Arquivo da categoria: Educação

Tese de doutoramento avaliou cursos de medicina e aponta aprendizagem superficial!

farsaNo Estado Neoliberal na vertente e enfoque da organização  político-organizacional, a educação deve ser de qualidade para quem deseja pagar para tê-la, isto é, o Estado somente tem o dever de oferecer o ensino fundamental.

Começou no mundo nos anos de 1970, e no Brasil chegou com o  ex-presidente Fernando Henrique Cardoso  em 1994.

Neste modelo de governo neoliberal, o ensino médio de qualidade deverá  ser pago pelo cidadão  brasileiro pagar para educar seus filhos, se quiserem qualidade.

No ensino universitário a mesma tendência política já começa a se perfilar em algumas faculdades e universidades.

A excelência no padrão de ensino da  USP, UNESP, UNICAMP, e outras universidades federais custa caro aos cofres dos Estados Federados e da União.

Muitos docentes – mestres, doutores, livre-docente, titulares.

Muito dinheiro para a remuneração desses professores, principalmente quando eram contratados no regime estatutário.

No Estado de São Paulo os últimos concursos públicos nesse regime jurídico foi em 2003, e posteriormente no regime CLT.

Então, a solução encontrada na nova proposta de ensino para minimizar custos tem duas vertentes:

Ensino à Distância  (EAD) e o PBL (Problem Based Learning).

Menos professores presenciais.

No EAD, um professor transmite a aula por internet banda larga (teleconferência), e os alunos assistem.

Custo reduzido.

Outra forma de baratear custo, é adotar o “PBL made in Brazil”  em faculdades no ensino superior.

Sob a égide que a pedagogia de transmissão de conteúdos (ensino modelo tradicional) não é a melhor para o processo ensino-aprendizagem, os pedagogos afirmam que a aprendizagem baseada em problemas (ABP ou do inglês PBL) – casos clínicos propostos para alunos  universitários – ainda que, sem aulas ou seminários,  e sem laboratórios nas disciplinas básicas, é muito superior ao modelo tradicional.

O “facilitador de ensino”, argumentam os ufanistas defensores do “PBL made in Brasil”, não precisa saber os conteúdos temáticos dos casos clínicos.

Basta apenas  conduzir a  sessão tutorial ( se o tutor precisar há o guia tutorial para se socorrer de perguntas  realizadas pelos alunos).

Nada mais!

Se o aluno tiver dúvida, é só apontar para  o caminho da biblioteca, e  quando existem com acervo adequado (número suficiente de livros e atualizados).

Sai de cena o facilitador de ensino ou tutor, e deixa a busca por conteúdos temáticos para os alunos.

Nenhum compromisso do docente de ensinar.

E o docente nem precisa ser qualificado, pois existe nesse  modelo do “PBL  made in Brasil” a figura do “professor colaborador”, sem pós-graduação, e sem Residência Médica.

Nem Residência Médica precisa ter…

Afinal, na lógica do “PBL made in Brazil”, é o “professor colaborador” que ouve as questões de aprendizagem propostas pelos os alunos, ou seja, são os alunos quer sugerem as perguntas e os temas a serem discutidos na próxima sessão tutorial e ou encontro em USF e ou UBS.

Se houver forte pressão dos alunos, há sempre a  aleivosia  pedagógica por parte do docente e ou  “professor colaborador” sugerir a busca por  questionamentos apontando o caminho da biblioteca da faculdade.

Ou nas apostilas do Med Curso…

Nada de ensinar.

Nem laboratório para atividades práticas existem na grade curricular do curso de medicina (anatomia,  histologia, fisiologia, parasitologia, patologia etc.) .

Aulas nem pensar.

Basta o aluno estar inserido no SUS – rede de atenção básica – que está ótimo.

Afinal, seguem a orientação  das Diretrizes Curriculares do Curso de Medicina.

Conhecer o SUS !

A lógica é centrada no aluno.

Se o aluno não for aprovado na graduação: culpa do aluno !

Se entrar em Residências Médicas de renome nacional: mérito do “PBL made in Brazil” implantado dessas faculdades  (lembrando que o SJT  e o Med Curso preparam os alunos durante  dois a três anos,  pagos pelos pais dos alunos para se apropriarem de conteúdos temáticos necessários ao concurso de Residência Médica).

Basta seguir os passos tutoriais, e tudo acaba bem nesse modelo de ensino.

Cada facilitador segue os “passos tutoriais”.

Nesse diapasão, o MEC vai paulatinamente  modificando cursos de medicina com a desídia de diretores  de graduação em nada preocupados  com a qualidade do ensino.

Antes , rendem-se ao novo paradigma pedagógico.

No anos 2000 surgiu o Promed – Projeto de Incentivo a Mudanças Curriculares para os Cursos de Medicina- que injetou  alguns milhões de reais depositados nas contas das faculdades simpatizantes ao método “PBL  made in Brazil”  (cotas de RS 1,2 milhões de reais/ano no período de três anos no período de implantação do PBL, e depois o depósito anual  para as faculdades que permanecem fiéis ao método PBL) para estimularem as mudanças na matriz curricular das mesmas, inserindo precocemente os alunos na rede de atenção básica.

Outrossim, alunos não precisão ter conhecimentos dos últimos 20 séculos.

Antes o mantra : aprender a aprender”.

Esse sofisma basta !

