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O Plano Collor e o PBL made in Brazil. Uma analogia!

plano collorZélia Cardoso de Mello foi a primeira e única mulher a ocupar o cargo de  ministra da Fazenda, empossada em 15 de março de 1990 na posse do primo, à época, presidente do Brasil, Fernando Collor, e deixou o ministério em 10 de maio de 1991.

A ex-ministra foi a mentora intelectual do Plano Collor, adotado pelo então presidente Collor de Mello.

Com Zélia Cardoso de Mello, o Brasil conheceu uma época de mudanças, marcando uma revolução em vários níveis da administração pública e na macroeconomia: privatização, abrindo-se pela primeira vez às importações, modernização industrial e tecnológica, redução da dívida do setor público, controle da hiperinflação e uma explosão na demanda.

As medidas que marcaram os 14 meses da ministra no poder foram:

a) Confisco

Em março de 1990, determinou que saldos em contas acima de 50 mil cruzados novos fossem bloqueados por 18 meses

b) Abertura

Reduziu alíquotas de importação, atraindo produtos estrangeiros para o mercado nacional, o que acirrou a competição

c) Inflação

Acabou com a hiperinflação de cerca de 80% ao mês, mas houve recessão, aumento do desemprego e redução da renda per capita

O plano de estabilização conduzido pela ex- ministra Zélia pela primeira vez na história mundial confiscou todos os ativos financeiros de um país da noite para o dia, o confisco da caderneta de poupança, como ficou conhecido, lhe granjeou enorme antipatia.

Muitos empresários quebraram, pois não tinham dinheiro nem para pagar a conta dos funcionários.

Dívidas da empresa não puderam ser pagas, visto que os ativos foram bloqueados, e o saque limitado.

A  revolução implantada gerou desemprego, luta das empresas para sobreviverem, indústrias sendo implodidas  por bens  importados por alíquotas baixas, e o sucateamento do parque  industrial brasileiro.

Pois bem…

Quando reflito que mudanças radicais, sem uma grande avaliação dos riscos que se possam produzir, faço por  analogia, a comparação do Plano Collor com o “PBL made in Brazil”.

Revolucionários sem dúvida.

O Brasil inaugurou o neoliberalismo seguido por Fernando Henrique Cardoso, e as empresas estatais, como a  Companhia Vale do Rio Doce avaliada, à época por 4 bilhões, vendida, e hoje em 2012,  vale 200 bilhões.

A revolução custou caro aos cidadãos brasileiros, e a nação brasileira.

Desemprego, volta da inflação, e “quebradeira das empresas”.

No “PBL made in Brazil”  não foi diferente.

Banidas aulas, nada de aulas em laboratórios, nada de estudar conhecimentos em disciplinas básicas, nada de conteúdos temáticos em anatomia, histologia, fisiologia, patologia, parasitologia, microbiologia, imunologia, e farmacologia.

Nada de aulas para os 80 alunos de medicina.

Tudo agora se resolve com o “PBL made in Brazil ou à brasileira” (Problem Based Learning).

Os alunos aprendem em sessões de tutoria.

Um caso clínico  é posto em discussão, e os alunos perguntam o que não sabem, e gostariam de aprender, e está dado o início ao processo tutorial.

Dias após, os alunos voltam e relatam o que leram.

O tutor, diga-se de passagem, segundo o “PBL made in Brazil”, e defendido titanicamente pelo “Super Pedagogo”  dessas faculdades não precisa saber o conteúdo temático.

Basta apenas administrar as discussões.

No “PBL made in Brazil”, o tutor  não precisa saber nada da discussão, e não interferir nas discussões dos alunos.

Orientações no guia tutorial para os tutores  em casos clínicos de medicina (nada pode sair fora do script).

Aliás, não precisa ser médico em tutorias de temas de medicina…

É surreal.

Anacrônico.

Inaceitável.

Sofismático !

Um aluno egresso do curso médio saberá qual o conteúdo mínimo necessário  para a sua formação?

Claro que não !

