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Anticonvulsivantes. Seminário. Curso de Medicina da Famema

farmacosSeminário apresentado  no dia  10/11/2011 pelo acadêmico de medicina do 4º ano do curso de medicina da Famema- André  Campiolo Boin –  Ambulatório de Neurologia  – Ambulatório Geral Mario Covas- disciplinas Neurologia e Educação em Ciências da Saúde. Excelente revisão sobre os principais  anticonvulsivantes usados no tratamentos da Epilepsia.

Critérios de escolha de drogas antiepilépticas

O tratamento de adultos com drogas anticonvulsivantes, também denominadas drogas antiepiléticas.

De maneira geral não é necessário tratamento prolongado após uma primeira crise epiléptica, devendo, porém ser esta conduta individualizada.

Por outro lado, após uma segunda crise é iniciado o tratamento prolongado com drogas anticonvulsivantes, pois sabe-se que a taxa de recorrência é de 80% a 90%.

O intuito ideal do tratamento, inicialmente seria manter o paciente sem crises, sem efeitos adversos dos medicamentos, e melhor adaptado do ponto de vista psicossocial.

Torna-se necessário esclarecer ao paciente e sua família a programação terapêutica desde o início, e ressaltar a importância da aderência ao tratamento crônico.

Os fatores preditivos de maior taxa de recorrência de crise após uma primeira crise, são:
– presença de déficit neurológico ao nascimento;
– lesão estrutural subjacente;
– idade menor que 16 anos ou maior que 65 anos;
– crises parciais;
– padrão espícula-onda a 3 Hz no eletroencefalograma.

A escolha dos anticonvulsivantes é realizada com base no tipo de crise epilética:
• Crise parcial simples ou complexa: As drogas de escolha são a carbamazepina e a fenitoína. As drogas de segunda linha são fenobarbital, ácido valpróico, primidona, gabapentina, lamotrigina, vigabatrina e topiramato .

• Crise generalizada tônico-clônica: As drogas de escolha são a fenitoína, carbamazepina e ácido valpróico.  As drogas de segunda linha são fenobarbital e primidona.

• Crise generalizada ausência (típica): As drogas de escolha são o ácido valpróico e a etossuximida.  As drogas de segunda linha são clonazepam e acetazolamida.

• Crise generalizada mioclônica: A droga de escolha é o ácido valpróico. As drogas de segunda linha são: clonazepam, fenobarbital, primidona e acetazolamida.

• Crise generalizada atônica: As drogas de escolha são o ácido valpróico e a fenitoína. As drogas de segunda linha são: fenobarbital e clonazepam.

Como princípios gerais, o tratamento inicia com uma única droga, e se necessário com doses crescentes levando em consideração o controle das crises e a presença de efeitos colaterais. Deve-se procurar simplificar o esquema posológico e nunca parar a medicação de modo abrupto.

As características farmacocinéticas servem de base no planejamento terapêutico.

A dosagem leva necessariamente em conta a severidade da epilepsia, avaliada individualmente, para cada paciente.

A utilização de duas ou mais drogas pode ser necessária em casos específicos.

Critérios para retirada de drogas antiepilépticas

O tratamento é prolongado e o tempo mínimo – em anos – de uso de anticonvulsivantes é variável e deverá ser ajustado a cada paciente.

Os fatores preditivos de taxas mais elevadas de recidiva de crises após a retirada da medicação são: idade maior que 16 anos; história de crises mesmo após a introdução de anticonvulsivantes; crises tônico-clônicas; crises mioclônicas; tempo curto de uso de anticonvulsivantes; eletroencefalograma anormal; presença de lesões estruturais na tomografia computadorizada ou na ressonância magnética.

Os pacientes com lesões estruturais subjacentes, nos quais o controle medicamentos das crises foi alcançado com dificuldade têm alta probabilidade de apresentarem crises, caso seja suspensa a medicação.

Lutemos por uma Saúde Pública com qualidade !

Em defesa do SUS !

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Cefaleias Primárias. Seminário. Curso de Medicina na Famema

CEFALEIA - BLASERSeminário apresentando pelo acadêmico André Filipi Aragão sobre Cefaleias Primárias no Ambulatório de Cefaleias- disciplinas de Neurologia e Educação em Ciências da Saúde – Famema.

Discussão abordando alguns tipos de cefaleias, como  cefaleia enxaqueca, cefaleia tensional e cefaleia em salvas, por serem as cefaleias primárias mais frequentes.