Surreal…

Interessante que quando queremos  e pretendemos algo na vida, contratamos o melhor profissional em conhecimento.

Percebe-se que existirão faculdades de medicina que formem médicos para trabalharem na rede de atenção básica, e outras que formem especialistas.

Haverá dois tipos de médicos.

O discurso do biopsicossocial na formação do aluno, que se instrui sem auxílio do professor(discurso introduzido pelo comunista Paulo Freire em sua obra Pedagogia do Oprimido, o qual  tinha como ídolos Fidel Castro, Stalin, Mao Tsé – Tung, etc).

Um sofisma, que muitas vezes, engana até professores experientes.

Na tese de doutoramento de  Guilherme Souza Cavalcanti Albuquerque, o qual compara o PBL na Faculdade de Medicina da Universidade de Londrina com o modelo tradicional da  Faculdade de Medicina de  Curitiba UFPR, há na conclusão da tese de que o modelo PBL  é inovador, mas a aprendizagem dos alunos é superficial (grifei).

Assim, na conclusão de  sua tese de doutoramento, não qualificou o PBL como ferramenta de ensino/pedagogia a ser implementada em cursos de medicina.

A tese diz tudo que um neófito motivado pelo PBL sabe:

Aprendizagem superficial !

Um estelionato pedagógico !

estelionato “Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum “.

Noberto  Bobbio

Docente, amigo, conselheiro. Saudades dos seus eternos alunos da Famema

saudades sem fmMorreu na tarde de ontem – 30/06/2012 – aos 71 anos, vítima de complicação  operatória, o docente de dermatologia da Famema  Spencer  de Domênico Sornas.

Spencer nasceu em Marília e foi professor da Famema por 40 anos, sendo titular da disciplina de Dermatologista da Famema.

Ótimo professor, elegante no trato com os pares.

Bem humorado.

Fui seu aluno, e aprendi semiologia com o professor no ano de 1985.

Semiologia no hospital à beira do leito.

Pacientes reais.

Sem atores e manequins.

Semiologia real, não imaginária, não em atores, não em fotos de livros.

Justo na cobrança de metas na disciplina de semiologia.

Também fui seu paciente.

Aluno, amigo de profissão e paciente.

Conheci o professor Spencer em todos os cenários que a vida pode proporcionar na medicina.

Em todos os cenários o professor sempre coerente,  sincero, não afeito aos modismos que a  vida poderia lhe infligir.

Esquecido pela  instituição nos últimos anos, pois  não o via nas atividades  da primeira à quarta-série.

Duas hipóteses: somente quis  permanecer na disciplina de dermatologia, ou nunca foi convidado para as novas mudanças ocorridas na instituição, as quais (PBL-Problem Based Learning), me confidenciou por inúmeras vezes, que não as aceitava.

Mas, nunca foi ouvido para isso.

Enfim, muitos  docentes não foram ouvidos.

Também nunca fui ouvido.

É  uma política de Estado.

Na pior das hipóteses,  cria-se um cenário artificial institucional dando a impressão que o docente será ouvido.

Mas, a não mudança já está decidida antes de começar a reunião.

Foi em uma desses cenários – uma oficina de internato, a qual o professor Spencer, me disse:

“Marchioli, eu não suporto esse novo modelo de ensino. Me sinto deslocado com esse modelo. Os alunos não aprendem nas cadeiras básicas, e depois querem aprender medicina como?”.

Lembro-me bem dessa frase.

Dita no  ano de 2008.

Em 2012, concordo em  gênero, número e grau com o professor.

Vejo isso nos ambulatórios de neurologia.

Os alunos não tem culpa.

Também não serão ouvidos.

Que visão do professor Spencer em 2008 !

Previu o que hoje vivenciamos.

O novo ensino  neoliberal: pedagogia tecnicista, pedagogia por competência, e a corrente escolanovista.

Não precisa de conteúdos.

Só aprender a aprender.

O professor sempre estará em minha memória.

Suas correções da minha anamnese, exame físico, e a terapêutica pertinente ao caso  clínico (terapia aplicado ao caso concreto).

Mais que um professor, um amigo que perdemos.

Como não há mais mais Departamento de Clínica Médica na Famema…

Minhas homenagens da disciplina de Educação em Ciências da Saúde.

Obrigado professor Spencer pelos ensinamentos !

“O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém.
Por quê ? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez  sem vinho e vida sem morte”.

São Francisco de Assis

 

Registro em tempo. Perdeu-se parte da história da disciplina da anatomia da Famema

lutoMeus pêsames à familia Ansuino pela morte do ex-funcionário da da Famema Lídio Ansuino.

Faleceu dia  19/06/2012.

Homem de história a ser seguida na Famema  por outros funcionários, e por mim também, onde sou docente.

Lotado  no Departamento de Anatomia, apenas  Lídio como assim o chamávamos era o funcionário que preparava o antigo, e ainda atual, laboratório de anatomia.

Bons tempos.

Ano de 1983.

Entrei na faculdade, após vestibular concorrido.

Calouro de medicina na Famema encontro Lídio no laboratório de anatomia.

Sempre ansioso em deixar o laboratório impecável para as atividades práticas de anatomia.

Motivo:  dissecar cadáveres para os alunos aprenderem anatomia.

Hoje não sem tem mais essas atividades na faculdade.

Motivo: “PBL made in Brazil”

Mas, enfim, eram atividades de 8 horas por dia.