Fui aluno de medicina…

O aluno não sabe  qual é o “conteúdo mínimo necessário”, aceita-se tudo na hora (o aluno ouvirá muito nas sessões a famosa frase : “numa primeira aproximação”), como se o tutor não tivesse a imprescindível responsabilidade e compromisso com o ensino, e como ocorre frequentemente nos dias de hoje, permanecer na reunião em estado quase catatônico, e com uma leve palidez cérea.

Algumas expressões faciais de contentamento e ou descontentamento.

O processo tutorial está em curso…

O tutor no ” PBL made in Brazil” está  pronto para uma Odisseia (não a de Ulisses, da mitologia grega) de intermináveis tutorias (algumas parecem mais “touradas” da bela cidade de Madri).

E o pior, cada grupo de alunos com o tutor tem um nível de aprendizado diferente, pois a única forma de evitar esse viés, na minha concepção, seria uma aula magna com todos os alunos para uniformizar conceitos.

Mas, no “PBL made in Brazil ” não pode.

O “Super Pedagogo” dessas faculdades públicas e ou privadas diz que não pode.

Nada acrescenta a aula magna ao curso de medicina, segundo afirma o Super  Pedagogo.

Quem seriam esses pedagogos em cursos de medicina que implantaram o  “PBL made in Brazil “?

Nos  Fóruns Institucionais dessas faculdades públicas e ou privadas, quando existem, normalmente são apenas convidados para palestrar e falar maravilhas do “PBL made in Brazil” nos cursos de medicina.

Não se convida pedagogo nesses fóruns para um debate intelectual honesto.

No dia a dia pelos corredores da faculdade: não se vê o pedagogo, não se ouve o pedagogo, não se debate o modelo ensino-aprendizagem com o pedagogo, em síntese, será que existe o pedagogo na instituição?

Alunos tiram um notas elevadas no ENADE, mas a verdade seja dita, em decorrência dos alunos que fazem cursos preparatórios no Med Curso e SJT para ingressarem nas Residências Médicas.

A verdade não pode ser ocultada, pulverizada, mitigada…

Muitas dessas faculdades têm infraestrutura pífia, e nem Câmpus Universitário com salas de aulas, laboratórios, bibliotecas, restaurante universitário, estágio em hospital próprio, etc.

Ou é tudo sucateado, ou terceirizado, e ainda pior, contratos com Prefeituras Municipais para inserir alunos nas Unidades de Saúde da Família.

O Plano Collor não resolveu  nada para o Brasil, mas as mudanças foram revolucionárias e catastróficas.

Do Plano Collor a mentora foi Zelia Cardoso de Mello.

E quem é o “Pai do Projeto Pedagógico” em cursos de medicina no “PBL made in Brazil” ?

Quem será o Super Pedagogo do “PBL made in Brazil” ?

“Meu ofício é dizer o que penso”.

Voltaire

Elementar meu caro Watson. Assim diria Sherlock Holmes

sherlock holmes 2A Unidade de Prática Profissional (UPP) 1 e 2, as quais estão inseridas na matriz curricular dos  cursos de Medicina e Enfermagem da Famema, constituídas por alunos da medicina e da enfermagem, sendo 8 da medicina e 4 da enfermagem, frequentando as Unidades de Saúde da Família (USF), não nos parece a maneira mais eficaz para a aprendizado desse alunos, seja no curso de medicina, seja no curso da enfermagem.

E a conclusão é simples.

Cada aluno da medicina e ou da enfermagem tem uma visão do processo ensino-aprendizagem diferente nesse cenário – Unidade de Prática Profissional (UPP).

O aluno da medicina deseja aprender sobre fisiopatologia das doenças, farmacologia clínica, anatomia, fisiologia, microbiologia, imunologia nos doentes visitados pelo mesmo em visitas domiciliárias.

O aluno da enfermagem deseja aprender sobre plano da qualidade do cuidado , assistência social, quem são os cuidadores do doente, vacinação em dia, observação das políticas públicas ofertadas na unidade de saúde, ou seja, os alunos da enfermagem têm uma visão diferente do processo saúde-doença.

Há séculos é assim.

