{"id":8214,"date":"2015-03-10T20:16:32","date_gmt":"2015-03-10T23:16:32","guid":{"rendered":"http:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/?p=8214"},"modified":"2022-01-31T10:08:45","modified_gmt":"2022-01-31T13:08:45","slug":"professor-miguel-nagib-debateu-a-doutrinacao-ideologica-da-esquerda-em-salas-de-aula-com-professores-marxistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/professor-miguel-nagib-debateu-a-doutrinacao-ideologica-da-esquerda-em-salas-de-aula-com-professores-marxistas\/","title":{"rendered":"Professor Miguel Nagib debateu a doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da esquerda em salas de aula com professores marxistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/MIGUEL-NAGIB-ESCOLA-SEM-DOUTRINA\u00c7\u00c3O.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-12210\" src=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/MIGUEL-NAGIB-ESCOLA-SEM-DOUTRINA\u00c7\u00c3O.jpg\" alt=\"MIGUEL NAGIB- ESCOLA SEM DOUTRINA\u00c7\u00c3O\" width=\"207\" height=\"275\" \/><\/a>Mensagens trocadas num grupo de discuss\u00e3o no dia 13 de janeiro de 2014 entre o coordenador da Escola Sem Partido, Miguel Nagib, e dois professores universit\u00e1rios (Ilzver Matos e Paulo Renato Vit\u00f3ria) sobre o artigo <a href=\"http:\/\/www.escolasempartido.org\/artigos\/412-professor-nao-tem-direito-de-fazer-a-cabeca-de-aluno\" target=\"_blank\">&#8220;Professor n\u00e3o tem direito de &#8216;fazer a cabe\u00e7a&#8217; de aluno&#8221;\u00a0 <\/a>ainda parecem recentes e palpitantes 14 meses depois.<\/p>\n<p>Vamos lembra que as mensagens entre os debatedores surgem a partir do artigo de 04 de outubro de 2013.<\/p>\n<p>Leiam, reflitam, e passem aos demais alunos, pais e professores.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.escolasempartido.org\/\">Eis o texto da Escola Sem Partido:<\/a><\/p>\n<h3><strong>Professor n\u00e3o tem direito de \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d de aluno<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Por Miguel Nagib<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>\u00c9 l\u00edcito ao professor, a pretexto de \u201cdespertar a consci\u00eancia cr\u00edtica dos alunos\u201d \u2014 ou de \u201cformar cidad\u00e3os\u201d, \u201cconstruir uma sociedade mais justa\u201d, \u201csalvar o planeta\u201d, etc. \u2013, usar a situa\u00e7\u00e3o de aprendizado, a audi\u00eancia cativa dos alunos e o recinto fechado da sala de aula para tentar obter a ades\u00e3o dos estudantes a uma determinada corrente ou agenda pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica?<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Com outras palavras: \u00e9 l\u00edcito ao professor tentar \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d dos alunos?<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>A resposta a essa pergunta est\u00e1 no art. 206 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que diz o seguinte:<\/em><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Art. 206. O ensino ser\u00e1 ministrado com base nos seguintes princ\u00edpios:<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>II \u2013 liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;<\/em><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Como se v\u00ea, ao lado da liberdade de ensinar dos professores \u2014 a chamada liberdade de c\u00e1tedra \u2013, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal tamb\u00e9m garante a liberdade de aprender dos estudantes.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Seja qual for, na sua m\u00e1xima extens\u00e3o, o conte\u00fado jur\u00eddico dessa liberdade de aprender, uma coisa \u00e9 certa: ele compreende o direito do estudante a que o seu conhecimento da realidade n\u00e3o seja manipulado pela a\u00e7\u00e3o dolosa ou culposa dos seus professores. Ou seja: ele compreende o direito do aluno de n\u00e3o ser doutrinado por seus professores.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Esse direito nada mais \u00e9 do que a proje\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, no campo da educa\u00e7\u00e3o, da principal liberdade assegurada pela Constitui\u00e7\u00e3o: a liberdade de consci\u00eancia.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>A liberdade de consci\u00eancia \u00e9 absoluta. Os indiv\u00edduos s\u00e3o 100% livres para ter suas convic\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es a respeito do que quer que seja. Ningu\u00e9m pode obrigar uma pessoa, direta ou indiretamente, a acreditar ou n\u00e3o acreditar em alguma coisa. O Estado pode obrig\u00e1-la a fazer ou n\u00e3o fazer alguma coisa, mas n\u00e3o pode pretender invadir a consci\u00eancia do indiv\u00edduo para for\u00e7\u00e1-lo ou induzi-lo a ter essa ou aquela opini\u00e3o sobre determinado assunto. Isto s\u00f3 acontece em pa\u00edses totalit\u00e1rios como Cuba e Coreia do Norte.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Como o ensino obrigat\u00f3rio n\u00e3o anula e n\u00e3o restringe a liberdade de consci\u00eancia do indiv\u00edduo \u2014 do contr\u00e1rio, ele seria inconstitucional \u2013, o fato de o estudante ser obrigado a assistir \u00e0s aulas de um professor impede terminantemente que este se utilize de sua disciplina, intencionalmente ou n\u00e3o, como instrumento de coopta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Portanto, com base no art. 206 da CF, pode-se definir juridicamente a pr\u00e1tica da doutrina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica em sala de aula como sendo o abuso da liberdade de ensinar do professor em preju\u00edzo da liberdade de aprender do estudante.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Esse abuso da liberdade de ensinar tamb\u00e9m compromete gravemente a liberdade pol\u00edtica dos alunos, j\u00e1 que o fim \u00faltimo da doutrina\u00e7\u00e3o \u00e9 induzir o estudante a fazer determinadas escolhas pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas. E como se alcan\u00e7a esse resultado? Mediante a desqualifica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de todas as correntes pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas menos uma: aquela que desfruta da simpatia do professor.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Dessa forma, os estudantes s\u00e3o induzidos a fazer determinadas escolhas; escolhas que beneficiam, direta ou indiretamente, os movimentos, as organiza\u00e7\u00f5es, os partidos e os candidatos que desfrutam da simpatia do professor ou que contam com a sua milit\u00e2ncia.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que esses estudantes est\u00e3o sendo manipulados e explorados politicamente por seus professores, o que ofende o art. 5\u00ba do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), segundo o qual \u201cnenhuma crian\u00e7a ou adolescente ser\u00e1 objeto de qualquer forma de explora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>\u00c9 certo que o professor doutrinador n\u00e3o se vale da viol\u00eancia para constranger os alunos. Mas, ao estigmatizar determinadas perspectivas pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas, a doutrina\u00e7\u00e3o cria as condi\u00e7\u00f5es para um tipo de constrangimento muito menos sutil: o bullying pol\u00edtico e ideol\u00f3gico que \u00e9 praticado pelos pr\u00f3prios estudantes contra seus colegas. Em certos ambientes, um aluno que assuma publicamente uma milit\u00e2ncia ou postura que n\u00e3o seja a da corrente dominante corre s\u00e9rio risco de ser isolado, hostilizado e at\u00e9 agredido fisicamente pelos colegas. E isto se deve, principalmente, ao ambiente de sectarismo criado pela doutrina\u00e7\u00e3o.