Minha mesa era a de número 3.

Seis  alunos por mesa no laboratório.

Laboratório modesto é verdade.

Os professores sempre prontos a ensinar: Ramón Sabaté Manubens,  Jackson Bittencourt, Gérson Chadi, Eládio Pessoa, e outros.

Lídio sempre nos ensinando a manutenção das peças cirúrgicas, do cadáver após a dissecação.

Que aprendizado fantástico.

Nem me imaginava no primeiro ano de medicina tantas atividades durante um ano.

No ano de 1986 fui monitor de anatomia, e repassava as atividades teórico-práticas.

Lídio sempre  próximo, quando estava em alguma dificuldade.

Estou para dizer que  Lídio sabia mais anatomia que muitos médicos  formados nessa “pedagogia de  vanguarda modelo PBL”, e centrada em alunos, que se debruçam em fotos de livros, mas não em peças cirúrgicas, e nunca dissecaram um cadáver.

Recentemente, o doutor Ramón Sabaté Manubens me mandou um e-mail  informando que estava muito triste pela perda de  atividades  práticas de anatomia.

O Museu  de Anatomia da Famema está praticamente abandonado nos porões do Hospital das Clínicas de Marília.

Até formol está em falta em alguns acrílicos com peças  de anatomia.

Mas, enfim, meus pêsames à família Ansuíno

Deixa Veralice Ferres Ansuíno (viúva), e filhos: Vera Cláudia Feres Ansuíno e William Ailton Ferres Ansuíno.

A Famema perdeu parte da sua história no antigo Departamento de Anatomia, hoje extinto infelizmente  pelos novos caminhos implantados pela pedagogia tecnicista, escolanovista e de competência na instituição.

Funcionário a ser lembrado por muitos anos.

Exemplo a ser seguido pelos mais jovens.

Meu texto, é apenas, uma simples  narrativa de enaltecer Lídio, que ensinou tantos alunos a serem médicos.

Aprendi com ele.

A disciplina de anatomia da Famema não teria existido sem Lídio.

Registro em tempo!

“Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida”.

Paulo Coelho

Dívida milionária da Fumes deverá ser enviada ao Ministério Público Estadual

cpi saude A Comissão Parlamentar de Inquérito, que investiga a utilização de recursos públicos pela Fundação Municipal de Ensino Superior (Fumes) de Marília (SP), levou o caso ao Ministério Público na última quarta-feira, dia 25 do presente mês.

A previsão é que dentro de 15 dias a CPI seja concluída, caso não seja prorrogada.

A dívida ultrapassa os R$ 500 milhões,  analisando CNPJ   Fumes e CNPJ Famema, com passivos trabalhistas e previdenciários.

A intenção é que o Ministério Público do Estado de São Paulo investigue como os recursos destinados à Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília (Famar), a qual recebe dinheiro em substituição a Fumes, já que a  última está impedida de receber recursos do Estado por determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O presidente da CPI, Eduardo Gimenes, afirmou  que o Tribunal de Contas já apontou irregularidades em relação às horas extras, contratos sem licitações, ou tomada de preço.

A CPI da Famema-Fumes-Famar é um verdadeiro triunvirato jurídico, digno de deixar o triunvirato romano Júlio César-Pompeu-Crasso horrorizados com tal situação que se descortina para um passivo tributário elevado..

Enfim,  a Saúde Pública de Marília sofre com as terceirizações realizadas pela Diretoria Geral da Famema com empresas prestadoras de  serviços de Imaginologia, de Oftalmologia,  sem as formalidades legais previstas em licitações de acordo com a Lei 8666/93.

As funções do Estado são sempre  em sua grande maioria  “atividade-fim”, e nunca  “atividade-meio”, e sendo assim terceirizar serviços de saúde em faculdade de medicina pública é antiético, e padece de ilegalidade.

O Estado oferece saúde pública em seu artigo 6º da Constituição Federal (1988) como direito social, em instituições públicas, e o  Estado pode terceirizar, pagando os prestadores de serviços em saúde por um preço justo em situações excepcionais (grifei).

A Saúde Suplementar é importante para o Estado, mas não como substituição à saúde pública em hospitais universitários.

Deve existir sempre, pois o Estado não consegue fazer tudo, mas em iniciativa privada pode se alcançar mais atividades..

O promotor Isauro Pigozzi recebeu parte das oitivas da CPI.

A herança financeira (INSS parte patronal e FGTS não depositados pela Fumes) desses passivos trabalhistas e previdenciários ocorreu por má gestão dos ex-Diretores da Famema, e seus asseclas administrativos.

Famema-Fumes -Famar.

Tal qual o triunvirato romano Júlio César-Pompeu-Crasso, o qual  não terminou harmonicamente na República Romana (509 a.C. – 27 a.C.).

E a CPI do triunvirato jurídico terminará em breve com seu relatório final.

Lutemos pela moralidade, eticidade e transparência na administração  pública !

TRIUNVIRATO“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Martin Luther King

PBL (Problem Based Learning) – Um sistema de ensino em xeque !

uel

Há aproximadamente três anos, no dia 09 de junho de 2009, foi publicada interessante  matéria no blog da jornalista Soraya Garcia, o qual está também no site – Escolas Médicas do Brasil- sobre o PBL na Faculdade de Medicina de Londrina.