Contudo, pretender que alunos de medicina e enfermagem tenham a mesma visão do processo saúde-doença, inserindo-os a frequentarem coercitivamente e institucionalmente o mesmo cenário de ensino-aprendizagem é uma grande utopia.

Promotores e Juízes de Direto, também fizeram Curso de Direito, mas dentro do Poder Judiciário, cada  um exerce diferentemente sua função no ordenamento jurídico vigente no Brasil.

Cada um tem seu papel muito bem delimitado de atuação.

Engenheiros e arquitetos tem visões diferentes na construção civil.

O engenheiro se preocupa com o a estrutura do projeto.

O arquiteto com a originalidade, criatividade, formas do projeto.

A frase dita pelo personagem Sherlock Holmes – “elementar meu caro Watson” – é uma certeza de que a conclusão de algum fato  se procede,  se e somente se,  houver uma observação cuidadosa .

Na Famema cremos que alunos de medicina e enfermagem devem ter supervisão no cenário de UPP com docente do seu respectivo curso.

Nada de se tentar unir as visões do processo saúde-doença fazendo alunos de medicina e enfermagem serem supervisionados por docentes não propriamente do seu curso.

Em todos os países desenvolvidos os cursos de medicina e enfermagem têm matrizes  curriculares  distintas.

A quem interessaria permanecer essa situação na Unidade de Prática Profissional  1 e 2 ?

Ao “Super Pedagogo” da Famema ?

Sherlock Holmes diria:  elementar meu caro Watson !

sherlock holmes 3 “Quando se convive muito com a mentira, ficamos propícios a desconfiar da realidade”.

Rui Barbosa

PBLcentrismo ! Até quando o PBL made in Brazil?

Quando Galileu começou as suas observações com o telescópio, finalmente começaram a aparecer argumentos definitivos contra o modelo geocêntrico.

Galileu não foi provavelmente o primeiro a utilizar um telescópio para observar os céus, cabendo essa honra provavelmente a Thomas Harriot, na Inglaterra, ou a Simon Marius, na Alemanha.

No entanto, Galileu fez evoluir o telescópio até uma ampliação superior a 20 vezes, e apresentou os céus no livro Sidereus Nuncius de uma forma que nunca antes havia sido vista, fruto de uma observação meticulosa do céu ao longo de muitas noites consecutivas.

Galileu discutiu os resultados das suas observações num livro intitulado Diálogo Relativo aos Dois Grandes Sistemas dos Mundos – Ptolomaico e Copernicano.

Nesse, os dois sistemas são debatidos numa série de discussões entre três homens: Salviati, Sagredo e Simplicio. Salviati representa Galileu, Sagredo representa um ouvinte inteligente e Simplicio um obtuso Aristotélico.

O livro é publicado em Florença, em 1632, tendo sido apreendido pela Inquisição que ordena a Galileu que se apresente em Roma.

Em 1633 é julgado pela Inquisição, tendo em parte do julgamento sido ameaçado de tortura se não se confessasse herético.

Galileu afirmou sempre que após a condenação pela Congregação jamais voltaria a defender o heliocentrismo.

Finalmente, após ter renegado a teoria copernicana, foi condenado pelos sete cardeais do júri a uma vida em cativeiro.

O Papa Urbano nunca chegou a ratificar o veredicto, talvez por considerar Galileu efusivo, mais que herético. De acordo com a lenda, quando se levantou após ter renunciado a sua ofensa terá batido com o pé no chão dizendo em voz baixa: “Eppur si muove!“.

Em 18 de janeiro de 1642, morre Galileu, em Arcetri, com 78 anos.

O preço por defender a verdade de determinado tema ou assunto pode ser mal interpretado por obtusos aristotélicos, ou ainda em faculdades, modelo ” PBL made in Brazil “, na qual  uma pessoa deseje uma instituição de melhor qualidade.

A verdade é que nessas faculdades não há laboratórios de patologia, fisiologia, anatomia, e nem laboratórios para pós-graduação.

Diante da teoria de Galileu, já ancorada em achados prévios de Nicolau Copérnico, de que a Terra gira ao redor do Sol, e não como pensava a igreja católica, à época, penso estarmos diante de um novo paradigma: “O PBL made in Brazil ou à brasileira”.

