Arquivo da categoria: Neurologia

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas na Epilepsia

epilepsia - azulÉ  um excelente artigo publicado pelo Ministério da Saúde- Secretaria de Atenção à Saúde em  2010.

A revisão de drogas antiepiléticas é pragmática, e bastante atualizada.

O Ministério da Saúde por meio dessa portaria determina os principais fármacos que podem ser utilizados nas síndromes epilépticas.

O mecanismo de ação de alguns fármacos pode ser por mais de uma forma, e por isso sua eficácia maior.

A revisão feita pelo Ministério da Saúde faz uma análise das principais drogas que têm eficácia no tratamento, independentemente do custo da droga, o que poderia ser um empecilho no momento da elaboração do plano de cuidados.

Medicação de alto custo é uma das grandes dificuldades para se ter sucesso terapêutico.

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Em defesa do SUS !

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Epileptogênese e mecanismo de ação das drogas na profilaxia e tratamento da epilepsia

EEG TOUCAArtigo científico publicado no J Epilepsy Clin Neurophysiol 2008; 14(Suppl 2):39-45 que explica as drogas antiepilépticas e  mecanismo de ação  das principais drogas antiepilépticas.

A pesquisa dos mecanismos envolvidos na gênese  da epilepsia é um dos grandes desafios da moderna neurologia, pois ao se precisar como se originam as crises epilépticas, pode-se criar drogas que possam impedir a origem desses focos no Sistema Nervoso Central.

Muito se avançou na farmacologia de drogas anticonvulsivantes na última década com novas drogas, e  com novos  mecanismos de ação ao mesmo tempo.

O manejo de pacientes com epilepsia envolve não apenas a correta caracterização dos tipos de crises convulsivas, mas a escolha de fármacos com potencialidade de eficácia no tratamento da epilepsia.

Epilepsia é definida como a ocorrência de crises epilépticas recorrentes.

Estas crises podem ser convulsivas (tônicas, clônicas ou tônico-clônicas) ou não (ausências, crises atônicas e mioclonias).

Em linhas gerais, a Comissão de Classificação e Terminologia da Liga Internacional Contra Epilepsia divide as manifestações clínicas em crises parciais, iniciadas em uma parte de um dos hemisférios, e generalizadas, iniciadas simultaneamente em ambos os hemisférios.

Quando as crises parciais não acarretam perda de consciência, elas são chamadas de crises parciais simples, em oposição às crises parciais complexas nas quais há perda de consciência.

Crises parciais simples podem evoluir para parciais complexas, à medida que a descarga original se propaga pelo córtex cerebral.

Tanto as parciais simples quanto as complexas podem  secundariamente generalizar.

Diferentes síndromes epilépticas podem ser identificadas, baseando-se em tipos característicos de crise e outros dados clínicos, incluindo idade de início, fator precipitante, história familiar e anormalidades neurológicas associadas.

Os anticonvulsivantes tradicionais (fenitoína, carbamazepina, ácido valpróico e barbitúricos) são usados clinicamente desde antes de ensaios clínicos serem exigidos para a aprovação de medicamentos.

Hoje não há justificativa ética para a realização de ensaios clínicos controlados por placebo, especialmente face às possíveis consequências das crises e ao controle de aproximadamente 85% dos pacientes epilépticos com os medicamentos existentes.

A escolha entre diferentes anticonvulsivantes é baseada em três fatores: características clínicas (tipo de crise ou síndrome epiléptica), risco de efeitos adversos e custo.

Ensaios clínicos comparando diferentes tratamentos ativos estão disponíveis para auxiliar nesta decisão.

Nas epilepsias parciais, o maior estudo realizado até hoje comparou o uso de carbamazepina, fenitoína, primidona e fenobarbital em pacientes com crises, com ou sem generalização secundária. Não foi observada diferença na porcentagem de pacientes com total controle de crises com generalização após 1 ano (43-48%), sob quaisquer tratamentos.

Carbamazepina apresentou eficácia significativamente melhor (43%) que fenobarbital (16%) ou primidona (16%) no controle total das crises parciais.

