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Cefaleias Primárias. Anamnese, exame físico e tratamento. Seminário. Curso de Medicina da Famema

dor de cabeça- meninoSeminário apresentando pelos alunos  Juliana Jaime de Souza, Marcos Rezende Junior, Patrícia Millás Ribeiro, Rodolfo Lucas Lins e Valquíria Ferraz de Jesus – alunos do 4º ano do curso de medicina da Faculdade de Medicina de Marília (Famema)- enfatizando as principais características neurológicas das principais cefaleias primárias.

Cefaleia é uma das queixas mais comuns nos serviços de saúde ambulatoriais e de emergência.

Estima-se que, durante toda a vida, 97% de todas as mulheres e 93% de todos os homens apresentarão pelo menos um episódio de dor de cabeça.

Cefaleia é a terceira causa de atendimento nos ambulatórios de clínica médica e a primeira causa de procura pelo neurologista.

Quando se avaliam os principais motivos de atendimento no pronto-socorro (PS), cefaleia está entre os cinco primeiros.

Os motivos da procura ao médico variam desde uma simples explicação para o motivo de ocorrência das cefaleias primárias até a presença de cefaleias incapacitantes, primárias ou secundárias.

A primeira questão que precisa ser entendida pelo médico que atende uma pessoa com queixa de cefaleia é que se trata de uma doença, e também de um sintoma.

De maneira bastante prática, a pergunta que o médico deve responder para si próprio é: trata-se de uma cefaleia primária ou de uma cefaleia secundária?

Cefaleia primária é aquela em que a dor não pode ser atribuída a nenhuma alteração, seja estrutural (tumor, malformação artério-venosa, abscesso cerebral, hidrocefalia, dentre outras), metabólica (hipoglicemia, uremia, hipercapnia, uso de nitratos, dentre outras) ou de outra natureza identificável.

A contrario sensu, aquela dor que é sintoma de uma condição que a justifique, é a chamada cefaleia secundária (por exemplo: cefaleia secundária ao uso de nitratos para o tratamento da insuficiência coronariana; cefaleia secundária à ruptura de um aneurisma intracraniano, cefaleia secundária a meningite, etc.).

De maneira geral, 5% a 10% de todas as cefaleias são secundárias, enquanto a esmagadora maioria é cefaleia primária. Dentre as cefaleias primárias, as três mais frequentes são a enxaqueca, a cefaleia tipo tensional e a cefaleia em salvas ou cefaleia de Horton. Assim, deve ser de domínio de todo o médico o pronto reconhecimento dessas entidades.

Talvez a característica mais marcante das cefaleias primárias seja sua recorrência e estereotipia na apresentação clínica, o que, em geral, não ocorre nas cefaleias secundárias.

Isso ocorre de forma tão consistente que critérios diagnósticos baseados em características clínicas puderam ser estabelecidos.

Em 1988, a Sociedade Internacional de Cefaleia publicou a Classificação e Critérios Diagnósticos das Cefaleias e Algias Faciais, em 2004 sua segunda edição, e 2013 a terceira edição.

Exames Complementares

O exame necessário para investigação varia de acordo com a hipótese considerada. Assim, na suspeita de arterite de células gigantes, o VHS pode ser mais importante que a tomografia computadorizada.

O exame de imagem é exceção no diagnóstico.

Com exceção dos casos de suspeita de sangramento intracraniano e traumatismo de crânio, a ressonância magnética é superior à tomografia computadorizada (TC). No entanto, o menor custo desta última, aliado a sua maior facilidade de realização e disponibilidade, a torna o exame de eleição na maior parte dos casos na unidade de emergência.

Outro exame frequentemente necessário é o líquor. A punção liquórica na unidade de emergência pode estar indicada para a investigação de cefaleia nas seguintes situações:

Cefaleia de início súbito com TC de crânio normal

Cefaleia acompanhada de sinais de infecção

Suspeita de sangramento ou processo inflamatório

Suspeita de hipertensão ou hipotensão intracraniana

Cefaleia associada a déficits de nervos cranianos (quando a TC não esclarecer o diagnóstico e não contraindicar a punção)

Cefaleia em pacientes com neoplasia ou HIV positivos sem lesão intracraniana que contraindique a punção

Como dito anteriormente, de uma forma geral pacientes que preencham critérios para cefaleias primárias e que tenham exame clínico e neurológico normal não necessitam de investigação complementar.

Exceção a esta regra são aqueles pacientes que se apresentem com dor de cabeça com características de cefaleias primárias, mas que têm algum sinal de alerta, ou algum aspecto atípico na apresentação clínica, tais como aura de enxaqueca prolongada (maior que 1 hora) e aura atípica (súbita, estritamente unilateral ou associada a déficits motores, de linguagem ou de nervos cranianos).

 Tabela : Sinais de alerta nas cefaleias

A primeira ou pior Cefaleia da vida do paciente ou Cefaleia de início súbito
Cefaleias de início recente
Cefaleia nova após os 50 anos de idade
Cefaleia associada a alterações do exame neurológico, rebaixamento do nível de consciência, rigidez de nuca ou a febre
Cefaleia nova em paciente com história de neoplasia, infecção pelo HIV ou coagulopatias
Cefaleia após traumatismo de crânio
Cefaleias de esforço
Cefaleias progressivas ou refratárias ao tratamento

 

Algoritmo

Esquemas terapêuticos podem ser administrados havendo espaço para flexibilidade, e associações de drogas.