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Professor doutrinador \u00e9 aquele que usa suas aulas para tentar transformar seus alunos em r\u00e9plicas ideol\u00f3gicas de si mesmo. Assim agindo, por\u00e9m, o professor infringe o art. 53 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, que garante aos estudantes \u201co direito de ser respeitado por seus educadores\u201d. Com efeito, um professor que deseja transformar seus alunos em r\u00e9plicas ideol\u00f3gicas de si mesmo evidentemente n\u00e3o os est\u00e1 respeitando.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Por fim, a pr\u00e1tica da doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica configura uma afronta ao pr\u00f3prio regime democr\u00e1tico, j\u00e1 que ela instrumentaliza o sistema p\u00fablico de ensino e os estudantes com o objetivo de desequilibrar o jogo pol\u00edtico em favor de um dos competidores.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Em suma, o professor que usa suas aulas para \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d dos alunos, por mais justas e elevadas que lhe pare\u00e7am as suas inten\u00e7\u00f5es, est\u00e1 desrespeitando, ao mesmo tempo, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Cabe \u00e0s autoridades educacionais e aos respons\u00e1veis pelas escolas adotar medidas eficazes para coibir essa pr\u00e1tica covarde, anti\u00e9tica e ilegal. E cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico \u2014 a quem a Constitui\u00e7\u00e3o Federal atribui \u201ca defesa da ordem jur\u00eddica e do regime democr\u00e1tico\u201d e a legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, a defesa dos interesses das crian\u00e7as e dos adolescentes e dos consumidores \u2014 exigir que essas medidas sejam adotadas.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>E que medidas s\u00e3o essas?<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Muito pode ser feito, sem d\u00favida. Mas o mais importante e urgente \u00e9 informar os alunos sobre o direito que eles t\u00eam de n\u00e3o ser doutrinados por seus professores.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Trata-se, aqui, mais uma vez, de um direito assegurado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal: o direito \u2014 que decorre do princ\u00edpio constitucional da cidadania (CF, art. 1\u00ba, II) \u2014 de ser informado sobre os pr\u00f3prios direitos.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Conferindo efetividade a esse princ\u00edpio, o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u2014 que \u00e9 aplic\u00e1vel no caso da rela\u00e7\u00e3o professor-aluno, uma vez que o professor \u00e9 preposto do fornecedor dos servi\u00e7os prestados ao aluno \u2014 enumera entre os princ\u00edpios da Pol\u00edtica Nacional das Rela\u00e7\u00f5es de Consumo a \u201ceduca\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres\u201d (art. 4\u00ba, inciso IV).<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Al\u00e9m disso, o art. 2\u00ba da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (Lei 9.394\/96) estabelece que uma das finalidades da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 preparar o educando \u201cpara o exerc\u00edcio da cidadania\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Assim, tanto por for\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o, como por for\u00e7a do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor e da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional, as escolas p\u00fablicas e privadas t\u00eam o dever jur\u00eddico de educar e informar os estudantes sobre o direito que eles t\u00eam de n\u00e3o ser doutrinados por seus professores.<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Como cumprir esse dever? \u00c9 simples: basta afixar em locais onde possam ser lidos por estudantes e professores (preferencialmente\u00a0 nas salas de aula, mas tamb\u00e9m nas salas dos professores) cartazes com os seguintes preceitos:<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong>1. O professor n\u00e3o abusar\u00e1 da inexperi\u00eancia, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos, com o objetivo de coopt\u00e1-los para esta ou aquela corrente pol\u00edtico-partid\u00e1ria, nem adotar\u00e1 livros did\u00e1ticos que tenham esse objetivo.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong>2. O professor n\u00e3o favorecer\u00e1 nem prejudicar\u00e1 os alunos em raz\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, religiosas, ou da falta delas.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong>3. O professor n\u00e3o far\u00e1 propaganda pol\u00edtico-partid\u00e1ria em sala de aula nem incitar\u00e1 seus alunos a participar de manifesta\u00e7\u00f5es, atos p\u00fablicos e passeatas.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong>4. Ao tratar de quest\u00f5es pol\u00edticas, s\u00f3cio-culturais e econ\u00f4micas, o professor apresentar\u00e1 aos alunos, de forma justa \u2013 isto \u00e9, com a mesma profundidade e seriedade \u2013, as principais vers\u00f5es, teorias, opini\u00f5es e perspectivas concorrentes a respeito.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong>5. O professor n\u00e3o criar\u00e1 em sala de aula uma atmosfera de intimida\u00e7\u00e3o, ostensiva ou sutil, capaz de desencorajar a manifesta\u00e7\u00e3o de pontos de vista discordantes dos seus, nem permitir\u00e1 que tal atmosfera seja criada pela a\u00e7\u00e3o de alunos sect\u00e1rios ou de outros professores.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Negar aos alunos o conhecimento desses deveres do professor \u00e9 o mesmo que sonegar-lhes as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas necess\u00e1rias ao exerc\u00edcio da cidadania dentro da pr\u00f3pria escola!<\/em><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio e urgente educar e informar os estudantes sobre os direitos compreendidos na sua liberdade de aprender, a fim de que eles mesmos possam exercer a defesa desses direitos, j\u00e1 que, dentro da sala de aula, ningu\u00e9m mais poder\u00e1 fazer isso por eles.<\/em><\/span><\/p>\n<h3>DEBATE<\/h3>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">O texto raivoso n\u00e3o tem nenhuma base nas obras sobre ensino jur\u00eddico, nem menciona as suas principais caracter\u00edsticas no Brasil nestes s\u00e9culos de exist\u00eancia, as cr\u00edticas atuais (n\u00e3o t\u00e3o atuais mais) ao modelo coimbr\u00e3o e as novas propostas de ensino do direito (sobre as quais poderia tecer seus coment\u00e1rios e cr\u00edticas). O texto \u00e9 apenas uma tentativa pobre de convencimento com base no senso comum e fundamentada numa interpreta\u00e7\u00e3o da mesma forma pobre das nossas lei, fruto de algum conflito pessoal e resultado do processo terap\u00eautico da escrita que tantos usam hoje para liberar tens\u00f5es e ang\u00fastias (\u00e0 moda facebookiana).<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">Ilzver Matos<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Parece que algu\u00e9m se sentiu pessoalmente atingido pelo meu artigo\u2026 Ser\u00e1 que o Prof. Ilzver Matos, que \u00e9 (ou era) militante do movimento negro, tamb\u00e9m se utiliza da autoridade que lhe \u00e9 conferida pela c\u00e1tedra, da situa\u00e7\u00e3o de aprendizado e da audi\u00eancia cativa dos alunos para tentar transform\u00e1-los em simpatizantes ou seguidores de suas pr\u00f3prias bandeiras pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas?<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Fa\u00e7a o seguinte, Prof. Ilzver: escreva um texto defendendo o direito do professor de fazer milit\u00e2ncia pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica em sala de aula. N\u00e3o faz mal que seja em causa pr\u00f3pria. O importante \u00e9 que o Sr. demonstre, com base na Constitui\u00e7\u00e3o e nas leis, que as teses sustentadas no meu artigo est\u00e3o erradas. Quem sabe eu n\u00e3o aprendo alguma coisa com o Sr.?