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CPI da FUMES apontou irregularidades e pede intervenção municipal e estadual

A  CPI  da Fumes (lei municipal  1371-1966- Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília)  mostrou de maneira clara e transparente o que de fato ocorre  na fundação municipal criada nos anos 60, pelo ex-prefeito de Marília,  Armando Biava,  para suporte financeiro da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) criada pela lei 9236/66 pelo então, à época,  governador Ademar Pereira de Barros.

Os vereadores Lázaro da Cruz Júnior, Wilson Damasceno e Eduardo Gimenes protocolaram o documento ontem na Câmara, para que o mesmo seja lido e votado na próxima Sessão Ordinária Camarária, no dia 10 de dezembro.

A CPI que se encerrou dia 05 de dezembro do presente mês com a leitura do relatório pelo vereador Lázaro Júnior, somente foi possível, após a cassação da liminar pela Juíza de Direito – Angela Martinez  Heinrich em 31/05/2011.

Conforme o relatório, que tem cerca de 27 páginas, foram identificadas várias irregularidades no gerenciamento dos serviços do Hospital de Clínicas e Fumes, e ainda pela  Famar (Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília), que assumiu todo o gerenciamento no lugar da Fumes no ano de 2007, após ruptura do contrato entre a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e Fumes no repasse de verbas pelo SUS.

O  Secretário de Saúde Luiz Roberto Barradas, à época, concordou pela urgência em depositar a dotação orçamentária na Famar em 2007.

A Fumes não podia receber esses recursos do SUS.

A Fumes é uma fundação de direito público, a qual  serviu de suporte  para os repasses de verbas do Estado a serem utilizados nos hospitais escolas da Faculdade de Medicina de Marília desde sua criação nos anos 60.

A Famar foi criada como  fundação de direito privado ! Em tese para apoiar a Fumes.

Lázaro Júnior  (relator da  CPI da Fumes) apontou em documentos nos autos da CPI que há  aluguéis de imóveis, pagamento de viagens e contratação de serviços terceirizados de forma irregular, sem cumprir o que determina a Lei das Licitações.

Após a leitura, os parlamentares destacaram que todo o processo envolvendo a administração de recursos da Fumes pela Famar é irregular e ilegal, devendo ser resolvida por meio de intervenção do município como apontou o perito Dorival Venciguera contratado pela Câmara  Municipal de Marília para realizar auditoria na Fumes.

Conforme os parlamentares afirmaram após a leitura do relatório final, se aprovado pelos demais vereadores no dia 10/12/2012, o prefeito  atual ou o próximo prefeito de Marília terá de tomar as providências indicadas pela CPI da Fumes, sob pena de ser alvo de crime de prevaricação previsto no Direito Penal.

Ao mesmo tempo, os documentos  serão enviados ao Ministério Público Estadual e Federal, após aprovação pelo pleno na próxima Sessão Camarária para  que providências criminais e cíveis  sejam imputadas aos responsáveis pelas irregularidades da Fumes.

Conforme as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito, o contrato de cooperação da Fumes (Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília)  pela Famar (Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília), assinado em 2008 é irregular por ter sido feito sem autorização do Poder  Executivo e Poder  Legislativo.

“Para que esse contrato fosse legal, o correto seria ter consultado à Prefeitura Municipal de Marília, e ter sido  enviado o projeto à Câmara Municipal para constituir uma outra  fundação pública para receber posteriormente os valores do SUS para os Hospitais administrados pela Faculdade de Medicina de Marília, e não a Famar que é uma fundação privada, criada ao arrepio do Direito Administrativo, ou ainda ter consultado à Prefeitura e enviado um projeto à Câmara  para abertura de licitação e chamada pública para escolha de uma Organização Social qualificada para assumir a Fumes”, relatou o vereador Wilson Damasceno.

Segundo o relatório da CPI da Fumes, à  época da cooperação, o patrimônio da Famar era de R$ 10 mil e a mesma não tinha estrutura física e administrativa para gerir os hospitais e ambulatórios administrados pela Famema.

Além disso, é citado no documento que o orçamento da Fumes passou de R$ 34 milhões em 2008 para R$ 147 milhões neste ano de 2012, sem que haja explicação para o acréscimo ou melhoria nos serviços de saúde.

Inclusive o relatório destaca ainda que o referenciamento (referência e contrarreferência) do atendimento ao Pronto- Socorro pela rede de atenção básica de Marília  feito em 2009, sobrecarregou toda a  logística de funcionamento da mesma.

