado: isso significa que devemos tratar o enxaquecoso e n\u00e3o a enxaqueca.<\/p>\n<p>O manejo terap\u00eautico desse doente requer uma abordagem abrangente, levando em conta seu perfil psicol\u00f3gico, seus h\u00e1bitos de vida, a presen\u00e7a de fatores desencadeantes, o tipo de crise e a sua frequ\u00eancia, dura\u00e7\u00e3o e intensidade.<\/p>\n<p>\u00c9 importante considerar no tratamento as medidas gerais e as medidas farmacol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Deve-se explicar ao paciente, em termos acess\u00edveis, o que \u00e9 a enxaqueca e o que pode ser feita par trat\u00e1-la.<\/p>\n<p>Evitar fatores desencadeantes, desde que detectados, \u00e9 muito importante no \u00eaxito do tratamento.<\/p>\n<p>O tratamento farmacol\u00f3gico do enxaquecoso deve ser feito sempre por m\u00e9dico, entretanto, somente 60% dos pacientes procuram aux\u00edlio especializado e muitos apelam para a automedica\u00e7\u00e3o ou aceitam a recomenda\u00e7\u00e3o do balconista da farm\u00e1cia ou de um vizinho ou de um colega de trabalho, tamb\u00e9m sofredor do mesmo mal.<\/p>\n<p>Os riscos desse comportamento s\u00e3o \u00f3bvios: efeitos adversos das drogas, cefaleia cr\u00f4nica di\u00e1ria pelo uso regular de analg\u00e9sicos e a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do tratamento profil\u00e1tico.<\/p>\n<p>O tratamento farmacol\u00f3gico pode ser desdobrado em sintom\u00e1tico (tratamento da crise) e profil\u00e1tico.<\/p>\n<p>O manejo das crises \u00e9 poss\u00edvel por meio de certos procedimentos, entretanto, nas fortes ou muito fortes, prolongadas ou de recorr\u00eancia muito frequente, o tratamento farmacol\u00f3gico de imp\u00f5e.<\/p>\n<p>Os recursos farmacol\u00f3gicos incluem medicamentos n\u00e3o-espec\u00edficos (analg\u00e9sicos comuns, anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o-esteroidais),\u00a0 e medicamentos espec\u00edficos e seletivos (triptanos).<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o dos triptanos, os demais medicamentos devem se associar drogas adjuvantes (metoclopramida, domperidona), com o objetivo de combater a n\u00e1usea e o v\u00f4mito.<\/p>\n<p>O uso de analg\u00e9sico deve ser feito no in\u00edcio da crise, comumente associado a drogas gastrocin\u00e9ticas e antiem\u00e9ticas. Se sintomas como n\u00e1usea e\/ou v\u00f4mito s\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o precoce nas crises, devemos evitar as drogas de apresenta\u00e7\u00e3o oral e utilizar formas alternativas de apresenta\u00e7\u00e3o (spray nasal , ampolas, comprimidos sublinguais ou disco liofilizado).<\/p>\n<p>Nas formas moderadas d\u00e1-se prefer\u00eancia a analg\u00e9sicos comuns (\u00e1cidos acetilsalic\u00edlico, paracetamol, dipirona), associados aos anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o-esteroidais (naproxeno s\u00f3dico, ibuprofeno, diclofenaco).<\/p>\n<p>Os analg\u00e9sicos narc\u00f3ticos (code\u00edna, derivados da morfina) devem ser evitados, mas poder\u00e3o ser utilizados na gestante enxaquecosa e como medica\u00e7\u00e3o de resgate.<\/p>\n<p>Nas crises fortes ou muito fortes, ou quando o pico de dor \u00e9 rapidamente alcan\u00e7ado, deve-se lan\u00e7ar m\u00e3o de drogas mais potentes no combate \u00e0 dor (triptanos), associado a anti-inflamat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O tratamento profil\u00e1tico deve ser feito tendo em mira v\u00e1rios objetivos: aliviar o paciente do sofrimento e com isso melhorar a sua qualidade de vida; evitar a sua incapacidade tempor\u00e1ria (f\u00edsica e intelectual), e evitar o uso prolongado e, \u00e0s vezes, abusivo de analg\u00e9sicos, que al\u00e9m de efeitos adversos (potencialmente perigosos) podem induzir um quadro de cefaleia secund\u00e1ria cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios fundamentais para a institui\u00e7\u00e3o do tratamento profil\u00e1tico s\u00e3o de tr\u00eas ordens: frequ\u00eancia, intensidade e dura\u00e7\u00e3o das crises.<\/p>\n<p>A conduta preconizada para iniciar esse tipo de tratamento \u00e9 a ocorr\u00eancia de, pelo menos, uma a duas crises\/m\u00eas, entretanto, crises de longa dura\u00e7\u00e3o (dois a tr\u00eas dias). e de grande intensidade podem justificar um tratamento de manuten\u00e7\u00e3o, mesmo com crises mais espa\u00e7adas.<\/p>\n<p>As drogas profil\u00e1ticas de primeira escolha s\u00e3o os betabloqueadores,\u00a0 antidepressivos tric\u00edclicos, inibidores de recapta\u00e7\u00e3o de serotonina e os anticonvulsivantes divalproato de s\u00f3dio e o topiramato, e ainda os bloqueadores dos canais de c\u00e1lcio.<\/p>\n<p>Das cinco classes dos bloqueadores de canal de c\u00e1lcio, o \u00fanico comprovadamente eficaz \u00e9 a flunarizina e dos bloqueadores beta- adren\u00e9rgicos, o mais eficaz \u00e9 o propranolol.<\/p>\n<p>A toxina botul\u00ednica vem sendo avaliada no tratamento profil\u00e1tico da enxaqueca.<\/p>\n<p>O tratamento profil\u00e1tico deve ser feito, na medida do poss\u00edvel, em regime de monoterapia, e excepcionalmente com drogas associadas.<\/p>\n<p>O Ambulat\u00f3rio de Cefaleia recebe encaminhamentos do Departamento Regional de Sa\u00fade IX do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/enxaqueca-e-afins.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-10781\" src=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/enxaqueca-e-afins.jpg\" alt=\"enxaqueca e afins\" width=\"383\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/enxaqueca-e-afins.jpg 383w, https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/enxaqueca-e-afins-230x300.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio apresentando pelos alunos David Claro, Ana Caroline Ramires Ramos e Bruna A. Nalin durante est\u00e1gio no Ambulat\u00f3rio de Cefaleia &#8211; Ambulat\u00f3rio Mario Covas &#8211; da Faculdade de Medicina de Mar\u00edlia- disciplinas Neurologia e Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Sa\u00fade. A dor de cabe\u00e7a \u00e9 uma das queixas mais frequentes na pr\u00e1tica m\u00e9dica do dia a &hellip; <a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/migranea-ou-enxaqueca-seminario-curso-de-medicina-da-famema\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Migr\u00e2nea ou Enxaqueca. Semin\u00e1rio. Curso de Medicina da Famema<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[332,4,13,9],"tags":[304],"class_list":["post-5097","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-neurologia","category-opiniao","category-saude-publica","tag-ambulatorio-de-cefaleia-famema-milton-marchioli"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5097"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13672,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5097\/revisions\/13672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}