<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Miguel Nagib<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">Prezado Miguel, quem escreve textos ou obras que se tornam p\u00fablicas e de amplo acesso deve estar aberto a cr\u00edticas boas ou n\u00e3o. Li seu texto, o assunto me interessou e opinei sobre ele, como leitor cuidadoso dos seus argumentos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">\u00d3bvio que minha trajet\u00f3ria passa pelos movimentos sociais, isso t\u00e1 no meu lattes (movimento negro, de crian\u00e7as e adolescentes, direitos humanos de uma forma geral), mas, tamb\u00e9m passei pela academia, fiz gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e fa\u00e7o doutorado em Direito, passei pela pol\u00edtica, transitei em v\u00e1rios ambientes, e procuro em sala de aula compartilhar esta diversidade de experi\u00eancias, n\u00e3o acho que cometo il\u00edcito ou inconstitucionalidade ao agir desta forma. Mas, com certeza temos vis\u00f5es distintas deste espa\u00e7o: a sala de aula, veja porque: sou freiriano, n\u00e3o acho que a sala de aula \u00e9 espa\u00e7o de manifesta\u00e7\u00e3o de autoridade nem que existe hierarquia natural entre professor e aluno, nem que este \u00faltimo. o aluno, \u00e9 uma &#8220;tabula rasa&#8221;; n\u00e3o pratico educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria; a sala para mim \u00e9 espa\u00e7o de troca de experi\u00eancias, aprendo muito com os alunos e com suas viv\u00eancias, eles me influenciam com suas vis\u00f5es de mundo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">Por fim, n\u00e3o vou escrever nenhum texto para te fazer &#8220;aprender&#8221; como voc\u00ea pede, voc\u00ea sabe que n\u00e3o sou teoricamente compat\u00edvel com esta ideia de aprendizado, podemos trocar ideias, acho que j\u00e1 estamos. Daniel, como sempre, nos informou do seu texto e pelo t\u00edtulo resolvi ler e estou aqui apenas expressando minha opini\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">Abra\u00e7os<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #993300;\">Ilzver Matos<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Ol\u00e1 a todas e todos,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Serei breve: na minha opini\u00e3o, tudo o que fazemos em sala de aula \u00e9 pol\u00edtica, quer queiramos reconhecer, quer n\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Apenas reproduzir a-criticamente conceitos &#8211; por certo ideol\u00f3gicos &#8211; tamb\u00e9m \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Defender a neutralidade do professor \u00e9 apenas tentar disfar\u00e7ar, hipocritamente, uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica conservadora. Mesmo que nos escondamos detr\u00e1s de artigos, normas, conceitos&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Por respeito aos nossos alunos, temos, sim, a obriga\u00e7\u00e3o de tomar posi\u00e7\u00e3o, por uma quest\u00e3o de honestidade intelectual. A neutralidade tamb\u00e9m \u00e9 ideol\u00f3gica&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Ou atuamos no sentido de transformar a realidade, ou no sentido de conserv\u00e1-la. Qualquer decis\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Sauda\u00e7\u00f5es,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Paulo<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Prezado Prof. Ilzver Matos,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">N\u00e3o me incomodo que opinem sobre o que escrevo. Mas, ao dizer que o meu texto seria \u201cfruto de algum conflito pessoal e resultado do processo terap\u00eautico da escrita que tantos usam hoje para liberar tens\u00f5es e ang\u00fastias\u201d, o Sr. n\u00e3o opinou sobre ele; opinou sobre mim. Sobre o artigo, propriamente, o Sr. s\u00f3 disse que era raivoso, pobre, sem base, fundado no senso comum e omisso quanto \u00e0s \u201cnovas propostas de ensino do direito\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Por isso a minha resposta foi meio atravessada. Vejo agora que me excedi, porque o Sr. parece ser uma pessoa educada. Apenas falou daquela forma depreciativa e deselegante porque n\u00e3o sabia que eu havia sido inclu\u00eddo no grupo juntamente com o meu artigo. Se soubesse, decerto n\u00e3o agiria da mesma forma &#8212; como, ali\u00e1s, n\u00e3o agiu depois de ficar sabendo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Mas eu insisto que o Sr. desenvolva as intui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas que o levaram a fazer um ju\u00edzo t\u00e3o desfavor\u00e1vel sobre o meu artigo. N\u00e3o se preocupe em me fazer \u201caprender\u201d. Eu aprenderei de qualquer forma (pois \u00e9 da minha natureza), se o Sr. demonstrar, com base na Constitui\u00e7\u00e3o e nas leis, que as teses sustentadas no meu artigo est\u00e3o erradas. Diante da indig\u00eancia do meu texto, essa demonstra\u00e7\u00e3o certamente n\u00e3o lhe custar\u00e1 muito esfor\u00e7o, e todos aqui, a come\u00e7ar por mim, lhe ser\u00e3o gratos por isso, pois teremos, afinal, a desejada troca de ideias.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Al\u00e9m disso, ao escrever esse artigo, o Sr. estar\u00e1 prestando um servi\u00e7o valioso \u00e0 legi\u00e3o de professores que hoje utiliza a sala de aula para fazer doutrina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica &#8212; a esmagadora maioria, freiriana como o Sr. e de esquerda como o Sr. (vejo que aqui mesmo neste grupo o Sr. n\u00e3o est\u00e1 sozinho). N\u00e3o que eles estejam correndo algum risco por adotar essa pr\u00e1tica covarde, anti\u00e9tica e ilegal (perdoe-me a franqueza). Definitivamente, este n\u00e3o \u00e9 o caso (basta lembrar que Paulo Freire, o grande respons\u00e1vel pelo sucesso da instrumentaliza\u00e7\u00e3o do ensino para fins pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos no Brasil, acaba de ser reconhecido &#8212; e merecidamente &#8212; como \u201cPatrono da Educa\u00e7\u00e3o Brasileira\u201d). Mas \u00e9 sempre bom contar com um parecer jur\u00eddico para o caso de algum estudante (ou pai de aluno) resolver comprar uma briga na Justi\u00e7a.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Subentende-se, naturalmente, quando falamos em \u201cdireito\u201d do professor de \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d dos alunos, que essa demonstra\u00e7\u00e3o deve ser feita com base na Constitui\u00e7\u00e3o e nas leis do pa\u00eds, e n\u00e3o em argumentos extrajur\u00eddicos, como \u201cas cr\u00edticas ao modelo coimbr\u00e3o e as novas propostas de ensino do direito\u201d. Tamb\u00e9m n\u00e3o adianta invocar a autoridade de Paulo Freire; n\u00e3o, pelo menos, enquanto seus or\u00e1culos n\u00e3o tiverem sido incorporados ao ordenamento jur\u00eddico.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Por falar no Patrono da Educa\u00e7\u00e3o Brasileira, o Sr. se declara freiriano, e diz que n\u00e3o acha que a sala de aula seja \u201cespa\u00e7o de manifesta\u00e7\u00e3o de autoridade nem que existe hierarquia natural entre professor e aluno\u201d. Mas a quest\u00e3o, Professor, \u00e9 saber se os seus alunos tamb\u00e9m pensam dessa forma. Porque, se eles acreditarem que existe hierarquia entre professor e aluno, e se submeterem \u00e0 sua autoridade, o Sr. estar\u00e1 exercendo essa autoridade, mesmo pensando que n\u00e3o est\u00e1 (se \u00e9 que o Sr. realmente pensa isso).