Uma revisão interessante  nesta apresentação é a  fisiopatogenia da enxaqueca com explicações da teoria neuronal , bem como aponta como a mesma como determinante principal  da causa da dor nas crises migranosas.

Sem o conhecimento da fisiopatogenia fica extremamente difícil o tratamento adequado tanto na profilaxia como nas crises de migrânea.

Paciente com dor crônica procura o médico não só para alívio do sintoma, mas também porque a dor interfere nas suas atividades diárias, gerando restrições funcionais, sociais, familiares e emocionais.

Independentemente de seu sítio anatômico, afeta a saúde psicológica, o desempenho de responsabilidades e, ainda, reduz a confiança na própria saúde física .

A cefaleia é um sintoma extremamente frequente na população geral, chegando a ser raro encontrar um indivíduo que nunca tenha experimentado uma crise sequer de cefaleia em toda sua vida.

Estima-se que 5% a 10% da população procuram médicos intermitentemente devido à cefaleia .

As cefaleias segundo sua etiologia podem ser classificadas em primárias e secundárias.

As cefaleias primárias são as que ocorrem sem etiologia demonstrável pelos exames clínicos ou laboratoriais usuais.

As principais são a enxaqueca, também conhecida como migrânea, a cefaleia do tipo tensional e a cefaleia em salvas.

As cefaleias secundárias são as provocadas por doenças.

Nestes casos, a dor seria consequência de uma doença clínica ou neurológica.

Citam-se como exemplo, as cefaleias associadas às infecções sistêmicas, disfunções endócrinas, intoxicações, meningites, encefalites, hemorragia cerebral, lesões expansivas etc.

É de extrema importância a distinção entre esses dois tipos de cefaleia — primária ou secundária —, pois enquanto as primeiras interferem na qualidade de vida, por serem crônicas, as segundas podem ter complicações graves e mesmo fatais, na dependência da etiologia da doença causadora da cefaleia.

Lutemos por uma Saúde Pública com qualidade !

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Ensino pedagógico ou Sofisma pedagógico nas faculdades que adotaram o PBL made in Brazil? Eis a questão!

ensino em medicinaDiretores de Graduação ao arrepio do bom senso, e sem nenhuma concepção de que toda mudança deve ser feita por toda a comunidade de docentes na implantação do modelo, implantaram o  PBL (Problema Based Learning) ou ABP (Aprendizagem Baseada em Problemas) no modelo de gestão verticalizado, ou seja,  de cima para baixo.

O modelo em total falta de compromisso com o ensino, substituiu o ensino em salas de aulas, extinguiu os laboratórios de fisiologia, farmacologia, imunologia, parasitologia, microbiologia, patologia, histologia, e ainda por fim, extingue os Departamentos de  Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Ginecologia e Obstetrícia, e Pediatria.

Os laboratórios de anatomia nessas faculdades existem, mas com apenas um docente!

Como aluno passei em todos esses Departamentos de Medicina, e noto a ausência nos dias atuais das memoráveis discussões clínicas, reuniões clínicas, apresentação de seminários, visitas às enfermarias, etc.

Outrossim, os Departamentos de Medicina foram extintos nessas faculdades, pois eram constituídos de docentes contrários ao “PBL made in Brasil”,  puro e utópico, como se apresenta no presente  momento nas faculdades de medicina do Brasil ou seja, o professor não ensina, e o aluno deve fazer a busca de seus conhecimentos.

Esse é o lema do “PBL made in Brazil”.

Nada contra o PBL.

Muito interessante em tornar  o aluno ativo no processo ensino-aprendizagem, como em pesquisas, leituras críticas de artigos científicos, análise crítica dos indicadores de saúde do nosso país, etc.

Mas, a ausência de aulas de anatomia, fisiologia, parasitologia, bioquímica, histologia, farmacologia, patologia, imunologia torna o curso sem ensino necessário de temas importantes e necessários na grade curricular.

Mas, o PBL isoladamente, como é aplicado em faculdades de medicina, pública e ou privada, é muito distante daquilo que se possa esperar de eficaz no ensino de um curso de medicina, pois a falta de conteúdos temáticos não oferecidos pela instituição em muitas delas pode  tornar o aluno sem conteúdos mínimos necessários  à formação médica.

Uma reflexão precisa ser feita…

Existem bombeiros, mecânicos de automóveis, pilotos de avião, atletas em nível de competição sem treinamentos específicos e domínio das técnicas a serem utilizadas nos cenários da vida profissional ?

Existem?

Resposta simples – não!reclamação 3

Pois bem..