Vamos ao texto:

“Há exato um mês, fomos procurados por um grupo entre alunos e professores que fazem parte da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), entre eles alunos e professores reclamando sobre a metodologia aplicada no curso e a falta crônica de materiais e medicamentos no hospital escola, o H.U.

Nossa reportagem resolveu investigar a fundo o que acontece dentro de uma das maiores instituições de ensino da medicina no Brasil, tentando desvendar se no meio de tanta fumaça, realmente há fogo?

O maior questionamento que nos foi apresentado e o que aparentemente motivou a procura de um veículo da imprensa considerado por eles confiável é o sistema adotado pela escola de medicina da UEL, chamado de PBL, do inglês Problem Based Learning, traduzindo, aprendizagem baseada em problemas. Para melhor entender do que estamos falando, vamos tentar explicar como é esse novíssimo sistema de ensino funciona e compará-lo ao antigo sistema, para isso pesquisamos várias fontes como o Conselho Nacional de Medicina, Revista Medica Brasileiras, outras escolas médicas, a Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) que utiliza 100% do método de ensino e a própria UEL. Segundo os Livres Docentes da Faculdade de Medicina da USP, Dr. Olavo Pires de Camargo (chefe da Disciplina de Ortopedia Geral e Chefe do Grupo de Oncologia Ortopédica do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas) e Dr. Luiz Eugênio Garcez Leme (Cardio-Pneumologia e consultor do Ministério da Saúde desde 1995) que nos resumiu o método PBL e o chamado Tradicional da seguinte forma:

“O PBL é um recurso didático que ganha cada vez mais aliados. Iniciou-se na Universidade McMaster no Canadá, em 1969 e desde de então vem ganhando aliados em muitas e importantes escolas médicas, como Johns Hopkins (Baltimore, Maryland, EUA), Maastrich (Holanda), entre outras. Assim como os ensinos fisiopatológicos, chamados de ‘tradicional’ relaciona-se o PBL quase que automaticamente com a revolução flexeriana, pode-se ver uma relação congênita da revolução do PBL com o advento da medicina baseada em evidências. Supõe-se que, nos Estados Unidos, 10% das escolas médicas utilizem esse sistema. Algumas das vantagens desse método, como refere à própria Universidade McMaster, são: acesso precoce ao meio médico e aos pacientes, formando médicos mais humanizados, motivados para o autoaprendizado, já que uma vez os estudantes podem ver o resultado prático de suas próprias investigações, e aquisição de diversas habilidades que permitirão a eles manter-se atualizados em sua vida profissional. Já as limitações que a mesma fonte refere são: perda da estrutura tradicional de progressão, perda de profundidade no conhecimento adquirido, bem como a possibilidade de uma menor e mais desestimulante formação em cadeiras básicas, o que parece ser um ponto controverso, sendo ainda desconhecida à repercussão desse método na dinâmica pedagógica e no estímulo dos professores.  
Por outro lado, esse tipo de estrutura depende de alguns pré-requisitos indispensáveis, seja do corpo docente, necessariamente treinado, seja dos alunos, necessariamente motivados. A McMaster University, um dos berços do PBL, exige como pré-requisito absoluto duas entrevistas diferentes: “simulated tutorial” e “personal interview”. Na primeira, é avaliada a capacidade do grupo de discutir um problema ou situação de saúde, e, na segunda, dentre vários itens, avalia-se a capacidade de adaptação do indivíduo ao programa da McMaster. Como no modelo clássico, os problemas do PBL têm sofrido correções para aprimorar o método, como a participação dos alunos em grupos de pesquisa e a reestruturação com adaptações intermediárias aos dois métodos, com currículos híbridos.
Qual dos dois é o melhor método para se formar bons médicos? Fora à argumentação proselitista ou apaixonada esta é uma resposta difícil. Estudos secundários de revisão de estudos controlados sugerem que a metodologia baseada em problemas apresenta uma discreta vantagem no tocante à satisfação dos participantes em cursos de graduação, não se tendo dados confiáveis de cursos de educação continuada e de pós-graduação. Outras publicações sustentam que não existem evidências de que essas mudanças produzam médicos melhores.
Muito provavelmente o melhor desenho curricular deverá ser o que corresponda à vocação intrínseca de cada universidade. Exemplo marcante é o da Universidade de Harvard, que, em seu curso de medicina, apresenta a possibilidade de diversos desenhos curriculares. No chamado The New Pathway M.D. Program, a Universidade apresenta um programa essencialmente baseado em problemas e no The HST M.D. Program, a estrutura é essencialmente clássica, enriquecida com matérias relacionadas à biologia molecular, biotecnologia, ciências físicas e engenharia, visando a uma carreira mais estritamente voltada à pesquisa, sem, no entanto, abandonar as áreas clínicas.
Talvez venha a ser essa a solução para algumas de nossas universidades; até lá, há que se fugir das opiniões reducionistas, ideológicas ou apaixonadas daqueles que creem que sempre devem ter opinião formada sobre tudo e todos. Não há como negar que seremos todos novatos e não há nada mais perigoso do que um novato entusiasmado”.

Na UEL é o que aparentemente vem ocorrendo, o colegiado de medicina está entusiasmado demais com a metodologia PBL, e alguns alunos estão sentindo dificuldades na metodologia e a falta de muito professores quando vão para o internato e para a residência médica.