<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Responda, Professor: o Sr. j\u00e1 dispensou os alunos de assistir \u00e0s suas aulas? J\u00e1 abriu m\u00e3o do direito de avali\u00e1-los, aprov\u00e1-los ou reprov\u00e1-los? J\u00e1 permitiu que eles se sentem na sua cadeira e lhe digam o que ser\u00e1 ensinado? \u00c9 claro que n\u00e3o! Sabe por qu\u00ea? Porque o Sr. nem pode fazer isso. A lei o pro\u00edbe. Negar a exist\u00eancia de uma hierarquia natural entre professor e aluno \u00e9 fechar os olhos para a natureza das coisas; negar a exist\u00eancia de uma hierarquia jur\u00eddica \u00e9 ignorar as normas mais elementares que disciplinam a sua pr\u00f3pria profiss\u00e3o. Ou o Sr. acha que seus alunos ficam l\u00e1 sentados, ouvindo o Sr. durante uma, duas horas, apenas porque gostam? N\u00e3o, Professor! Eles s\u00e3o obrigados! E \u00e9 principalmente por isso que o Sr. n\u00e3o pode levar a sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica e ideol\u00f3gica para dentro da sala de aula, pois o fato de eles serem obrigados a prestar aten\u00e7\u00e3o ao que o Sr. diz n\u00e3o os desveste da liberdade de consci\u00eancia assegurada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">O Sr. tamb\u00e9m afirma &#8212; invocando Paulo Freire &#8212; que \u201cn\u00e3o pratica educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d; que a sala para o Sr. \u201c\u00e9 espa\u00e7o de troca de experi\u00eancias\u201d, que \u201c[aprende] muito com os alunos e com suas viv\u00eancias\u201d, e que eles o \u201cinfluenciam com suas vis\u00f5es de mundo\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Paulo Freire era bom de conversa. Essa hist\u00f3ria de \u201ceduca\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d, por exemplo, impressiona muita gente. Mas n\u00e3o todo mundo. Sugiro, naquele intuito de estabelecermos uma verdadeira troca de ideias, a leitura do artigo \u201cPaulo Freire e a \u2018educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u2019 ideologizada\u201d, de autoria do Prof. Luiz Lopes Diniz Filho, do Depto. de Geografia da UFPR. Est\u00e1 nesse link:<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">http:\/\/escolasempartido.org\/artigos\/382-paulo-freire-e-a-educacao-bancaria-ideologizada<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Na pr\u00e1tica, escreve o Prof. Diniz Filho, a educa\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o-banc\u00e1ria\u201d de Paulo Freire funciona assim:<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u201co professor questiona os alunos sobre o seu dia a dia, apresenta uma explica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para os problemas e insatisfa\u00e7\u00f5es relatados, e depois discute com eles o que acharam desse conte\u00fado. Se os alunos discordarem da explica\u00e7\u00e3o, o professor argumenta em favor do seu pr\u00f3prio ponto de vista ideol\u00f3gico. Ao fim do di\u00e1logo, o professor conclui que os alunos que ele conseguiu convencer est\u00e3o agora \u201cconscientes\u201d da sua \u201cverdadeira\u201d condi\u00e7\u00e3o de oprimidos e explorados pela sociedade de classes.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Ora, isso \u00e9 apenas a dita \u201ceduca\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d camuflada de di\u00e1logo! O professor apresenta uma \u00fanica via para explicar as situa\u00e7\u00f5es relatadas pelos alunos: a ideologia em que ele acredita. O aluno \u00e9 deixado na ignor\u00e2ncia sobre a exist\u00eancia de pesquisas que explicam as situa\u00e7\u00f5es de pobreza, desigualdade, problemas urbanos e ambientais, entre outros, fora do universo te\u00f3rico e ideol\u00f3gico do professor.<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">O pr\u00f3prio simplismo do pensamento de Paulo Freire permite exemplificar como isso se d\u00e1. Suponham que um aluno de Freire, um oper\u00e1rio em processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, convidado a falar sobre sua vida cotidiana, dissesse que est\u00e1 desempregado. Aproveitando a oportunidade para \u201cconscientizar\u201d o aluno, o professor Freire apresentaria a sua vis\u00e3o sobre o tema: \u201cO desemprego no mundo n\u00e3o \u00e9, como disse e tenho repetido, uma fatalidade. \u00c9 antes o resultado de uma globaliza\u00e7\u00e3o da economia e de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos a que vem faltando o dever ser de uma \u00e9tica realmente a servi\u00e7o do ser humano e n\u00e3o do lucro e da gulodice irrefreada das minorias que comandam o mundo\u201d (a cita\u00e7\u00e3o \u00e9 de Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa).<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u00c9 claro que o aluno hipot\u00e9tico s\u00f3 poderia contestar essa an\u00e1lise se tivesse lido trabalhos de economistas sobre as causas do desemprego. Entretanto, o aluno obviamente n\u00e3o leu nada disso, pois est\u00e1 se alfabetizando! Ou seja, o aluno n\u00e3o tem nem poder nem espa\u00e7o para \u201cquestionar os novos saberes\u201d apresentados pelo professor.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">O que se tem a\u00ed, portanto, \u00e9 um m\u00e9todo que consiste em transmitir ao aluno verdades prontas, tal como na dita \u201ceduca\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d, mas disfar\u00e7ado por um processo dial\u00f3gico manipulado pelo professor, que sonega ao aluno o conhecimento de explica\u00e7\u00f5es alternativas e mais sofisticadas do que aquela!\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Mostre esse artigo aos seus alunos, Professor, e observe se n\u00e3o haver\u00e1 alguma mudan\u00e7a no comportamento deles em rela\u00e7\u00e3o ao Senhor.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Mas voltemos \u00e0 quest\u00e3o do direito do professor de \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d dos alunos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">De um modo geral, os professores militantes se defendem com os argumentos usados aqui pelo Prof. Paulo Renato Vit\u00f3ria: \u201ctudo o que fazemos em sala de aula \u00e9 pol\u00edtica, quer queiramos reconhecer, quer n\u00e3o\u201d. \u201cOu atuamos no sentido de transformar a realidade, ou no sentido de conserv\u00e1-la.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u00c9 deprimente. O militante sequer considera a hip\u00f3tese de que a realidade deva ser \u201cconhecida\u201d. Quer transform\u00e1-la sem conhec\u00ea-la. Se \u00e9 como ele diz, n\u00e3o existe mais ci\u00eancia, nem verdade, nem busca do conhecimento, nem possibilidade de arbitrar racionalmente qualquer discuss\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>O fato de o conhecimento ser vulner\u00e1vel \u00e0 distor\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u2013 o que \u00e9 uma realidade ineg\u00e1vel sobretudo no campo das ci\u00eancias sociais \u2013 deveria servir de alerta para que os educadores adotassem as precau\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas necess\u00e1rias para reduzir a margem de distor\u00e7\u00e3o. Em vez disso, professores como o Sr. Paulo Renato Vit\u00f3ria o utilizam, cinicamente, como salvo-conduto para a doutrina\u00e7\u00e3o: como n\u00e3o existe neutralidade, cada professor que trate de puxar a brasa para a sua pr\u00f3pria sardinha ideol\u00f3gica.