Outra irregularidade citada durante a leitura do documento está relacionada ao custeio de diárias de viagens. Conforme as investigações, algumas das viagens pagas não tinham vínculo com a área da saúde, chegando, inclusive, a custear ida a jogos de futebol.

Gratificação paga a um docente da diretoria geral em 2006, antes da “cooperação” entre Fumes e Famar, também é apontada como irregular.

O relatório informa que foi pago R$ 44,6 mil a um vice-diretor, mas que, de acordo com o estatuto da Fumes, é vedada qualquer vantagem ou benefício aos diretores da mesma.

Apenas a um servidor, de acordo com o levantado pela comissão,  foram pagas 275 horas extras, em apenas um mês.

Segundo os vereadores que integram a CPI, esse trabalhador teria que ter feito “uma força extra-humana” para conseguir cumprir essas horas.

A comissão pede que, após a aprovação do relatório final pela Câmara, a cláusula de “cooperação” entre Fumes e  Famar  seja considerada inexistente e nula,  e o prefeito Ticiano Toffoli nomeie um interventor para ser o gestor da Fumes, e ainda que se realize  urgentemente auditoria geral na mesma  para posterior intervenção municipal.

Cópias do relatório serão encaminhadas ainda ao Ministério da Saúde, MPF (Ministério Público Federal), Ministério Público Estadual (MP),  e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin para que possa também nomear interventor estadual na Famema, autarquia estadual gerida pelos docentes da Fumes e Famar, para transição entre essa diretoria geral e a nova diretoria a ser nomeada pelo governador de São Paulo.

A CPI da Fumes iniciou às investigações em 01/10/2009- composta pelos vereadores Wilson Damasceno, Mario Coraíni Júnior e Eduardo Gimenes.

A Fumes interrompeu  a investigação com Mandado de Segurança.

A Fumes pressionou a Câmara  Municipal para não ser  investigada.

O jornalista Jocelin Machado publicou no editorial do Jornal da Manhã que a CPI precisava investigar a Fumes.

A Fumes conseguiu um primeiro Mandado de Segurança em 14/10/2009 para impedir a CPI .

A Fumes conseguiu liminar em um segundo Mandado de Segurança e interrompeu as investigações da CPI.

À época, em 10/06/2010 a Direção da Famema disse não haver motivo para investigar a Fumes.

A ONG Matra também publicou sobre a segunda liminar por meio de Mandado de Segurança  em 21/07/2010 impedindo a CPI da Fumes.

Em maio de 2011 , a juíza de Direito Ângela Martinez Heinrich  da 5ª Vara Cível de Marília cassou a liminar do segundo Mandado de Segurança obtido em julho de 2010, e autorizou as investigações da CPI  durante o segundo semestre de 2011, e 2012, sendo o relatório final apresentado dia 05-12-2012.

A composição dos vereadores da segunda CPI da Fumes, diferente da primeira CPI, teve uma alteração:  a saída do vereador Mario Coraíni Júnior e a entrada do vereador Lázaro Júnior(relator).

Após a CPI ser retomada, em maio de 2011, membros colheram depoimentos e contrataram o perito contábil Dorival Venciguera para analisar a aplicação dos repasses estaduais à instituição, além de pareceres  informados pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo).

A ONG Matra divulgou em sua Rádio Matra-30-08-2912-  a última reunião dos membros da CPI, antes da leitura final que ocorreu dia 05-12-2012.

O presidente da CPI, Eduardo Gimenes, falou em sessão ordinária da Câmara Municipal de Marília, em 12-09-2011, da necessidade de se investigar a Fumes.

Mesmo com a cassação do Mandado de Segurança em 2011,  a Fumes tentou outro recurso- Agravo de Instrumento- com efeito suspensivo e devolutivo sobre a decisão da Juíza Angela Martinez Heinrich (decisão interlocutória).

O Tribunal de Justiça de São Paulo não aceitou o efeito suspensivo, e por isso a CPI da Fumes pode prosseguir.

Somente do SUS a entidade deve receber em 2013, R$ 92 milhões, conforme orçamento aprovado no início da semana- dia 03-12-2012. De 2006 a 2010, período analisado pela CPI, o valor repassado para a Fumes saltou de R$ 34,6 milhões para R$ 86 milhões.

Atualmente, a Famar realiza pagamento de funcionários  e outras despesas, porém é a Fumes que  é oficialmente a entidade que recebe os recursos do SUS (federal, estadual e municipal).