Tese: o paradigma é que os alunos passam em grandes residências médicas, e são mais críticos da realidade social.

Bela bandeira ufanista !

Essa é a tese institucional dessas faculdades públicas.

A antítese: falsa verdade, pois o resultados são alicerçados no ENADE, pois os alunos são excelentes, visto que já passaram por um vestibular difícil, e ainda, que os alunos fazem Med Curso e SJT.

A síntese: modelo surreal de ensino, anacrônico, e desorganizado, no qual os professores não podem dar aulas, não podem fazer aulas magnas dos conteúdos necessários em cada disciplina.

Na visão dos “Super Pedagogo” dessas faculdades (bom que se saiba que muitas não têm pedagogos), os alunos aprendem  “problematizando” nos cenários de ensino-aprendizagem do SUS (orientados por profissionais sem Residência Médica, e em casos de tutoria (conteúdos elaborados por docentes que disponibilizam de 6 a 8 casos clínicos por série, e portanto todas as 53  especialidades médicas estão assim representadas- 24 a 32 casos clínicos em 4 anos).

Uma grande incongruência pedagógica.

Será que estou tendo a visão distorcida dos fatos?

É uma hipótese…

As demais instituições de ensino não devem orbitar ao redor desse modelo “PBL made in Brazil em cursos de medicina”, mas seguirem os outros modelos  e correntes pedagógicas de ensino em cursos de medicina, sabidamente eficazes ao longo dos séculos.

Galileu acabou sendo compulsoriamente preso na cidade de Arcetri (vida em cativeiro) pela igreja católica pela constatação de que a Terra girava ao redor do Sol (heliocentrismo).

Não almejo ir para Arcetri, nem para lugar algum, porém  desejo defender meus princípios da melhor corrente pedagógica, e não me submeter ao “PBLcentrismo”, e permitir outras correntes pedagógicas  aplicadas em cursos de medicina, e outrossim,  buscar o verdadeiro ensino em curso de medicina.

Será que vou para o cativeiro por defender meus princípios invocando a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal de 1988?

Cativeiro ou fogueira ?

É a Santa Inquisição ocorrendo nos bastidores das instituições sucateadas no ensino superior.

Que escolha  para quem luta por verdades cristalinas.

Aguardemos o  fim do PBLcentrismo !

“De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade”.

Freud

Pandora é ideal para realização de estágios para cursos de medicina no modelo PBL made in Brazil

avatar 3Na crise de falta de cenários de ensino-aprendizagem, nos quais alunos possam efetivamente estagiar, e serem futuros profissionais da área da saúde comprometidos com os artigos insculpidos na Constituição Federal de 88, tais como, integralidade, universalidade e equidade recomendo um cenário nada convencional: o Planeta Pandora.

Lá os nativos lutam por seus ideais, custe o que custar.

Em Pandora, os colonizadores humanos e os Na’vi, nativos humanóides, entraram em guerra pelos recursos do planeta, e a continuação da existência da espécie nativa.

Os pesquisadores humanos criaram o Programa Avatar, híbridos humano-Na’vi geneticamente modificados.

Um humano que compartilhe material genético com um Avatar é mentalmente ligado, e pode se conectar através de conexões neurais que permitem o controle do corpo do Avatar.

Um belo filme de James Cameron.

Um cenário que poderá ser supervisionado por professores defensores do “PBL made in Brazil ou à brasileira”, uma vez por semana, se  ligando mentalmente aos “professores colaboradores” como no filme Avatar [leia-se sem Residência Médica] para supervisionar alunos do curso de medicina.

Seria um Avatar Pedagógico ?

O interessante é que os docentes defensores do PBL “made in Brazil” não parecem  muito estimulados a irem presencialmente à Pandora.

Por que será ?

As USF(s) do Planeta Pandora têm poucos médicos com Residência em Medicina de Família e Comunidade, mas no modelo “PBL made in Brazil” vale a supervisão desses “professores colaboradores” sem especialização médica  ou Residência Médica para supervisionar os alunos.