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Imagine se um cirurgi\u00e3o, consciente da inexist\u00eancia de um campo cir\u00fargico 100% isento de contamina\u00e7\u00e3o bacteriana, se dispensasse de lavar as m\u00e3os antes de abrir a barriga de um paciente\u2026<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">O ideal da perfeita neutralidade pode ser (e \u00e9) inating\u00edvel; mas isto n\u00e3o significa que n\u00e3o possa ser perseguido como todo ideal; e, muito menos, que os professores estejam dispensados do dever \u00e9tico e jur\u00eddico de persegui-lo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">O problema \u00e9 que isso d\u00e1 trabalho&#8230; O professor vai ter de estudar, ler um monte de livros de autores cujas ideias ele n\u00e3o conhece e n\u00e3o tem vontade de conhecer, aprender o que ele achava que j\u00e1 sabia, rever ideias, abandonar convic\u00e7\u00f5es, reescrever artigos, reconhecer que estava errado, etc. E ainda vai sofrer a patrulha de colegas e estudantes sect\u00e1rios. N\u00e3o vale a pena, n\u00e3o \u00e9? Muito mais f\u00e1cil e c\u00f4modo \u00e9 continuar repetindo para si mesmo que \u201ceducar \u00e9 um ato pol\u00edtico\u201d, e despejando na cabe\u00e7a dos alunos suas pr\u00f3prias ideias e preconceitos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">O problema, no fundo, talvez seja de voca\u00e7\u00e3o. Por isso, encerro minha resposta com uma conhecida passagem do livro \u201cA ci\u00eancia como voca\u00e7\u00e3o\u201d, de Max Weber:<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">\u201cO verdadeiro professor ter\u00e1 escr\u00fapulos de impor, do alto de sua c\u00e1tedra, uma tomada de posi\u00e7\u00e3o qualquer, tanto abertamente quanto por sugest\u00e3o \u2013 j\u00e1 que a maneira mais desleal \u00e9 evidentemente a que consiste em \u201cdeixar os fatos falarem\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Por que raz\u00f5es devemos abster-nos? Deduzo que determinado n\u00famero de meus respeit\u00e1veis colegas opinar\u00e1 no sentido de que \u00e9, geralmente, imposs\u00edvel p\u00f4r em pratica esses escr\u00fapulos pessoais e que, se [fosse] poss\u00edvel, seria fora de prop\u00f3sito adotar precau\u00e7\u00f5es semelhantes. [Bem], n\u00e3o se pode demonstrar [cientificamente] a ningu\u00e9m aquilo em que consiste o dever de um professor universit\u00e1rio. Nada mais se poder\u00e1 exigir dele do que probidade intelectual ou, em outras palavras, a obriga\u00e7\u00e3o de reconhecer que existem dois tipos de problemas heterog\u00eaneos: de um lado, o estabelecimento de fatos, a determina\u00e7\u00e3o das realidades matem\u00e1ticas e l\u00f3gicas ou a identifica\u00e7\u00e3o das estruturas intr\u00ednsecas dos valores culturais; e, de outro, a resposta a quest\u00f5es referentes ao valor da cultura e de seus conte\u00fados particulares ou a quest\u00f5es relativas \u00e0 maneira como se deveria agir na cidade e em meio a agrupamentos pol\u00edticos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Agora, se me fosse perguntado por que esta \u00faltima s\u00e9rie de quest\u00f5es deve ser exclu\u00edda de uma sala de aula, eu responderia que o profeta e o demagogo est\u00e3o deslocados em uma c\u00e1tedra universit\u00e1ria. Tanto ao profeta quanto ao demagogo se deve dizer: \u201cV\u00e1 \u00e0s ruas e fale em p\u00fablico\u201d, quer dizer, que ele fale em lugar onde possa ser contestado. Em uma sala de aula enfrenta-se o audit\u00f3rio de maneira totalmente diversa: a palavra \u00e9 do professor, e os estudantes est\u00e3o condenados ao sil\u00eancio. Imp\u00f5em as circunst\u00e2ncias que os alunos sejam obrigados a seguir os cursos de um professor, tendo em vista a futura carreira, e que nenhum dos presentes a uma sala de aula possa criticar o mestre. \u00c9 imperdo\u00e1vel a um professor valer-se dessa situa\u00e7\u00e3o para buscar incutir em seus disc\u00edpulos as suas pr\u00f3prias concep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, em vez de lhes ser \u00fatil, como \u00e9 de seu dever, atrav\u00e9s da transmiss\u00e3o de conhecimento e de experi\u00eancia cient\u00edfica.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Positivamente, pode ocorrer que este ou aquele professor apenas de forma imperfeita consiga fazer calar as suas prefer\u00eancias. Nesse caso, estar\u00e1 sujeito \u00e0 mais severa das cr\u00edticas no intimo de sua pr\u00f3pria consci\u00eancia. Todavia, uma falha dessas n\u00e3o prova nada em absoluto, pois que existem outros tipos de falha como, por exemplo, os erros materiais, e tamb\u00e9m [estes] nada provam contra a obriga\u00e7\u00e3o da busca da verdade. [Com outras palavras: a dificuldade concreta em fazer calar as pr\u00f3prias simpatias e prefer\u00eancias, n\u00e3o induz \u00e0 conclus\u00e3o de que o professor esteja desobrigado de buscar a verdade. Assim como a dificuldade em praticar a caridade, a justi\u00e7a, a honestidade, etc. n\u00e3o implica a aboli\u00e7\u00e3o desses deveres.] Se n\u00e3o bastasse, \u00e9 exatamente em nome do interesse da ci\u00eancia que eu condeno essa forma de proceder. Recorrendo \u00e0s obras de nossos historiadores, tenho condi\u00e7\u00e3o de lhes fornecer prova de que, sempre que um homem de ci\u00eancia permite que se manifestem seus pr\u00f3prios ju\u00edzos de valor, ele perde a compreens\u00e3o integral dos fatos. Contudo, essa demonstra\u00e7\u00e3o se estenderia para al\u00e9m dos limites do tema que nos ocupa esta noite e exigiria digress\u00f5es demasiado longas. (&#8230;)<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Seria desconfortante para todo professor titular de uma c\u00e1tedra universit\u00e1ria abrigar o sentimento de estar colocado diante da impudente exig\u00eancia de provar que \u00e9 um l\u00edder. Mais desconfortante ainda seria pressupor-se que todo professor de universidade poderia ter a possibilidade de desempenhar esse papel na sala de aula. Efetivamente, os indiv\u00edduos que a si mesmos se julgam l\u00edderes s\u00e3o, as mais das vezes, os menos qualificados para tal fun\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, a sala de aula n\u00e3o ser\u00e1 jamais o local em que o professor possa fazer prova de uma aptid\u00e3o como essa. O professor que sente a voca\u00e7\u00e3o de conselheiro da juventude e que goza da confian\u00e7a dos mo\u00e7os deve desempenhar esse papel no contato pessoal de homem para homem. Caso ele se julgue chamado a participar das lutas entre concep\u00e7\u00f5es de mundo e entre opini\u00f5es de partidos, deve faz\u00ea-lo fora da sala de aula, deve faz\u00ea-lo em lugar p\u00fablico, isto \u00e9, atrav\u00e9s da imprensa, em reuni\u00f5es, em associa\u00e7\u00f5es, onde achar melhor. Sem d\u00favida, \u00e9 muito c\u00f4modo exibir coragem num local em que os assistentes e, provavelmente, os oponentes, est\u00e3o supliciados ao sil\u00eancio.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">Miguel Nagib<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Prezado Miguel,<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Em primeiro lugar, vejo que o senhor tamb\u00e9m \u00e9 militante pol\u00edtico. Segundo o Google, o senhor coordena uma ONG que defende a \u201ceduca\u00e7\u00e3o sem doutrina\u00e7\u00e3o\u201d: http:\/\/www.escolasempartido.org\/. Paradoxalmente, quem entra no site, facilmente se d\u00e1 conta do seu car\u00e1ter \u201cdoutrin\u00e1rio\u201d&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">De certo, imagino que o senhor (caso seja professor), ou algum outro professor que siga sua ideologia, tamb\u00e9m deve tentar \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d dos seus alunos com suas teses. Provavelmente, muitos alunos acreditem no senhor e achem que tudo o que o senhor fala em sala de aula \u00e9 verdade absoluta, completamente livre de suas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Atrav\u00e9s deste artif\u00edcio, o senhor consegue manipular seus eventuais alunos (ou leitores), transformando suas opini\u00f5es pol\u00edticas conservadoras e seu \u00f3dio fundamentalista ao pensamento libert\u00e1rio em \u201cverdades absolutas\u201d, inquestion\u00e1veis e isentas de quaisquer contamina\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Assim, sua ideologia n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica. A dos outros, sim. Essa t\u00e1tica argumentativa \u00e9 antiga&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Mas basta fazer uma pequena pesquisa na internet para que possamos \u201cdescobrir\u201d que o senhor, de \u201cneutro\u201d n\u00e3o tem nada. E n\u00e3o h\u00e1 nenhum mal nisso. Por exemplo, achei uma entrevista sua para o blog de extrema direita \u201cConex\u00e3o Conservadora\u201d: http:\/\/conexaoconservadora.blogspot.com\/search\/label\/Miguel%20Nagib. Tamb\u00e9m encontrei uma reprodu\u00e7\u00e3o de seu texto sobre \u201dfazer a cabe\u00e7a dos alunos\u201d no site do panfleto semanal da extrema direita brasileira, a Revista Veja:\u00a0 http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/rodrigo-constantino\/tags\/miguel-nagib\/.