Um imbróglio jurídico.

“A Famar deveria apenas apoiar a Fumes como determinado no termo de cooperação, mas pelos documentos está comprovado que se utilizou da estrutura e até mesmo CNPJ da mesma para firmar convênio com o SUS (Sistema Único de Saúde)”, comenta o relator Júnior.

Os documentos apontam que o capital da Famar seria de R$ 10 mil, e como foi averiguado pessoalmente pelos membros da CPI, não há  estrutura física e logística da Famar para o  gerenciamento dessas verbas públicas.

Os jornais de Marília e região publicaram o relatório final:

Jornal O Diário de Marília.

A Rede Bom Dia.

O Jornal da Manhã.

A Matra- Marília Transparente.

O jornalista José Ursílio em seu blog comentou o relatório final da CPI da Fumes com o título “Caixa Preta: CPI mostra irregularidades e aponta intervenção para salvar a Famema”

O vereador Wilson Damasceno um dos líderes da CPI da Fumes, assim se pronuncou no transcorrer da CPI em 18/06/2012, quando a direção geral da faculdade qualificou os vereadores da  mesma com adjetivos nada elogiosos.

No início do ano de 2012, em 21/01/2012 a direção da Fumes afirmou que as acusações investigadas pela CPI da Fumes eram levianas.

Para a ONG Matra, a direção da Fumes assim se pronunciou em 10/06/2010, ou seja, quase dois e meio antes da data de encerramento do relatório final lido na sala Nassib Cury em 05/12/2012.

O Ministério da Saúde também publicou em sua  Saúde na mídia- página 66  em 11/09/2012.

O relatório final da CPI lido pelo vereador relator Lázaro  Júnior  na íntegra com exclusividade dos leitores do blog.

Após a leitura do relatório  final da CPI da Fumes, os jornais televisivos em duas TV(s) locais,  agrupadas a rede Net Marília (TV a Cabo), divulgaram o relatório em duas matérias jornalísticas.

Canal 4 – TV Marília.

Canal 13 – TV Comunitária.

O blog não tem o condão de criar fatos, difamar ou caluniar quem quer que seja, mas reitera apenas que o Poder Legislativo de Marília, e o Poder Executivo local representado pelo atual prefeito ou o próximo prefeito em 2013 proponha intervenção municipal, sob penas das dívidas previdenciárias e trabalhistas serem repassadas à Prefeitura Municipal de Marília, pois a Fumes -fundação de direito público- foi criada no anos 60  pelo ex-prefeito Armando Biava para suporte e gerenciamento da Famema criada,  à época,  pelo ex-governador do Estado de São Paulo Ademar de Barros.

CPI da Fumes chegou ao fim !

“A lição é a seguinte: nunca desista, nunca, nunca, nunca. Em nada.  Grande ou pequeno, importante ou não. Nunca desista. Nunca se renda à força, nunca se renda ao poder aparentemente esmagador do inimigo”.

Winston Churchill

Ser um médico no Brasil. Um sacerdócio permanente!

dia do medico 3Os médicos têm razões, sim, para celebrar o seu dia (18 de outubro).

Nos últimos anos, a categoria mostrou força com grandes mobilizações em todo o país.

Unidos, buscam melhorias nas condições de trabalho, financiamento adequado para o setor e qualificação da assistência.

São reconhecidos pela forma inovadora como se dedicam à análise de temas complexos, dando parâmetros importantes para todos.

As pesquisas dos últimos anos revelam a credibilidade da categoria.

A maioria dos brasileiros avalia o atendimento do último médico visitado como excelente ou muito bom (57%). Na rede pública de assistência, 50% dos pacientes consideraram o atendimento excelente ou muito bom.

No grupo dos que consultam médicos credenciados a planos de saúde, 70% sustentam essa avaliação.

Quando o atendimento é particular, o índice sobe para 73%.

Estes são os números indicados no relatório final de pesquisa realizada no Brasil pelo Ibope Inteligência entre agosto e setembro de 2011, em parceria com a Worldwide Independent Network Research (WIN).

Sobre a confiança, o médico está na terceira profissão com mais credibilidade no mundo (84%), atrás apenas dos bombeiros e carteiros – dados coletados de pesquisa realizada pelo instituto alemão GFK em 19 países. No Brasil, os médicos apontaram uma média ainda melhor: 87% dos brasileiros dizem confiar no seu médico.