Como formar médicos sem aulas práticas em laboratórios, sem conteúdos temáticos mínimos para a boa prática médica, sem professores da instituição  (e não “professores colaboradores” da rede de atenção básica como ocorre no presente momento)  supervisionando os alunos em estágios  dessas faculdades.

A vida é um bem indisponível, e não  se  pode  formar médicos sem conhecimento mínimo para o exercício profissional.

A competência só ocorre em cada ato do profissional médico, quando se exige do mesmo a aquisição de sólidos conhecimentos de medicina, de habilidade psicomotora, e de relação interpessoal.

Relação interpessoal adequada é ser ético, e não ser omisso, negligente e imprudente na vida profissional do médico.

reclamação 2Nada contra o ensino do PBL em alguns cenários de ensino-aprendizagem, mas o PBL aplicado e implementado  em muitas faculdades de medicina não se  pode aceitar.

É anacrônico.

A ferramenta  de ensino transformou- se em filosofia de ensino, e não em ferramenta pedagógica.

reclamação 1

Assim, é que toda discussão em estágio com  alunos, as apostilas do Med Curso são sacadas de suas mochilas, e apresentadas como ponto de partida da discussão.

Essa é a realidade…

Nua e crua.

É certo que os docentes mais antigos  estão sendo substituídos por “facilitadores de ensino”, e , ainda, acabam perdendo espaços na instituição pelos “professores colaboradores”, sem Residência Médica, e que trabalham em USF, sem especialização médica, e se tornaram da noite para o dia os docentes que ministram “PBL made in Brazil”.

É surreal…

Anacrônico…

Sofismático!

Para os admiradores do modelo vigente, logo se pode esperar uma promoção – uma coordenação de curso-, visto que os coordenadores não são escolhidos pelos seus pares, e  possivelmente uma indicação política na cadeira da Diretoria de Graduação, Coordenação de Enfermagem, Coordenação de Medicina pelo padrão communis opinio, 

reclamação 6Que alunos  lutem pelas melhorias nas instituições de ensino, pois caso contrário maiores decepções no ensino poderão surgir em futuro próximo.

Que se possa oferecer auxílio estudantil para alunos que estão em dificuldades financeiras em valores oferecidos por outras universidades estaduais.

Nosso apoio aos docentes  que ousam discordar do “PBL made in Brazil”,

Não queremos passar por professores omissos (politicamente corretos com o  “Super Pedagogo ou Pedagogo Mor”, embora nunca  fossem orientados para a docência em  oficinas pedagógicas regulares ao longo dos semestres concomitantes ao ensino da graduação).

Antes, a cidadania, a ética, e o prazer de ensinar.

E não fingir ser simpatizante do atual modelo pedagógico com interesses inconfessáveis.

Não ao estelionato pedagógico!

Não ao sofisma pedagógico!

Lembro-me de algumas cenas do naufrágio do Titanic, retratadas com muita emoção no filme de James Cameron, estrelado por Leonardo Di Caprio e Kate Winslet: o navio-gigante, afundando aos poucos, depois de ter batido em um iceberg, salvando-se alguns poucos que, em botes, ousaram enfrentar o mar gélido e congelante.

Em defesa de ensino com qualidade !

titanic  “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência”.

Rui Barbosa

CPI da Fumes prossegue em 2011 com oitivas e depoimentos

Após as oitivas dos dias 07/10 e 25/10, a CPI que investiga atos administrativos que ocorreram por servidores da  Fumes, estará agendado para o dia 31/10 nova oitiva a ser realizada pelos vereadores que compõem a mesma: Eduardo Gimenes, Wilson Damasceno e  Lázaro da  Cruz.

O não recolhimento de INSS é crime previsto pelo Código Penal, e a Lei 9.983, de 14 de julho de 2000, inseriu no Código Penal Brasileiro por meio do Artigo 168-A o crime de Apropriação Indébita Previdenciária.

O artigo diz que:

 “Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional” – Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Inclusive para os administradores públicos e seus subordinados.

‘Deixar de repassar”, é uma conduta omissiva, ou seja, o que deveria ter sido feito, e não foi, o que afasta a necessidade jurídica  de dificílima  comprovação que é o “animus rem sibi habendi ” (intenção de ter a coisa para si), ou seja, da existência do dolo na apropriação indébita.

Fazer acordos a posteriori (arrependimento posterior, artigo 16 do Código Penal ), às pressas para o pagamento ao INSS, do que lhe é devido, não anula o ilícito produzido, o qual continuará passível de ser punido.