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">O senhor tem todo o direito de defender suas ideologias conservadoras, desde que n\u00e3o parta da premissa de que as mesmas s\u00e3o absolutas e necess\u00e1rias.\u00a0 Desde que o senhor tenha respeito pelo(s) seu(s) interlocutor(es). O que o senhor quer \u00e9 implementar uma ditadura nas salas de aula, onde todas as opini\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0s suas (tidas como verdades absolutas) sejam proibidas e reprimidas. Acho isso completamente covarde.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">O que tento fazer em sala de aula \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. Busco respeitar os meus alunos, deixando claro em todos os momentos que eu n\u00e3o sou o dono da verdade. Que, ali\u00e1s, ningu\u00e9m o \u00e9. Que minhas opini\u00f5es s\u00e3o \u2013 como as de qualquer pessoa, inclusive as do senhor, que se julga superior \u2013 parciais, incompletas e contingentes. Por honestidade intelectual, deixo claro o que penso, mas jamais cobro que algu\u00e9m pense como eu.\u00a0 Discuto a realidade, sob diferentes perspectivas, sempre utilizando argumentos, nunca a hierarquia. O resultado \u00e9 que, desta forma, todos crescem. Inclusive aqueles que discordam de minhas ideias, que saem fortalecidos pelo debate respeitoso. Acho que o senhor, de certa forma, subestima a capacidade cr\u00edtica dos seus alunos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">O primeiro passo para uma conversa respeitosa \u00e9 a honestidade e o respeito ao outro. Se eu digo que minha opini\u00e3o \u00e9 a verdade e a do senhor (ou de quem quer que seja) \u00e9 ideologia, estou fechando as portas para um di\u00e1logo respeitoso. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de discuss\u00e3o nestes termos, pois as premissas est\u00e3o erradas. O ponto de partida \u00e9 assim\u00e9trico. Se nos assumimos, os dois, como seres igualmente parciais, e, por conseguinte, ideol\u00f3gicos, podemos ter uma discuss\u00e3o proveitosa.\u00a0 Do contr\u00e1rio, ficaremos ambos tentando IMPOR nossa vis\u00e3o unilateral um ao outro.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Se eu dissesse aos meus alunos que eu sou o representante da \u201cci\u00eancia pura do direito\u201d (?!), que minhas aulas s\u00e3o isentas de qualquer \u201ccontamina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica\u201d, que tudo o que eu digo \u00e9 o retrato da realidade, tal como ela \u00e9, estaria mentindo. Sempre existem v\u00e1rias outras formas de ver o mundo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Quanto aos argumentos \u201clegais\u201d, que o senhor tanto preza, eu apenas inverteria sua l\u00f3gica: o \u201cdireito de aprender\u201d do aluno n\u00e3o pode jamais ser assegurado atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o de uma ditadura de pensamento \u00fanico, nos moldes da defendida pelo senhor. Pelo contr\u00e1rio, este direito est\u00e1, a meu ver, intimamente relacionado com a possibilidade de dialogar com v\u00e1rias matrizes de pensamento, inclusive com as que o senhor defende. Sempre com honestidade intelectual. Sem medos, nem covardias. Com dignidade.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Impor verdades absolutas a priori, disfar\u00e7adas de neutras e ass\u00e9pticas, \u00e9 a melhor forma de violar o direito de aprender dos alunos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Um respeitoso abra\u00e7o a todos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #008000;\">Paulo<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Prezado Prof. Paulo,<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Antes de mais nada, pe\u00e7o desculpas por t\u00ea-lo feito esperar por esta resposta. Trabalho muito e a correspond\u00eancia \u00e0s vezes acaba prejudicada.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Em vez de refutar a argumenta\u00e7\u00e3o desenvolvida no meu artigo, o Sr. tenta\u00a0 me estigmatizar ideologicamente e me desqualificar, acusando-me de fazer aquilo que condeno. Trata-se, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, de um expediente desonesto, intelectualmente falando; mas, depois desse breve contato que tive com as suas ideias, n\u00e3o me surpreende.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em ser militante pol\u00edtico. Errado &#8212; covarde, anti\u00e9tico e ilegal &#8212; \u00e9 levar a milit\u00e2ncia pol\u00edtica para dentro da sala de aula. Errada \u00e9 a usurpa\u00e7\u00e3o da c\u00e1tedra universit\u00e1ria pelo militante pol\u00edtico.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Meu site n\u00e3o \u00e9 uma sala de aula. Por isso, tem todo o direito de ser doutrin\u00e1rio. Ademais, \u00e9 um site monotem\u00e1tico, de modo que s\u00f3 \u00e9 doutrin\u00e1rio, ou melhor, dogm\u00e1tico, quando sustenta o car\u00e1ter il\u00edcito e anti\u00e9tico da instrumentaliza\u00e7\u00e3o do ensino para fins pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>N\u00e3o impe\u00e7o ningu\u00e9m de publicar o que escrevo. Se o Sr. tiver um blog, pode publicar meus artigos. Se quiser, posso lhe dar uma entrevista tamb\u00e9m. O Sr. n\u00e3o imagina como me deixaria satisfeito se sugerisse aos seus alunos a leitura do texto discutido neste t\u00f3pico, e promovesse um debate em sala de aula. Suas ideias contra as minhas. Topa?<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>A leitura desonesta que o Sr. faz do que escrevo, para afirmar que alimento \u201cum \u00f3dio fundamentalista ao pensamento libert\u00e1rio\u201d e que desejo \u201cimplementar uma ditadura do pensamento \u00fanico em sala de aula\u201d, me d\u00e1 uma ideia do tratamento \u201crespeitoso\u201d que o Sr. dispensa em sala de aula aos seus antagonistas ideol\u00f3gicos &#8212; todos, \u00e9 claro, da \u201cextrema direita\u201d. Mas n\u00e3o deixa de ser engra\u00e7ado ouvir um defensor da doutrina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica em sala de aula falando em nome do \u201cpensamento libert\u00e1rio\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Sei que o Sr. n\u00e3o vai entender isso, mas vou dizer mesmo assim: o que liberta \u00e9 o conhecimento da verdade. O que liberta \u00e9 conhecer a realidade, e n\u00e3o aprision\u00e1-la na camisa de for\u00e7a de uma ideologia, seja ela de esquerda, de direita ou de que natureza for.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>N\u00e3o sou professor. N\u00e3o tenho sala de aula nem aluno. Falo em pra\u00e7a p\u00fablica. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a me escutar ou ler o que escrevo. N\u00e3o tenho poder de impor leituras a quem quer que seja. N\u00e3o avalio, n\u00e3o aprovo e n\u00e3o reprovo ningu\u00e9m. N\u00e3o exer\u00e7o nenhum tipo de autoridade sobre as pessoas que decidem, livremente, ler o que escrevo ou divulgo.