A criação e o estabelecimento do SUS foi o ápice de uma luta para a conquista, pelo povo brasileiro, de um sistema que encerra os princípios da universalidade, equidade e integralidade.

Ainda são muitos, porém, os problemas e os desafios do setor. Mas os médicos brasileiros seguem tendo papel importante na busca de soluções para tais questões.

Entre os maiores entraves, estão a desigual distribuição de profissionais pelo território brasileiro e entre os setores privado e público, além do subfinanciamento do SUS e sua falta de infraestrutura.

“Amar ao próximo como a si mesmo.”

Nenhum profissional desempenha com tanto rigor este mandamento como os médicos, a quem confiamos nossas vidas nos momentos mais difíceis.

Por isso, assim como o magistrado, o exercício da medicina deve ser exercido por profissionais capacitados, pois se trata de uma das profissões mais nobres e requisitadas por nossa população.

A medicina é uma profissão invejável.

Como poderia um médico deixar de comemorar o seu dia, por conta de quaisquer dificuldades.

A questão talvez seja de enfoque.

Dificuldades certamente existem, mas são inerentes a todas as profissões.

As variáveis positivas certamente que são em número muito maior do que aquelas que poderíamos chamar de negativas.

Não fiquei rico com a medicina, nem ficarei mais aos 48 anos, até porque fiz a opção de ser docente, um servidor público…

Filho de Emilia Sanches Marchioli e Silvio Marchioli  (in memorian), nasci em Marília, e posso dizer que ser médico já valeu a minha existência nessa vida.

Meus pais nem tiveram ensino fundamental.

Contudo, aprendi que antes de ser médico se deve ter caráter !

Ser profissional com dedicação à profissão, e ter ética cristã no dia a dia.

Segredos que passo aos colegas de profissão, e de docência em universidades.

Ensinar e cuidar !

Parabéns a todos os médicos pelo seu dia !

O Dia do Médico !

dia do medico 2

“O médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe”.

Abel Salazar

Não à formação de médicos no Brasil sem qualificação para o exercício da medicina !

adib jatene 2Adib Jatene pode deixar comissão do MEC por discordar da abertura indiscriminada de escolas.

Aos 83 anos de vida e quase 60 de medicina,  Adib Jatene é uma referência para os médicos brasileiros na prática clínica, cirúrgica e no ensino médico.

A formação médica, tema desta entrevista, o fez voltar a participar do governo federal em 2008, 12 anos depois de exercer pela terceira vez o cargo de ministro da Saúde.

Mas agora a continuidade desta participação depende de uma improvável sintonia fina. De um lado, os especialistas que defendem critérios e fiscalização para garantir a qualidade das escolas médicas no país. Do outro, o Ministério da Educação, cujas decisões parecem caminhar na direção oposta.

Conheça agora os motivos desta discordância e as opiniões, sempre francas e contundentes, do professor Adib a este respeito.

O senhor continua presidindo a comissão de especialistas, ligada ao MEC, que avalia as escolas médicas?
Continuo. Mas, em função das posições divergentes entre os membros da comissão e o ministério, solicitei recentemente ao ministro [Aloizio Mercadante], durante uma reunião, que a comissão fosse encerrada. Ele não aceitou, pediu que fizéssemos mais uma reunião, que será marcada proximamente, e nos garantiu que, até lá, nenhuma nova escola será autorizada.

Quais motivos o levaram a pedir o fim da comissão?
Em 1996, havia 84 escolas médicas; em 2011, já eram 187. São 103 novas escolas em 16 anos, o que é inconcebível. No último dia 5 de junho, o governo permitiu a abertura de mais nove cursos privados de medicina e autorizou que outros 19 em universidade federais fossem implantados após avaliação.

É impossível garantir corpo docente condizente e hospitais-escola nesta quantidade. O artifício que as faculdades têm utilizado é firmar convênios com hospitais assistenciais para lá treinar os alunos, o que é absolutamente inadequado.
Um dos objetivos da comissão era justamente estabelecer critérios mínimos para a abertura de escolas? Por fim, estes acabaram não sendo respeitados…

Em relação às 17 escolas mal avaliadas no Enade [Exame Nacional de Desempenho de Estudantes] em 2008, pelo menos dois membros da comissão visitaram cada uma delas, entrevistaram professores, alunos, vistoriaram a infraestrutura e encontramos muitos problemas.