Em conversa com um dos lideres estudantis, Igor Schincariol Perozin, 28 anos e que cursa o sexto ano de medicina. Ele nos revelou que sente muita falta do ensino da necropsia, “Agora que estou no internato tenho alguns problemas pontuais, certas dificuldades, mas o que mais sinto falta é de uma maior participação dos docentes”, e disse a nossa reportagem, “No princípio pensei que não ia fazer diferença, mas faz muita falta sim, colocar a mão em um cadáver, dessecar, sentir uma veia, mas o que mais me faz falta hoje no internato é do professor, parece que alguns deles não estão com muita vontade de dar a clínica médica para os alunos, não saberia dizer se isso é devido ao PBL, só sei que há alguns mestres que aparecem muito pouco ou chegam sempre atrasados”.

Outro ponto que nos revelou que para ele vem sendo faltoso, é do Tutorado, onde um grupo de 8 alunos faz um módulo que dura 4 semanas e nele se discute um problema. “No começo é bem legal, estamos no primeiro e segundo ano de medicina. Mas a partir do terceiro e quarto ano, há uma perca constante do estimulo, porque esse método cansa, vai ficando muito repetitivo. Tipo assim: – te dão o problema, você vai pra casa estuda, estuda e estuda, pesquisa muito, ai chega no dia da apresentação tutorial e despeja tudo numa sala com outros 7 alunos e um professor que somente te escuta e nunca intervém. Se o professor é da matéria, tipo um gastro (gastroenterologista), ótimo, ele sabe até dar um direcionamento ao conteúdo. Mas não é o que acontece na maioria das vezes, onde o professor vai falar sobre vasculite e é oftalmologista. É muito chato, consequentemente, eu como aluno perco totalmente à vontade de saber mais sobre a matéria. Além de que fica tudo muito generalizado, nunca se aprofunda de fato em nenhum assunto. Não se disseca nada totalmente”.

Um dos mais antigos e renomados professores da UEL, que começou ensinar em 1972, Dr. Pedro Garcia Lopes é professor Titular da Clínica Neurológica da UEL, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, da Academia Brasileira de Neurologia e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor e Especialista em Neurologia e Neurocirurgia, além de possuir centenas de artigos sobre métodos de ensino e pesquisa em todas as maiores e mais importantes revistas médicas do Brasil e do mundo.  Foi por diversas vezes Diretor de Colegiado de Medicina da UEL, Coordenador de Curso e Diretor do Hospital das Clinicas e Hospital Universitário.

Para o Dr. Pedro Garcia Lopes o método de PBL é muito bom, porém não seria o melhor método para nossa realidade, “nos países onde este método está indo razoavelmente bem, o ensino médio também é distinto. Em países como Canadá, Holanda de onde foi copiado o PBL da UEL, e mesmo nos Estados Unidos, lá se faz o College, ou pra comparar com o nosso país, técnico ou o antigo Científico. Ao meu ver nem os alunos e nem os professores estão preparados para o ensino baseado somente em evidências”.

“Acredito que o melhor método para nossa realidade educacional seria: 1º e 2º anos o aluno recebesse a base do material tradicional, então retornaria os estudos de Anatomia (descritiva e topográfica), Citologia, Embriologia, Fisiologia, Farmacologia e Biomedicina. A partir do 3º ano de medicina, até o último ano, puro PBL”, opinou Dr. Pedro Garcia Lopes e completou, “É necessário que aluno e professores se conheçam para aprender se respeitarem. Querem um curso mais humano, mas distanciam os alunos do contato primário no qual ele vai adquirir critérios de respeito ao próximo e apego ao indivíduo”.

Outro conceituado docente da UEL que está descontente com o resultado do método e com o que vem constatando na qualidade dos alunos que estão chegando para ele é o Dr. Antonio Carlos Valezi, formado pela UEL em 1985 e professor da faculdade desde 1992. É preceptor do internato médico, membro da comissão da avaliação docente, Pesquisa e desenvolvimento , Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Clínica Cirúrgica, Conselhos, Comissões e Consultoria, Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Clínica Cirúrgica, e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, vicedelegado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. Foi Dr. Valezi que fez a primeira no H.U há 10 anos atrás de redução de estômago. Desde então, 680 cirurgias bariátricas foram realizadas no hospital, todas sobre a supervisão do responsável pela disciplina Cirurgia do Aparelho Digestivo e do Departamento de Clínica Cirúrgica/CCS/UEL , além de possuir, 303 artigos publicados no Brasil e em todo o mundo, sobre suas pesquisas, metodologia de ensino clínico e cirúrgico, também sobre suas palestras como docente em cirurgia do aparelho digestivo.

“Eu tenho a mesma opinião que meu colega e ex-professor, Dr. Pedro Garcia Lopes. Acho que no Brasil alunos e docentes não estão preparados para o PBL puro, tem que ser um método misto. Existe, por exemplo, um abismo educacional entre o Brasil e a Holanda de onde o PBL da UEL foi copiado. O resultado prático na metodologia PBL se vê na clínica médica, estamos tendo que ensinar para alguns alunos coisas consideradas básicas, isso é perder tempo. Falta melhorar os conceitos nos alunos em matérias como citologia, anatomia, necropsia e metabolismo”, Lamentou Valezi e completou, “Outro ponto importante e que tem trazido resultados contestáveis é o fato de usar bonecos como substituto dos cadáveres. Não é possível aprender de fato em bonecos, cada ser humano é único e estes bonecos estão longe de representar uma pessoa. O aluno ao meu ver precisa dissecar um órgão pra realmente conhecê-lo”, sintetizou o Dr. Antônio Carlos Valezi.