E o argumento dos defensores da ida de alunos do curso de medicina realizarem  estágio na USF do Planeta Pandora é a de que os alunos devem conhecer o SUS.

E como supervisionar alunos em Pandora se os “professores colaboradores”, com raras exceções, não têm Residência Médica ?

E para piorar há docente que supervisiona alunos em Pandora , que  também não tem Residência Médica, e nunca atendeu em ambulatórios e hospitais [docente de parasitologia orientando pacientes em USF].

É surreal.

E a nota elevada do  Enade, que avalia conhecimentos de alunos, contudo, nada avalia da infraestrutura da faculdade.

Um falso sucesso ancorado em alunos que fizeram Med Curso e SJT.

Todos os alunos de faculdades modelo “PBL made in Brazil”  já fizeram um ou dois anos de Med Curso ou SJT.

Então, nota  5,0 para os cursos preparatórios, e não para a faculdade [a nota vai de 0 a 5].

Nesse cenário de incertezas, Pandora se apresenta com uma excelente opção de estágio.

Planeta distante, cenário desconhecido e incertezas para alunos ávidos de conhecimento.

Os docentes irão supervisionar como no modelo do filme Avatar instalado em Pandora ?

Adormecem em câmaras de sono , e supervisionam como Avatares alunos em outras cidades distantes da faculdade em campo de estágio ?

avatar dupla

“Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro”.

Mario Quintana

Caso Mengele. Museu de Anatomia localizado no Hospital das Clínicas de Marília. Descaso com acervo histórico !

Em 1985, na cidade de São Paulo, o professor doutor Ramón Sabaté Manubens – à época, professor de anatomia da Famema (1968-1986) – ao lado de outros profissionais da Secretaria de Segurança  Pública de São Paulo, entre os quais,  o Professor Daniel Romero Muñoz (USP), concedia entrevista coletiva aos jornalistas do Brasil e do mundo.

Afirmava, antes mesmo da utilização do DNA para investigação de identidades suspeitas em medicina forense, que o esqueleto de um homem sepultado no Cemitério do Rosário, cidade de Embu das Artes – Estado de São  Paulo- era do fugitivo médico nazista Josef Mengele, o qual trabalhava no campo de concentração de Auschwitz.

Para a surpresa do Serviço Secreto  de  Inteligência de Israel – Mossad  (que procurou por nazistas foragidos da Segunda Guerra Mundial) tratava-se dos ossos do médico nazista  Josef Mengele.

Josef Mengele (Günzburg, 16 de março de 1911 — Bertioga 7 de fevereiro de 1979) foi um médico alemão que se tornou conhecido por ter atuado durante o regime nazista.

O apelido de Mengele era Beppo, mas era conhecido como Todesengel, “O Anjo da Morte”, no campo de concentração.

Morreu em 1979.

Aparentemente, estava no mar e teve um derrame cerebral ou infarto do miocárdio.

Estava em uma praia de Bertioga (SP), com conhecidos seus, um casal de austríacos, que  alegaram que quando descobriram quem o indivíduo era, já tinham feito amizade com o mesmo, e ficaram com medo de denunciá-lo.

Nesta época, usava a identidade falsa de outro conhecido, Wolfgang Gerhard.

A polícia alemã só descobriu que Mengele estivera no Brasil em 1985, e a investigação levou ao casal de amigos, que confessou e apontou o túmulo.

Uma exumação de “Wolfgang Gerhard”, em 1985, confirmou que tratava-se, efetivamente, do médico nazista.

A análise foi confirmada por DNA, anos depois.

A história é do conhecimento de todos.

Mas há uma história que não é do conhecimento de todos.

Todo o trabalho de fotografias do professor Ramón Sabaté Manubens está se deteriorando em uma pequena sala nos porões do Hospital das Clínicas de Marília.

Lastimável que a disciplina de anatomia da Famema tenha tão pouco zelo com o trabalho brilhante que o professor Ramon prestou  à sociedade  mundial.

O Mossad (Serviço Secreto de Israel) até duvidou da descoberta  dos médicos brasileiros em 1985.