O Estado não pode ficar sem os 500 milhões de reais  pela ausência  de contribuições previdenciárias para o INSS e FGTS, as quais serão essenciais para a saúde, visando o pagamento de aposentadorias e pensões dos segurados do Brasil, ao se considerar  a autarquia de e.

Que as instituições públicas estejam à altura das suas responsabilidades!

Em defesa da impessoalidade, transparência e publicidade nas administrações públicas !

Doença de Parkinson. Seminário. Curso de Medicina da Famema

doença de parkinson - demaisSeminário da Doença de Parkinson  apresentado brilhantemente pela aluna do 4º ano do curso de medicina da Famema Jade Zezzi,  no Ambulatório Neurovascular – Ambulatório Mário Covas- disciplinas  Neurologia e Educação em Ciências da Saúde.

No seminário, discute-se epidemiologia, quadro clínico, semiologia, fisiopatogenia e tratamento clínico.

As doenças incapacitantes promovem grande demanda à Seguridade Social –  Saúde e Assistência Social.

Incapacidades permanentes precoces podem acontecer pelo tratamento inadequado para a Doença de Parkinson, e que por tal motivo leva aos acometidos  apresentarem incapacidade laboral precoce em suas vidas.

O diagnóstico preciso, e a escolha de tratamento com fármacos corretamente indicados, e em dosagens corretas ameniza a progressão acelerada da incapacidade motora e a perda cognitiva dos acometidos com tal enfermidade.

A Doença de Parkinson Idiopática é uma doença neurodegenerativa progressiva de várias estruturas e circuitos neuronais.

Em nível bioquímico caracteriza-se fundamental por diminuição do neurotransmissor dopamina no circuito nigroestriatal devido à “morte” de células dopaminérgicas na Substância Nigra Pars Compacta.

Desde a década de 1960, que a medicação que tem como princípio ativo base a levodopa (transformada em dopamina), e mantém-se até à atualidade como a principal e mais eficaz terapêutica na Doença de Parkinson.

Vários estudos têm indicado que os sintomas e sinais centrais (bradicinesia, tremor, rigidez, instabilidade postural) da Doença de Parkinson só se comecem a manifestar quando o sistema nigroestriatal já perdeu entre 40-60% das suas células.

Deste achado científico infere-se que as restantes células neuronais dopaminérgicas têm capacidade compensatória nas fases iniciais da doença.

Esta capacidade compensatória crê-se que derive das células neuronais dopaminérgicas conseguirem armazenar a dopamina, fornecida pela medicação oral, e a “libertarem de forma natural” na fenda sináptica mantendo um normal funcionamento da rede de circuitos envolvidos no controlo de movimentos.

Sendo assim, até estádios avançados da doença, a medicação é satisfatória no controlo sintomático.

No entanto, a neurodegenerescência progride, com cada vez menos células dopaminérgicas, e por conseguinte menor capacidade de armazenamento neuronal de dopamina, e menos capacidade compensatória.

Deste modo, concentrações não constantes de dopamina no sangue vão se refletir em anormal funcionamento da rede neuronal.

O Ambulatório Mario Covas atende os encaminhamentos do Departamento  Regional de Saúde IX do Estado de São Paulo.

Lutemos por uma Saúde Pública com qualidade !

Em defesa do SUS !

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Acervo de livros de faculdades de medicina no Brasil. Atualizado ou histórico?

Close up of books on desk in library.Há limitadíssimo número de exemplares em livros  de disciplinas médicas, tais como: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Saúde Públicas etc.

Sem a aquisição de mais exemplares, torna-se impossível a atualização de conhecimentos com qualidade e atualização necessárias para o aluno de medicina se aprofundar em temas de medicina.

Os alunos esperam ansiosamente aquisição de livros atualizados, e em número suficiente para se utilizarem  dos mesmos para o ensino no processo ensino-aprendizagem, contudo nunca há compra de exemplares pelas faculdades.

A  defesa de metodologias ativas nas instituições públicas  pressupõe, em tese, a contraprestação também ativa das mesmas em fornecer aos alunos acervo de livros satisfatório para as consultas.

Alguns livros dessas bibliotecas são do período pré-histórico.

Sem acervo adequado é impossível a pesquisa em livros atualizados,  e em número suficiente para os alunos da graduação.

Acervo de livros históricos ou acervo de livros atualizados ?

Em defesa do ensino  superior de qualidade nas faculdades públicas e  universidades!

BIBLIOTECA