Mais um docente engrossa a lista dos que acham a metodologia boa, mas que dever ser adequada para o nosso país. O Dr. Wander Eduardo Sardinha, formado pela UEL em 1981, Cirurgião Vascular e Angiologista, é membro do Centro de Ciências da Saúde e do departamento de Clínica Cirúrgica da UEL, Mestre em Cirurgia Cardiovascular e Doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, além de Chefe da disciplina de Cirurgia Vascular e Angiologia do H.U. “Não é possível que um médico oftalmologista dê uma tutoria em endometriose, o que ele sabe sobre assunto? Realmente o professor que se preparou e prestou um concurso para ser docente em uma determinada área se sente desestimulado em ser tutor em uma área em que ele não é especialista e esta também é a maior crítica ao método feita pelos alunos. Como cobrar do aluno a verdade? O docente não pode interferir, apenas ouvir e conduzir, sem opinar ou questionar para que não interfira na livre escolha do aluno. Como exigir mais do aluno se o tutor não tem domínio do tema?  Hoje os alunos formam ligas acadêmicas com o intuito de melhorar o conhecimento em algumas áreas e convidam os docentes do curso para darem aulas fora do horário. Isto seria uma maneira de compensar as deficiências do curso”, constatou Dr. Wander e completou, “O PBL se baseia muito no trabalho em grupo. Um bom grupo de tutores não se forma em um dia ou um mês, um bom grupo de trabalho pode levar meses para se ajustar. Os grupos do método trabalham em tutoriais que duram apenas 4 semanas em média  e muito dificilmente se repetem à formação do grupo de tutores durante o curso inteiro.  O PBL é um bom método, mas basear o ensino médico em apenas um método não é o ideal, pois pessoas apresentam diferenças no aprendizado, alguns aprendem melhor vendo, outros falando e outros fazendo, desta maneira o ideal seria montar um currículo misto, respeitando estas particularidades. A falta das disciplinas Básicas principalmente anatomia, histologia, fisiologia, farmacologia e bioquímica são sentidas, embora a carga horária de anatomia tenha aumentado nos últimos anos e parece que deverá ser corrigida esta deficiência”, relatou Dr. Wander Sardinha.

Docente da UEL desde 1973, formado pela UFPR, professor associado e doutor da Disciplina de Dermatologia do Departamento de Clínica Médica (DCM) do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UEL, consultor-revisor da Revista Médica Brasileira, membro titular da Sociedade Paranaense e Brasileira de Dermatologia, um dos maiores pesquisadores brasileiros sobre as infecções dermatológicas do país, além de imunologista e referência internacional em doenças de pele tropical. “Tenho a mesma opinião que os meus colegas, não tem nada do que eles tenham dito que não estou constatando nas minhas aulas, e sou especialidade. Precisava rever muito profundamente esta metodologia, não é ser retrógrada, nada disso, temos apenas que ser realista. Nos países onde está indo bem o PBL as coisas no ensino são bem diferentes do que no Brasil. Lá o estudo é direcionado no ensino médio para as áreas de ciência humana e biológica, é de tempo integral, tem laboratório para tudo e quando vem para a faculdade, além dos alunos morarem no campus os laboratórios da medicina estão disponíveis para pesquisa 24 horas por dia, não faltam cadáveres para dissecar e nem material para trabalhar os estudos e as pesquisas, que são livres. As ligas são respeitadas e há vários rodízios de palestras e congressos para os alunos em todos os níveis. Pude constatar isso pessoalmente, não ouvi ninguém falar”, nos contou o Dr. Minelli.

Para tentar constatar o que nos foi dito, procuramos a diretoria do curso de medicina da faculdade e fomos muito bem recepcionados pela coordenadora do Colegiado de Medicina da UEL, a gastroenterologista Drª. Evelin Massae Ogatta Muraguchi, e podemos assistir à aula de fechamento de um módulo tutorial. A princípio me pareceu interessante, porém com o passar dos minutos bateu um cansaço e um desinteresse pelo material apresentado, que era câncer do colo retal. Os alunos divagaram e falam muitas coisas. Pude constatar que em nenhum momento a professora interferiu no material, apenas sincronizou a ordem dos itens a serem apresentados sobre o tema. Os alunos pareciam estar animados e contentes, um deles, um jovem de 22 anos disse que pretende mandar confeccionar uma jaqueta com os dizeres: “I love you, PBL”.

Ao final da exposição do material pesquisado pelos alunos sem aparentemente muitos critérios, podendo ser do livro de sua escolha, Internet ou de qualquer fonte que achar conveniente, além de algumas fotocópias dadas e um livro de medicina. Foi feita uma analise das impressões que os alunos tiveram sobre o módulo, nessa analise foram feitas perguntas do tipo: – Se o conteúdo havia sido interessante? Se o laboratório teria sido proveitoso? Alguns alunos gostaram outros acharam, ruim. Se a clínica havia sido boa? Metade teve a oportunidade de acompanhar o diagnóstico de um caso, outros passaram o dia em clínica e não vira nenhum caso sobre o assunto. Se haviam aprendido algo com material dado? E se os alunos haviam gostado do módulo? A cada pergunta os alunos pontuaram com uma nota que vai de 1 a 5.