Presenciei  este acervo fotográfico nos porões do Hospital das  Clínicas de Marília (guardado em caixas de papel em sala fechada, não exposta ao público e se deteriorando),  e constatei mais de 50 quadros que o professor fotografou em seu trabalho de exumação, mas que agora devem se deteriorar em pouco tempo, pois são fotos, e sendo papel,  logo irão se deteriorar.

As caixas estão no chão em uma sala em contato com umidade proveniente da limpeza que ocorre no corredor de acesso ao laboratório de anatomia.

Parte do acervo dessa exumação está na Unicamp, como as reconstituições em resina de partes do crânio para estudos de acidentes anatômicos, e suas correspondências nas fotos.

O trabalho era de 1985, e não havia a tomografia e ressonância magnética como há nos dias atuais.

A dificuldade era grande.

Então, se pode imaginar a beleza desse  trabalho em afirmar, à época, que era o esqueleto  do médico nazista Josef Mengele.

Um marco  de eficiência para a disciplina de anatomia  da Faculdade de Medicina de Marília, mas que infelizmente está todo o acervo se deteriorando nos porões do Hospital das Clínicas de Marília.

Lamentável.

Tempos depois (1992), em  pesquisa posterior com DNA (análise de material genético do filho de Josef Mengele e a ossada exumada) confirmou-se o que apontavam os anatomistas brasileiros – Professor Ramón Sabaté Manubens (Famema)  e Professor Daniel Romero Muñoz (USP) – a ossada exumada era de Josef Mengele.

Mas enquanto isso na Famema…

O trabalho de quase 30 anos está nos porões do Hospital das Clínicas da Famema.

Fiz requerimento em 2011, e até agora quase dez meses depois nada mudou, e apontei a importância da perda das fotos.

A docente responsável pela Laboratório de Anatomia –  Professora Teresa Prado da Silva, em conversa pessoal comigo, e com a Diretoria Geral de Graduação,  se comprometeram a resolver a situação.

Contudo, estive recentemente pelas instalações do Labotatório de Anatomia, Hospital das Clínicas de Marília, onde funciona a disciplina de anatomia, e nada de exposição do acervo.

Alunos da Graduação  da Famema nem sabem desse acervo.

É bom lembrar que a Constituição Federal regulamenta a preservação de acervos, e no caso, em tela, é exemplo cabal do desrespeito da Famema à Carta Magna do Brasil.

Assim fiz o requerimento.

“ILMO. SR. PROF. EVERTON SANDOVAL GIGLIO

Diretor Acadêmico da Faculdade de Medicina de Marília

 REQUERIMENTO


         Eu, Milton Marchioli, professor da disciplina da Educação em Ciências da Saúde, venho requerer e propor o que se segue:

Dos fatos:

         Ao visitar o museu de anatomia da Famema pude observar em minha estada recente no museu de anatomia total desleixo em relação à manutenção de peças que deveriam ser expostas no mesmo.

          Há uma de série de quadros de medicina legal, do famoso caso de Josef Mengele, médico nazista exumado em junho de 1985 no Brasil, e tendo seu esqueleto montado pelo ex-professor doutor da disciplina de anatomia da Famema – Ramón Sabaté Manubens, totalmente guardados em CAIXAS DE PAPELÃO, e NÃO EXPOSTOS no referido museu.

         Ao conversar com dois funcionários do museu percebi que nenhuma “ordem” ou “orientação” fora passada aos mesmos para que os quadros fossem expostos no museu, e sendo assim,  pudessem, não somente servirem de acervo para estudos em temas de medicina legal, como também registrar fato de grandeza acadêmica a Famema e ao professor doutor Ramón Sabaté Manubens, que ao lado do professor Daniel  Romero Munõz – Universidade de São Paulo, selou a tão ‘caça’ ao  paradeiro do médico foragido da Alemanha, e morto no Brasil em 1979, mas exumado em 1985. À época dos fatos, os professores sem a tecnologia disponível hoje, tal como, tomografia computadorizada, ressonância magnética e DNA afirmaram categoricamente ser o esqueleto do médico nazista.