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Mas vamos fazer de conta que eu tivesse alunos. Nesse caso, para poder doutrin\u00e1-los com minhas teses, como o Sr. imagina, eu teria de ser um professor de \u00c9tica do Magist\u00e9rio, certo?, uma disciplina, ali\u00e1s, que deveria ser obrigat\u00f3ria nos cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Bem, se eu fosse esse professor, a primeira coisa que eu diria aos meus alunos \u00e9 que eles, como alunos, t\u00eam direito a que o seu conhecimento da realidade n\u00e3o seja manipulado pela a\u00e7\u00e3o dolosa ou culposa dos seus professores. Ou seja: logo de cara, eu tentaria preveni-los contra a a\u00e7\u00e3o de professores como o Senhor.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Para deixar claro o meu pr\u00f3prio compromisso com a m\u00e1xima neutralidade poss\u00edvel, e dar aos meus alunos o poder de confrontar minhas palavras com meus atos, eu afixaria no lugar mais vis\u00edvel da sala o cartaz com os deveres do professor (aquele que consta do meu artigo). Adaptado para o ensino superior, ficaria assim:<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>1. O professor n\u00e3o abusar\u00e1 da autoridade que lhe \u00e9 conferida pela c\u00e1tedra universit\u00e1ria, nem da inexperi\u00eancia, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos, com o objetivo de coopt\u00e1-los para esta ou aquela corrente pol\u00edtico-partid\u00e1ria.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>2. O professor n\u00e3o favorecer\u00e1 nem prejudicar\u00e1 os alunos em raz\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, religiosas, ou da falta delas.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>3. O professor n\u00e3o far\u00e1 propaganda pol\u00edtico-partid\u00e1ria em sala de aula nem incitar\u00e1 seus alunos a participar de manifesta\u00e7\u00f5es, atos p\u00fablicos e passeatas.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>4. Ao tratar de quest\u00f5es pol\u00edticas, s\u00f3cio-culturais e econ\u00f4micas, o professor apresentar\u00e1 aos alunos, de forma justa \u2013 isto \u00e9, com a mesma profundidade e seriedade \u2013, as principais vers\u00f5es, teorias, opini\u00f5es e perspectivas concorrentes a respeito.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>5. O professor n\u00e3o criar\u00e1 em sala de aula uma atmosfera de intimida\u00e7\u00e3o, ostensiva ou sutil, capaz de desencorajar a manifesta\u00e7\u00e3o de pontos de vista discordantes dos seus, nem permitir\u00e1 que tal atmosfera seja criada pela a\u00e7\u00e3o de alunos sect\u00e1rios ou de outros professores.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>(\u00c9 isso o que o Sr. chama de \u201cditadura do pensamento \u00fanico\u201d?)<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Consequentemente, meus alunos aprenderiam que, como futuros professores, n\u00e3o ter\u00e3o o direito de \u201cfazer a cabe\u00e7a\u201d dos seus alunos. Eu lhes ensinaria que, como professores, eles t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o \u00e9tica e jur\u00eddica de tentar descobrir a verdade em cada coisa; a obriga\u00e7\u00e3o de perseguir, com o m\u00e1ximo empenho e sinceridade, o ideal da neutralidade e objetividade cient\u00edficas. Eu os advertiria sobre a vulnerabilidade das ci\u00eancias sociais \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica; e aos apaixonados pela pol\u00edtica eu aconselharia a sublimar esse sentimento ou ficar longe das salas de aula. Eu exigiria a leitura de livros como \u201cA ci\u00eancia como voca\u00e7\u00e3o\u201d, de Max Weber. E, \u00e9 claro, eu faria &#8212; seria moralmente obrigado a fazer &#8212; um esfor\u00e7o sincero para apresentar \u201cde forma justa, isto \u00e9, com a mesma profundidade e seriedade\u201d, as ideias de estudiosos como o Sr., o Prof. Ilzver e outros expoentes da \u00e9tica do magist\u00e9rio.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Em suma, eu me esfor\u00e7aria para formar professores de boa \u00edndole, de car\u00e1ter, intelectualmente honestos, desapaixonados, estudiosos, de mente aberta e esp\u00edrito cr\u00edtico, humildes, verdadeiros homens de ci\u00eancia.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Agora, veja como s\u00e3o diferentes os universos morais em que habitamos o Sr. e eu: \u00e9tica, dedica\u00e7\u00e3o, sublima\u00e7\u00e3o, sinceridade, car\u00e1ter, voca\u00e7\u00e3o, esp\u00edrito cr\u00edtico, humildade e honestidade intelectual, para o Sr., s\u00e3o apenas disfarces ideol\u00f3gicos, pois, como o Sr. diz, \u201ctudo o que fazemos em sala de aula \u00e9 pol\u00edtica, quer queiramos reconhecer, quer n\u00e3o\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Isso mostra como seu pensamento \u00e9 selvagem, professor. Nele n\u00e3o h\u00e1 lugar para o ideal da busca desinteressada do conhecimento. O Sr. olha para seus alunos e n\u00e3o v\u00ea sen\u00e3o mat\u00e9ria-prima a ser transformada segundo as necessidades da luta pol\u00edtica. O Sr. n\u00e3o deseja conhecer a realidade, nem quer que seus alunos a conhe\u00e7am.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Ao contr\u00e1rio do que o Sr. pensa, o fato de assumir esse ponto de vista b\u00e1rbaro publicamente e perante os alunos n\u00e3o o torna uma pessoa mais honesta. Torna-o uma pessoa mais brutal.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>\u00c9 brutal que o Sr. n\u00e3o veja a vulnerabilidade da ci\u00eancia \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica como um mal a ser evitado, mas como uma oportunidade a ser aproveitada. \u00c9 brutal, al\u00e9m de falso e oportunista, afirmar a impossibilidade da busca desinteressada do conhecimento. \u00c9 falso, porque a busca, enquanto tal, \u00e9 sempre poss\u00edvel. E \u00e9 oportunista, porque, ao negar essa possibilidade, o Sr. se exime do dever de buscar.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>De tanto repetir para si mesmo o mantra freiriano de que \u201ceducar \u00e9 um ato pol\u00edtico\u201d, o Sr. se tornou emocionalmente incapaz de entender que n\u00e3o se trata de \u201cse apresentar\u201d aos alunos como &#8220;neutro&#8221;, mas de perseguir com sinceridade o ideal da neutralidade.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Ningu\u00e9m est\u00e1 sugerindo que o Sr. diga aos alunos que suas aulas s\u00e3o isentas de qualquer contamina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e que tudo o que o Sr. diz \u00e9 o retrato da realidade. Todo mundo sabe que isto n\u00e3o existe. Mas o fato de n\u00e3o existir n\u00e3o significa que n\u00e3o possa ser buscado como ideal. E se pode ser buscado, o professor n\u00e3o tem desculpa \u00e9tica e jur\u00eddica para n\u00e3o buscar.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Se a busca fosse imposs\u00edvel, n\u00e3o haveria professores mais ideol\u00f3gicos e menos ideol\u00f3gicos; mais equilibrados e menos equilibrados. Ah, \u00e9 claro, para o Sr. n\u00e3o faz diferen\u00e7a: Max Weber era t\u00e3o ideol\u00f3gico quanto o Sr. e o Prof. Ilzver\u2026<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Para ser honesto com seu alunos, a primeira coisa que o Sr. deveria lhes dizer \u00e9 que o Sr. n\u00e3o vai ajud\u00e1-los a conhecer a realidade. O que o Sr. vai fazer \u00e9 inculcar nas suas mentes ideias \u00fateis \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da realidade segundo o projeto do seu partido ou a utopia da sua ideologia. Ou seja, vai adestr\u00e1-los na sua pr\u00f3pria milit\u00e2ncia pol\u00edtica e ideol\u00f3gica.