Depois houve um tipo de festinha gastronômica, contendo salgadinhos de festa, bolo e refrigerante do tipo cola, que parece ter virado um costume no fim de cada módulo. Foi marcada um prova com todas as turmas da tutoria do 1º ano de medicina para o dia seguinte, sexta-feira (05/06) no anfiteatro da escola de medicina. Para o grupo que participei seriam dadas 50 questões sobre o material daquele módulo. Isto foi comunicado dentro da sala que nos entravamos, que era de 4 x 6 metros, possui uma mesa de reuniões para dez cadeiras e duas lousas que vão da fora a fora de cada lado da parede e janelas com cerca de 4 metros de largura e 2 metros de altura, que começam há 1 metro acima do chão e vão até o teto. Os vidros possuem insulfilme 60%. O local é bem arejado e ainda tem um ventilador potente colocado na parede contrária à janela.

Ao fim da tutoria, recebi todo o material sobre a metodologia do curso e podemos constatar que o método vem recebendo mudanças desde o início de sua implantação em 1997, porém já resultou em alguns efeitos negativos. O primeiro foi no desestimulo de muitos professores, onde há docentes que por não acreditarem na ensino baseado somente em problemas não estão comparecendo para dar sua aulas ou fazer comparecem atrasados para acompanhar as tutorias.

O segundo efeito colateral, por assim dizer, está na perda dos cursos de pós-graduação e mestrado da UEL, devido à generalidade que o método impõem, fazendo que os artigos das especialidades atrasassem muito em suas publicações, já que a metodologia implantada exige que os artigos médicos provenientes das pesquisas sejam analisados por uma banca, onde há vários professores de todas as faculdades da UEL, provocando uma demora no processo, elevando o tempo de aprovação de 2 meses par no mínimo 6 meses, com isso não publicando os artigos a tempo para que o MEC os analise e aprove. 

O terceiro ponto que leva a metodologia ser questionada por vários professores e alunos, levando alguns ao desestimulo total, é o do “generalismo”. O PBL tem o foco para a formação de bons clínicos gerais e desestimula as ligas médicas (vascular, cardiologia, oncologia, etc), que nada mais é que as especialidades. Consequentemente desestimula a pesquisa médica direcionada.

Via de regra são as pesquisas das especialidades que levam a produção de resultados e os resultados à confecção dos artigos para as publicações que serão usadas como parâmetros pelo Mec para as autorizações dos cursos em pós-graduação, mestrado e até doutorado, além do pós-doutorado.

 

A doutora Evelin Massae Ogatta Muraguchi, nos mostrou que o curso apenas está respondendo as exigência da resolução do MEC do Conselho Nacional de Educação da Câmara de Educação Superior, CNE/CES Nº 4, de 07 de novembro de 2001, embasado no artigo 9º, do § 2º, alínea “c”, de 25 de novembro de 1995 e fundamentado no parecer técnico da CNE/CES 1.133 de 07 de agosto de 2001, que resolveu:

 

(…) “Art. 3º O Curso de Graduação em Medicina tem como perfil do formando egresso/profissional o médico, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano.” (…)

 

O que se pode constatar é que o Ministério da Educação deseja, primordialmente, médicos para atendimento aos posto de saúde e com ênfase a prevenção. Porém é uma realidade distante no Brasil e até um paradigma ser levarmos em conta que estamos muito atrasados nas áreas que elevam o índice de IDH da população, como saneamento básico e a qualidade geral da escola publica, o investimento no esporte na escola e o incentivo à cultura.

Ao mesmo tempo em que o MEC cobra artigos para que a faculdade de medicina da UEL reabra seus cursos de pós-graduação e mestrado em medicina, incoerentemente, os dificulta com a sua regulamentação, pois exigem e demasia a generalização do estudo da medicina.

 

Um ponto de extrema relevância é a excelência da Escola de Medicina da UEL, que possui 123 doutores, 88 mestres, 39 especialistas e 2 graduados compondo seu quadro docente, onde 190 destes exímios senhores foram requisitados a passar seus conhecimentos para outras instituições de ensino superior, dentro e fora do país. E, que tiveram apesar das dificuldades financeiras que não é uma exclusividade da UEL e sim faz parte da realidade de quase que absolutamente todas as escolas publicas de ensino superior do Brasil, publicaram em 2008, 106 trabalhos em revistas médicas e jornais especializados e produziram no mesmo ano, 137 pesquisas acadêmicas, e ainda tiveram, 59 projetos financiados por grupo de fomentos à pesquisa, entre eles CAPES, CNPq, FAPESP, Instituto Araucária, FUNDAP e fundações particulares.

Além do mais, o internato da UEL é considerado um dos melhores do Brasil, concorrendo de igual para igual com a Escola de Medicina da USP – Hospital das Clínicas, Santa Casa de São Paulo, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) – UFRJ, Hospital Universitário de Curitiba – UFPR, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, Hospital Universitário e Clínicas de Ribeirão Preto – UNAERP e o H.U.B – Hospital Universitário de Brasília da Universidade Nacional de Brasília -UNB.