Fenitoína foi capaz de controlar as crises parciais em 26% dos pacientes, resultado que não foi significativamente diferente da carbamazepina.

Outro estudo comparou ácido valpróico e carbamazepina. Não houve diferença significativa no controle completo de crises secundariamente generalizadas, mas novamente a carbamazepina se mostrou mais eficaz no controle das crises parciais.

Oxcarbazepina é antiepiléptico novo que se mostrou tão eficaz quanto a carbamazepina e associa-se a menor incidência de efeitos adversos, tendo porém maior custo e menor experiência de uso.

Nas epilepsias generalizadas, a monoterapia com ácido valpróico foi capaz de controlar crises tonico-clônicas generalizadas primárias em 85% dos pacientes (89% daqueles sem outro tipo de crises). Não há ensaios clínicos comparando ácido valpróico com os demais medicamentos antiepilépticos nesta condição.

Ácido valpróico e etossuximida apresentaram igual eficácia no controle de crises de ausência. No entanto, etossuximida não é eficaz para crises tonico-clônicas generalizadas que muitas vezes se associam às ausências.

Conclusão: Para crises parciais, carbamazepina foi selecionada como medicamento de referência, por ser eficaz, ter menor custo e maior experiência de uso; ácido valpróico  foi considerado medicamento de referência para o tratamento das epilepsias generalizadas, levando em conta sua eficácia em monoterapia e seu amplo espectro.

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Mecanismos de ação de drogas antiepilépticas

MEDICAMENTO 4Artigo de revisão que aponta s principais mecanismos de ação de drogas antiepilépticas, tais  como fenobarbital, fenitoína, carbamazepina, topiramato,  lamotrigina, e outras.

Sem o correto entendimento da farmacologia das drogas antiepilépticas, é  quase impossível visualizar sucesso terapêutico, visto que a escolha, e potenciais associações,  não pode ser aleatória, mas com fundamentos em farmacologia observando a farmacodinâmica e a  farmacocinética.

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Manejo Farmacológico da Epilepsia

drogasEsse artigo publicado em 2008 faz uma revisão do conceito de epilepsia e de drogas antiepilépticas usadas no tratamento das crises convulsivas, sejam focais ou generalizadas.  Ainda, se discute nesse artigo os efeitos adversos provocados pelas drogas antiepilépticas.

Sem conhecimento de farmacologia das drogas anticonvulsivantes há sério risco de ser escolher fármacos com mecanismos de ação semelhantes, e menos efetividade nos resultados esperados em tratamento proposto.

O Ambulatório de Neurologia atende encaminhamentos de usuários do Departamento Regional de Saúde IX do Estado de São Paulo.

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Enxaqueca. Seminário. Curso de Medicina da Famema

enxaqueca loiraSeminário de Enxaqueca apresentado  pela acadêmica Lívia Tamai  no Ambulatório de Cefaleia -Ambulatório Mario Covas – disciplinas Neurologia e Educação em Ciências da Saúde no ano de 2010.

Interessante discussão sobre a Enxaqueca ou Migrânea com ênfase em epidemiologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento.

Importante dizer que as mulheres apresentam essa doença em prevalência maior que os homens, independente da faixa etária, e seu componente genético é importante, pois outros membros da família podem apresentar essa condição clínica.

Não há cura da migrânea ou enxaqueca, mas com as novas drogas surgidas nos últimos anos, e melhor compreensão de sua fisiopatogenia, a remissão dos sintomas tem se tornado frequente na última década.

Os anticonvulsivantes têm mostrado resultados interessantes no arsenal terapêutico para o tratamento com eficácia.

Definição
A enxaqueca é uma desordem hereditária de descontrole dos mecanismos antinociceptivos presentes no nervo trigêmio.

Prevalência
A prevalência da enxaqueca nos adultos está estimada entre 2,0 a 10 % em alguns estudos populacionais, com predomínio no sexo feminino.

Na população infantil abaixo de 15 anos, a prevalência é em torno de 4% sem diferença entre os sexos nas idades menores.