         Há uma grande sala ao lado do museu que poderia ser usada para a exposição dos quadros, e ampliar o acervo do museu com esse marco para a medicina legal de Marília, pois é fato que os alunos do curso de medicina nada saibam de tal fato- O CASO MENGELE, de repercussão internacional nos anos 80, e que permanecem CAIXAS DE PAPELÃO nos porões do Hospital das Clínicas,e que chegara no ano de 1985 ao seu encerramento com a exumação de Josef Mengele e medicina legal aplicada ao caso com a participação do professor Ramón Sabaté Manubens.

Do Pedido:

         Providenciar URGENTEMENTE recuperação ao acervo e exposição dos quadros do – O CASO MENGELE – em sala ao lado do museu para os alunos de medicina atentarem a importância da medicina legal na cultura médica ao longo do curso de medicina.

 Nestes termos,

Pede Deferimento,

 Marília, 25 de Fevereiro de 2011

Prof. Dr. Milton Marchioli “

Lamento informar que até agora  nada mudou…

A Famema se orgulha do seu modelo ensino “PBL made in Brasil” , mas a verdade nua e crua é que na questão administrativa somos ineficientes.

Assim, reitero a Diretoria Geral de Graduação , ou a quem seja responsável, que urgentemente tome providências neste caso, sem solução até o presente momento.

O Serviço Secreto de Inteligência de  Israel – Mossad  duvidou do Professor Ramón Sabaté Manubens em 1985.

Mas, tiveram que  se calar com a confirmação pelos teste de DNA – obtido de seu filho que residia na Europa, e confrontado com material genética da ossada exumada no Brasil.

Nossa pequena homenagem nesse blog ao Professor  Ramon, pois fui seu aluno em 1983, e sei de sua competência, que aliás, criou o Museu de Anatomia da Faculdade de Medicina de Marília (Famema).

“Uma criança, cega de nascença, só sabe de sua cegueira se alguém lhe conta”.

Martin Luther King

Quem não tem colírio usa óculos escuros. Abaixo a Lei de Gerson !

raul seixas- oculos escurosNos anos 70  era sucesso absoluto.

Quem não tem colírio.  Usa óculos  escuros – música de Raul Seixas, que embalou uma geração de adolescentes.

Gostaria que em 2012 nas faculdades de medicina  públicas modelo “PBL made in Brasil” nem se usasse colírio tampouco óculos escuros.

Desejo sucesso na administração, mas muita transparência nos atos administrativos.

As Diretorias Gerais dessas faculdades devem aceitar mudanças, e assegurar melhorias estudantis como bolsas de auxílio financeiro.

Só assim teremos instituições melhores e mais qualificadas com inclusão de alunos carentes.

Criação de Restaurante Universitário para alunos e docentes que trabalham na instituição.

Fim dos cargos biônicos, e os cargos de Coordenadores de Medicina e de Enfermagem, e da Diretoria de Graduação  serem ocupados por docentes votados por seus pares.

Fim dos cargos biônicos!

Cargos com eleição pelos pares.

Sinal de Democracia !

Não  mais  a “Lei de Gerson” !

Levar sempre vantagem, custe o que custar…

A Lei de Gerson acabou sendo usada para exprimir traços bastante característicos, e pouco lisonjeiros do caráter midiático nacional, associados à disseminação da corrupção, e ao desrespeito a regras de convívio para a obtenção de vantagens pessoais.

A expressão originou-se em uma propaganda de 1976 criada pela Caio Domingues & Associados, que havia sido contratada pela fabricante de cigarros J. Reynolds, proprietária da marca de cigarros Vila Rica, para a divulgação do produto.

E o  meia-armador Gerson da seleção de 70 dizia à época: “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo de um bom cigarro, gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.

Então, vamos banir a vantagem, e intensificar a ética institucional !

Vamos banir os cargos biônicos !

Coordenação de série e coordenação de curso com eleição pelos seus pares !

Votos para eleger o Diretor de Graduação!

Em defesa da ética nas instituições públicas.

Em defesa da Democracia nas instituições de Ensino Superior!

gerson- lei de gerson