Uma das reclamações que foi igual para todos lados, os a favor e os contra a metodologia PBL, é o fato do H.U e a própria Escola de Medicina não ter à disposição dos estudantes e dos docentes, desde de luvas médicas e cirúrgicas; às vezes, a falta de itens como uma simples e barata dipirona para dar aos pacientes; equipamentos de laboratório, exemplo microscópios e lâminas; atualização dos itens de sua biblioteca médica; instrumentos cirúrgicos; quite para testes; e até mesmo produtos de limpeza e sabão para lavar as mãos. Várias cirurgias são canceladas todos os dias, aumentando a fila de espera e sem ter que o fazer. Assistir os pacientes irem a óbito na esperança da intervenção cirúrgica que irá salvar ou prorrogar a sua vida.

Essa realidade que professores e alunos são obrigados a conviver todos os dias dentro do H.U, sem que se possa fazer nada, pois depende única e exclusivamente, da boa vontade do Estado e da conclusão dos processos burocráticos de licitação e concorrência publica, que para existirem precisam de previsão orçamentária e de liberação do falido Sistema Único de Saúde brasileiro. Além dos repasses que toca ao Governo do Paraná, que por sinal, empurrou a força uma Ala de Queimados, sem que um cirurgião plástico ou dermatologista tenha sido consultado para saber quais equipamentos, ou não seriam realmente necessários à ala. E o mesmo fez como as enfermarias de atendimento do novo Pronto-Socorro H.U, que foram construídas tão estreitas, que para que se possa entubar um paciente é necessário que a equipe jogue a maca para o corredor na busca de espaço para a mobilidade dos atendentes que estão fazendo os procedimentos de urgência.

Por Soraya Garcia” .

Enfim, após a leitura do texto acima:

Em 2011 os alunos solicitaram mudanças.

O Fórum Institucional  Famema 2012 nem tocou no assunto.

É como se o movimento nunca existiu.

O Diretório Acadêmico Christiano Altenfelder não fará mais nenhum movimento ?

As promessas serão cumpridas pela atual Diretoria da Famema ?

As reivindicações pelos alunos  foram contempladas ?

Lutando pela qualidade de ensino no ensino público superior !

Luto pela encampação da Famema pela Unesp !

“O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência”.

Henry Ford

A CPI da Fumes procura explicar os repasses de verbas pública para as fundações Fumes e Famar

cpi marronOntem de manhã a Comissão de Vereadores da CPI Fumes ,  tomou o depoimento de Affonso Celso Silva e Mello, assessor técnico da Prefeitura de Marília e perito contábil, o qual prestou informações procurando explicar como os recursos repassados pelo Governo do Estado à Famar (Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília) são posteriormente repassados à Fumes (Fundação  Municipal de Ensino Superior de Marília).

Mello afirmou em seu depoimento, que a Fumes não acatou recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado), e a orientação da Prefeitura de Marília para que transformasse a contabilidade financeira da fundação municipal com transparência pública em seus atos administrativos.

O assessor Mello, o qual foi presidente da diretoria executiva da Fumes nos anos de 1982 e 1983, disse ainda que “supõe que a parte positiva da gestão  financeira fica com a Famar, e a parte negativa, ou seja, os prejuízos, ficam com  a Fumes”.

Após o depoimento de Mello, os vereadores Eduardo Gimenes (presidente), Júnior da Farmácia (relator) e Wilson Alves Damasceno decidiram que vão solicitar novos documentos à Fumes,  principalmente para esclarecer as viagens feitas por médicos da diretoria, nos anos de 2009 e 2010.

“Consta do levantamento feito pelo perito contábil, Dorival Venciguera, só para citar um exemplo, despesas de mais de R$ 146,7 mil no mês de dezembro de 2010 como ‘viagens’.

“Queremos saber quem viajou e para que finalidade”, destacou o vereador Gimenes.

O pedido  feito pela Comissão da CPI à Diretoria da Fumes exige que seja apresentado o nome, local, período de estada e finalidade das viagens feitas por servidores ou membros da diretoria no final de ano de 2010.

Outro item apontado como  suspeito pelos membros da Comissão da  CPI da Fumes  diz respeito aos exames complementares realizados e pagos pela instituição.

Os exames suspeitos foram encontrados no relatório entregue na quarta-feira da semana passada pelo perito contratado pela comissão, Dorival Venciguera, e analisado pelos membros da comissão.

Para o vereador Damasceno está ficando bastante claro que há fortes indícios de irregularidades na gestão da Fumes.

“Estamos chegando a conclusão de que há muitas irregularidades.  Ao final da CPI podemos propor também a formação de um grupo de trabalho na Assembleia Legislativa, para estudar esse convênio entre o Estado e a Famar,  a qual recebe dinheiro e repassa a Fumes, sendo que antes o dinheiro era transferido diretamente à Famar, afirmou o vereador Damasceno.

Os  vereadores pretendem analisar novos documentos juntados ao processo de investigação para definir uma nova data de reunião da CPI.

Há a possibilidade de convocar outros integrantes da Diretoria da Fumes para que prestem informações sobre a sistemática da administração da instituição.

Após o encontro de ontem, os membros da CPI se reuniram com o dirigente do DRS IX  (Departamento Regional de Saúde do Estado de São Paulo),  Donaldo Cerci da Cunha para entrega e análise dos dados.

O  vereador Gimenes afirmou que se reunirá com os outros membros da comissão hoje para definir a data da próxima reunião, e decidir sobre a entrega do resultado final das investigações.

Entre as discussões está se o relatório será encaminhado para justiça criminal ou civil.

Lutemos pela moralidade da administração pública !

“Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha”.
Mahatma Gandhi