Classificação
A classificação da enxaqueca tem sido objeto de discussão, mas podemos admitir:

I) Enxaqueca clássica

2) Enxaqueca comum

Quadro Clínico

A enxaqueca é uma síndrome com sinais e sintomas variados e que quase invariavelmente apresenta a cefaleia recorrente com caráter latejante, sintomas autonômicos acompanhantes como náusea ou vômitos e palidez,  fonofotofobia e fotofobia, e história familiar positiva.

A enxaqueca clássica é aquela em que ocorre desordem neurológica como aura ou que continua ou persiste após a cefaleia. Quando há fenômenos visuais como escotomas , hemianopsia, visões espectrais, precedendo a cefaleia em minutos ou até uma hora, é a enxaqueca clássica propriamente dita.

A enxaqueca comum é a cefaleia recorrente durando horas até 72 horas, sem aura, associada a distúrbios gastroenterológicos, caráter latejante de dor, eventualmente unilateral e acompanhada de fotofonofobia e história familiar.

A enxaqueca basilar é aquela onde os sintomas principais são decorrentes de disfunção do tronco cerebral no território vertebrobasilar. Os sintomas são vertigem, ataxia, zumbido, disartria, parestesia nos membros e perioral bilateralmente, visão em túnel, alteração de consciência inclusive síncope.

A enxaqueca hemiplégica é rara, e em geral tem história da ocorrência em outros membros da família em episódios enxaquecosos semelhantes , acompanhados de hemiparesia ou hemiplegia que podem alternar de lado em crises subsequentes; quase sempre regridem ou podem deixar sequelas como epilepsia.

A enxaqueca oftalmoplégica é aquela onde ocorre uma paralisia ocular, em geral no III nervo craniano.

Equivalente de enxaqueca ou enxaqueca abortiva ou dissociada é a ocorrência de episódio considerado substituto da crise de enxaqueca, desacompanhada de cefaleia. Fazem parte a ocorrência em enxaquecosos de dor abdominal recorrente, vertigem paroxística, pseudoangina, vômitos cíclicos, dores do crescimento, estado confusional e amnésia global transitória.

Etiopatogenia e fisiopatologia
A enxaqueca é uma afecção hereditária. A fisiopatologia ainda já está totalmente esclarecida e se admite que ocorram fenômenos biológicos tais como: vasodilatação intra e extracraniana, liberação de serotonina plaquetária, aumento de ácidos graxos livres no plasma, ativação plaquetária, diminuição da concentração plasmática de noradrenalina e da atividade da monoaminooxidase plaquetária, aumento da concentração liquórica de gama-aminobutirato. Outros fenômenos como depressão alastrante de Leão, alterações imunológicas, e endorfinas, também devem estar implicados .

Tratamento
O tratamento da enxaqueca visa abortar as crises ou prevenir sua ocorrência.

O tratamento preventivo é preconizado quando a frequência de crises é de duas ou mais por mês ou não há resposta adequada ao tratamento crítico e as crises são incapacitantes e prolongadas .

O Ambulatório de Cefaleia atende encaminhamentos do Departamento Regional de Saúde IX do Estado de São Paulo.

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Neuropatias Periféricas. Seminário. Curso de Medicina da Famema

neuropatia periferica 2Seminário apresentado no Ambulatório de Cefaleia-  Ambulatório Mario Covas – disciplinas Neurologia e Educação em Ciências da Saúde – sobre Neuropatias Periféricas  residente em Neurologia Werner Garcia de Souza.

As neuropatias são doenças frequentes em Ambulatórios de Neurologia, pois se apresentam com manifestações sensitivas, motoras ou ambas, e o prognóstico dependerá da causa das mesmas.

Há necessidade no serviço de neurologia de um ambulatório especializado nessa síndrome, pois o diagnóstico precoce e tratamento adequados podem mudar a história  natural das mesmas.

A demora no diagnóstico retarda o tratamento adequado.

Infelizmente, no nosso país existe uma carência de profissionais e ambulatórios  especializados para atendimento dessas patologias.

O Ambulatório de  Cefaleia é  referência para atendimento de casos encaminhados pelo Departamento Regional de Saúde  IX do Estado de São Paulo.

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