Em Rondônia, por exemplo, a faculdade de medicina da universidade federal tinha convênio com o único hospital público. Depois abriram mais duas escolas com 100 vagas cada tendo como campo de ensino prático o mesmo hospital. Como a comissão não tinha poderes para determinar o fechamento de escolas, o que fizemos foi reduzir o número de vagas. Mas, na sequência, o Conselho Nacional de Educação restituiu essas vagas, à revelia da comissão, o que nos fez denunciar esta situação à opinião pública.

Existe um verdadeiro lobby pela abertura de novas escolas. O governo coloca que o atual número de médicos no Brasil é insuficiente. Diante da dificuldade de atrair profissionais de medicina para a Estratégia de Saúde da Família, o governo passou a apoiar a “importação” de médicos. Foi criado o programa Revalida, com critérios uniformes para a revalidação dos diplomas expedidos no exterior, mas poucos candidatos conseguiram aprovação. Agora o governo quer minimizar esses requisitos ou permitir que esses médicos comecem a atuar sob supervisão por um período de dois anos até conseguirem a revalidação, o que é inaceitável. Então, se o ministério caminha numa direção e a comissão em outra, esta não pode ser a sua assessora.

A que atribui este lobby pela abertura de escolas? Aos interesses econômicos das instituições?
À busca de prestígio para a universidade ou a cidade. Como está sendo fácil, todo mundo quer ter uma escola de medicina. A pressão é muito grande; há dezenas de pedidos. É absolutamente inconveniente que os cursos sejam criados dessa forma. O Brasil não precisa de qualquer médico, mas de profissionais efetivamente preparados para tratar a população. A própria visão sobre a residência médica está equivocada. Ela forma especialistas. Com o foco precoce na especialidade, durante a graduação o aluno já se orienta para aquela área escolhida em detrimento das demais.

Por isso, tenho defendido o estabelecimento de um pré-requisito para o ingresso na residência, que seria a atuação por dois anos na Estratégia de Saúde da Família, supervisionado pela sua escola, com o objetivo de que esta também tenha a responsabilidade de formar médicos para o atendimento da população sem dependência de alta tecnologia. Isso seria primordial porque ocorre uma grave distorção atualmente. Os professores são todos especialistas, mas professores especialistas são necessários na pós, não na graduação, quando se deve formar o médico com visão geral e profunda das principais questões da assistência à população. Essa super especialização está gerando enorme desperdício de recursos, como o colosso de exames desnecessários, e dificulta o atendimento, porque o indivíduo só consegue ter seu problema resolvido depois de passar por três ou quatro médicos.

As entidades médicas estão mais preocupadas em discutir a qualidade da formação dos profissionais do que a quantidade. Está de acordo com este ponto de vista?
Sim. Quando as entidades médicas se pronunciam a este respeito, infelizmente são vistas por alguns como corporativistas, defensoras de reserva de mercado, mas claro que não é isso. As entidades querem médicos bem preparados para atender a população, que não coloquem os pacientes em risco e nem a si próprios, tendo em vista as responsabilidades do profissional. E não compactuam com essa ideia absurda de aumentar a quantidade de médicos a qualquer custo.

Como avalia o ensino médico no Brasil?
Eu me formei em 1953, quando só havia raio-X, eletrocardiograma e poucos exames laboratoriais, e o curso era de seis anos. Com todo o enorme avanço técnico e científico ocorrido desde então, a graduação de medicina continua em seis anos. Há certa perplexidade sobre o que ensinar para os alunos. Na minha visão, deve ser ensinado de todas as especialidades o que o médico prático não pode deixar de saber. E bem ensinado. É fundamental haver critérios para a abertura de escolas médicas. A recém-criada Faculdade Santa Marcelina é um exemplo positivo, pois está ligada a um hospital de mais de 700 leitos, grande volume de atendimento de emergência, tem ambulatório de especialidades, mais de 200 equipes de Saúde da Família, administra outros três hospitais (Cidade Tiradentes, Itaim Paulista e Itaquaquecetuba). É o ideal para o ensino-aprendizagem. Mas uma universidade que nunca lidou com saúde criar uma faculdade de medicina sem qualquer estrutura é uma distorção inaceitável.