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Seus alunos t\u00eam direito de saber pelo menos isso: que o Sr. n\u00e3o tem compromisso com a verdade.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>N\u00e3o basta \u201cdeixar claro\u201d o que o Sr. pensa e dar aos alunos a \u201cliberdade\u201d de discordar do Sr.. O Sr. tamb\u00e9m deveria deixar claro o que pensam as pessoas de quem o Sr. discorda. E \u00e9 preciso fazer isso \u201cde forma justa, isto \u00e9, com a mesma profundidade e seriedade\u201d. N\u00e3o como o Sr. acaba de fazer aqui, ao me desqualificar e desqualificar o meu pensamento (ainda mais porque, na sala de aula, as pessoas que o Sr. desqualifica n\u00e3o v\u00e3o poder se defender, como eu estou fazendo aqui). Do contr\u00e1rio, a \u201cliberdade\u201d que o Sr. d\u00e1 aos alunos para discordar do Sr. \u00e9 apenas uma mentira. Discordar com base em qu\u00ea? Discordar para ser rotulado pelo professor ou pelos colegas (correligion\u00e1rios e\/ou bajuladores do professor) de \u201cconservador\u201d, de \u201cextrema direita\u201d, de \u201codiador fundamentalista do pensamento libert\u00e1rio\u201d?<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Sim, como eu digo no meu artigo, o professor \u00e9 indiretamente respons\u00e1vel pelo bullying pol\u00edtico e ideol\u00f3gico praticado pelos pr\u00f3prios estudantes contra seus colegas. Isto s\u00f3 acontece por causa do ambiente de sectarismo criado pela doutrina\u00e7\u00e3o. Na medida em que o professor estigmatiza determinadas posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas &#8212; como o Sr. j\u00e1 mostrou que sabe fazer &#8211;, ele d\u00e1 a deixa para esse tipo de comportamento por parte dos estudantes mais afinados com a sua milit\u00e2ncia e mais empenhados em mostrar servi\u00e7o.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Quanto \u00e0 suposta \u201ccapacidade cr\u00edtica\u201d dos alunos &#8212; que eu, na sua opini\u00e3o, subestimaria &#8211;, pe\u00e7o licen\u00e7a para citar, novamente, um trabalho do Prof. Diniz Filho, da UFPR:<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>\u201c(&#8230;) h\u00e1 um duplo sentido contradit\u00f3rio no uso de express\u00f5es como \u201ccriticidade do educando\u201d e \u201cdesenvolver o racioc\u00ednio cr\u00edtico\u201d. Tais express\u00f5es s\u00e3o empregadas para designar o objetivo de oferecer aos alunos diferentes vis\u00f5es da realidade e estimul\u00e1-los a refletir autonomamente sobre cada uma delas; mas significam tamb\u00e9m ensinar aos alunos teorias sociais cr\u00edticas do capitalismo, as quais cindem a sociedade em \u201cdominantes\u201d e \u201cdominados\u201d e qualificam como meramente ideol\u00f3gicas todas as vertentes de pensamento que lhe s\u00e3o advers\u00e1rias.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Essa incoer\u00eancia \u00e9 expl\u00edcita em trabalhos acad\u00eamicos que versam sobre o ensino de geografia, como os de Vlach, Callai e Cavalcanti. \u00c9 comum esses trabalhos assegurarem que \u201cn\u00e3o devem ser simplesmente aceitas as explica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o postas por uma forma \u00fanica de interpreta\u00e7\u00e3o, por uma \u00fanica fonte\u201d, ao mesmo tempo em que afirmam que o objetivo primordial da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 estimular as \u201cpaix\u00f5es, imagina\u00e7\u00e3o e intelecto\u201d dos alunos \u201cde forma que eles sejam compelidos a desafiar as for\u00e7as sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas que oprimem t\u00e3o pesadamente suas vidas\u201d. Mas como ser fiel \u00e0 proposta de oferecer uma pluralidade de concep\u00e7\u00f5es se o objetivo principal da educa\u00e7\u00e3o for o de compelir os alunos a se engajarem em lutas pol\u00edticas inspiradas por uma corrente te\u00f3rica e ideol\u00f3gica espec\u00edfica? Como respeitar verdadeiramente a autonomia de pensamento do aluno partindo-se da tese de que ele est\u00e1 enredado por um sistema econ\u00f4mico, social e cultural que o impede de ver a realidade social como ela realmente \u00e9? Na pr\u00e1tica das salas de aula (e tamb\u00e9m nos livros did\u00e1ticos), tal contradi\u00e7\u00e3o se resolve com a supremacia da miss\u00e3o doutrin\u00e1ria sobre o postulado pluralista, de tal sorte que \u201censinar a pensar criticamente\u201d acaba sendo simplesmente inculcar ideias de esquerda nos alunos, e ponto final.\u201d<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>\u00c9 essa a \u201ccapacidade cr\u00edtica\u201d adquirida pelos estudantes ao longo de ensino fundamental e do ensino m\u00e9dio. Afinal, o sistema de ensino est\u00e1 cheio de professores militantes &#8212; quase todos de esquerda como o Sr. &#8212; que usam a sala de aula para depositar seus ovos ideol\u00f3gicos na cabe\u00e7a dos estudantes, de modo que, quando eles chegam \u00e0s suas m\u00e3os, na faculdade, os ovinhos j\u00e1 eclodiram e os vermes ideol\u00f3gicos j\u00e1 devoraram a maior parte daquilo que deveria ser a verdadeira capacidade cr\u00edtica desses indiv\u00edduos.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Eu tenho certeza absoluta de que o Sr., como estudante, tamb\u00e9m foi v\u00edtima desses militantes. E agora, professor, transmite aos seus alunos o legado dessa mis\u00e9ria. O ciclo da doutrina\u00e7\u00e3o \u00e9 assim: um vampiro morde uma pessoa s\u00e3, que se transforma em vampiro, que morde uma pessoa s\u00e3, que se transforma em vampiro, que morde uma pessoa s\u00e3\u2026 Ah, esqueci: na sua opini\u00e3o n\u00e3o existe sanidade, nem verdade, nem nada. S\u00f3 pol\u00edtica.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Sauda\u00e7\u00f5es, professor.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Miguel Nagib<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Advogado e Coordenador da ONG &#8211; Escola sem Partido<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\"><em>Procurador do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/MIGUEL-NAGIB.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-8219\" title=\"MIGUEL NAGIB\" src=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/MIGUEL-NAGIB.jpg\" alt=\"\" width=\"573\" height=\"379\" srcset=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/MIGUEL-NAGIB.jpg 1024w, https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/MIGUEL-NAGIB-300x198.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagens trocadas num grupo de discuss\u00e3o no dia 13 de janeiro de 2014 entre o coordenador da Escola Sem Partido, Miguel Nagib, e dois professores universit\u00e1rios (Ilzver Matos e Paulo Renato Vit\u00f3ria) sobre o artigo &#8220;Professor n\u00e3o tem direito de &#8216;fazer a cabe\u00e7a&#8217; de aluno&#8221;\u00a0 ainda parecem recentes e palpitantes 14 meses depois. Vamos lembra &hellip; <a href=\"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/professor-miguel-nagib-debateu-a-doutrinacao-ideologica-da-esquerda-em-salas-de-aula-com-professores-marxistas\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Professor Miguel Nagib debateu a doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da esquerda em salas de aula com professores marxistas<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[332,13,366],"tags":[424,428],"class_list":["post-8214","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-opiniao","category-politica","tag-escola-sem-partido-miguel-nagib","tag-marxismo-cultural"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8214"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13796,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8214\/revisions\/13796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/miltonmarchioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}