Caso a comissão seja encerrada, pretende continuar militando em prol da qualidade do ensino médico?
Se o MEC aceitar manter a comissão, terá de mudar sua orientação sobre tudo o que já citamos. Caso contrário, procuraremos atuar de outra forma que não na comissão. Todos os integrantes da comissão têm décadas de trabalho nesta área e, justamente por isso, não podem aceitar o que vem ocorrendo. Continuaremos defendendo este ideal, da mesma maneira que as entidades médicas como a APM, a Associação Médica Brasileira, o Conselho Federal de Medicina e os Conselhos Regionais o fazem. Nosso papel lá era verbalizar este posicionamento da classe médica contra a abertura indiscriminada de escolas. Vamos aguardar a decisão final sobre este trabalho.

Fonte: Associação Paulista de Medicina

formação médica

Cefaleias Primárias. Seminário. Curso de Medicina da Famema

Seminário apresentado pelo aluno João Victor Rosssi Galastri do 4º ano do curso de medicina da Famema no Ambulatório Neurovascular-  disciplinas Neurologia e Educação em Ciências da Saúde.

Cefaleias são muito frequentes nos ambulatórios  de Neurologia, e nos últimos anos há inúmeras pesquisas  apontando grandes avanços na fisiopatogenia da Enxaqueca, Tensional e Cefaleia em Salvas.

Um estudo epidemiológico nacional realizado com quase quatro mil pessoas revelou que, entre os brasileiros, 15,2% têm enxaqueca,  13% sofrem de cefaleia tensional e 6,9% de cefaleia crônica diária.

De acordo com o estudo da Sociedade Brasileira de Cefaleia, a dor de cabeça é a razão mais frequente das queixas aos médicos em qualquer parte do mundo, e pode ser classificada em mais de 150 subtipos.

O  mais importante, é descartar causas secundárias para a dor, como infecções, tumores, ou aneurismas.

Dentre os sintomas a serem descartados inicialmente estão as sinusites; problemas dentários; distúrbio na Articulação Têmporo-Mandibular (ATM); distúrbios de visão,  hipertensão e alergias alimentares.

O Ambulatório Neurovascular recebe encaminhamentos de  usuários do SUS de 62 municípios do DRS IX  Estado de São Paulo.

Acidente Vascular Cerebral. Seminário. Curso de Medicina da Famema

dia mundial do avcSeminário apresentado  pelo acadêmico de medicina da 4ª série do curso de medicina da Famema – José Carlos Ignácio Júnior – no Ambulatório  Neurovascular- Ambulatório Mário Covas – disciplinas Neurologia e Educação em Ciências da Saúde abordando o tema AVC.

Infelizmente ainda é a segunda causa de incapacidade laborativa permanente perante o INSS, e grande utilização de recursos pelo SUS no tratamento crônico e agudo.

O diagnóstico precoce com trombolíticos dentro de 4,5 horas do início dos sintomas pode minimizar ou desaparecer as sequelas que normalmente sucedem o AVC.

Há necessidade premente de se criar a Unidade de AVC no Hospital das Clínicas de Marília para a aplicação do trombolítico, o qual já é oferecido pelo Ministério da Saúde.

Os residentes de Neurologia já se capacitaram em vários cursos para o funcionamento da Unidade de AVC.

A cidade de Marília necessita de uma Unidade AVC.

Por que o Hospital das Clínicas ainda não tem sua Unidade AVC ?

stroke unit

Cefaleias Primárias e Secundárias. Seminário. Curso de Medicina da Famema

casal com dorSeminário apresentado pelo acadêmico de medicina Ewerton Teixeira – 4º ano do curso de medicina da Famema- sobre Cefaleias Primárias e Secundárias- Ambulatório de Cefaleia- Ambulatório Mário Covas- disciplinas Neurologia e Educação em Ciências da Saúde.

Uma das queixas mais comuns em ambulatórios de Neurologia e de hospitais privados ou públicos.

O tratamento da crise aguda e a profilaxia avançou nos últimos 20 anos, desde a primeira Classificação Internacional de Cefaleia em 1988.

A fisiopatogenia de todos os tipos de cefaleias primárias e secundárias  passou a ser melhor compreendida pelos pesquisadores da cefaleia em todo o mundo.

Em tese, todas as cefaleias primárias deveriam ser tratadas por todos os clínicos gerais, e não somente pelos neurologistas, mas o que se observa  no dia a dia do Ambulatório de Cefaleia -Mário Covas-Famema é que todas as cefaleias primárias são encaminhadas pela rede de atenção básica.

O Ambulatório de Cefaleia tende todos os usuários encaminhados por médicos que pertencem ao Departamento Regional de Saúde IX do Estado de São Paulo.

mulher com dor de cabeça- quadro