A escolha deve depender de opções individuais, da intensidade da dor, da disponibilidade, da tolerância e das contraindicações específicas para cada paciente, não havendo regras definitivas.

Muito se discute atualmente se o tratamento sintomático deve ser passo a passo, utilizando drogas progressivamente mais potentes, ou se deve ser estratificado, optando-se em cada paciente pela droga mais adequada conforme a intensidade e o pico de desenvolvimento da dor. Hospitalização para hidratação endovenosa pode ocorrer se o paciente estiver muito prostrado como costuma acontecer no estado de mal enxaquecoso.

O Ambulatório de Cefaleia atende usuários do SUS do Departamento Regional  de Saúde IX do Estado de São Paulo.

dor de cabeça- mulher

Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. Seminário. Curso de Medicina da Famema

Seminário apresentado pelos alunos  Jéssica Azevedo Veronesi, Letícia Yassumoto, Miriane Borges Marques, Rafael Marques Domingues e  Thaís Fernanda Silva Almeida Ribeiro – 4º  ano do curso de medicina da Famema – no Ambulatório Neurovascular Famema.

Definição

O Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) é causado pela falta de  irrigação sanguínea em uma área do cérebro por conta da obstrução de uma artéria.

Responsável por 85% dos casos de Acidente Vascular Cerebral, sendo a principal causal de morte e incapacidades no Brasil.

A cada 6 segundos uma pessoa no mundo morre decorrente de um AVC.

Muito raro em crianças.

Acomete jovens, e mais frequentemente idosas.

O AVCI deixa sequelas que podem ser leves, transitórias, graves e incapacitantes.

As mais frequentes são paralisias em membros (superior e ou inferior), perda do campo visual, alterações de memória e afasias.

A falta do sangue, que carrega oxigênio e nutrientes, pode levar à morte neuronal em poucas horas.

Por isso, na suspeita de AVCI, o reconhecimento dos sintomas, e encaminhamento rápido ao hospital é fundamental.

Sintomas

Fraqueza ou adormecimento em apenas um lado do corpo (hemicorpo), dificuldade para falar e/ou entender comandos verbais, dificuldade ao engolir, perda da visão, tontura, desvio da boca, e perda da coordenação motora.

Os sinais acontecem de forma súbita, podendo ser únicos ou combinados.

Fatores de risco

Os fatores de risco para o AVC podem ser considerados modificáveis (controlados com mudanças no estilo de vida ou medicamentos), ou não modificáveis.

O  tabagismo,  hipercolesterolemia, sedentarismo e doenças cardiovasculares, tais como hipertensão arterial e arritmias cardíacas são os principais fatores de risco.

Hipertensos têm quatro a seis vezes mais chances de terem um episódio de AVC.

Isso acontece por conta do enrijecimento dos vasos (arteriosclerose) e aterosclerose (placas de gordura), comuns nos hipertensos, que pode levar à obstrução arterial.

Diabéticos devem controlar as taxas de glicemia capilar e outros fatores de risco, pois o risco de isquemia é duas vezes maior se comparado aos não diabéticos.

Diagnóstico

O diagnóstico e tratamento precoce dependem da rapidez com que o paciente procura o serviço de emergência  médica (Unidades de AVC), o qual deve possuir equipe multidisciplinar treinada no protocolo de atendimento do AVC, e  a existência de tomografia computadorizada disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

O tempo recomendado para o diagnóstico do paciente com AVC, da entrada no setor de emergência até a confirmação por exame de imagem (tomografia ou ressonância magnética) deve ser, no máximo, de 45 minutos.

A tomografia é mais utilizada pela rapidez, e falta de contraindicações para sua realização.

Devem ser realizados também exames complementares, como eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassom doppler de carótidas, doppler transcraniano e exames de laboratório, com a finalidade de identificar a causa da isquemia nos vasos cerebrais.

Tratamento

O tratamento para a desobstrução das artérias consiste na administração de trombolítico, o qual dissolve o coágulo e normaliza o fluxo sanguíneo no cérebro.

O trombolítico deve ser administrado  em até 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas, ou ainda considerar à situação em que o indivíduo foi visto como ausente de sintomas, e posteriormente encontrado com sintomas ao acordar.

O medicamento também pode ser injetado diretamente no interior do coágulo por cateterismo cerebral, com prazo máximo de até 6 horas do início dos sintomas.

Existem cateteres que podem realizar a desobstrução da artéria, sugando ou retirando o trombo, associada ao medicamento trombolítico injetado no coágulo (terapia combinada).

O tratamento com trombolíticos é uma opção terapêutica desde 1995.

Dados mostram que apenas 1% dos acometidos com AVCI recebem o trombolítico no mundo.

Independente da técnica, o fator fundamental para um bom resultado é o tempo.

Quanto menor o tempo entre os sintomas e o tratamento, maiores as chances de recuperação.

Os cuidados realizados nos pacientes pela equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fonoaudiólogos e psicólogos) são os que trazem mais benefícios para os pacientes.

Aplicação da reabilitação deve ser introduzida nos primeiros seis meses após o AVCI.

Prevenção

É indispensável o controle da pressão arterial em níveis inferiores a 120/80 mmHg , controle do diabetes, e redução dos níveis de colesterol.

Doenças cardíacas que promovam arritmias devem ser tratadas para se evitar  tromboembolismo e AVCI.

Praticar exercícios físicos regulares e manter alimentação adequada devem ser orientadas na prevenção primária e secundária.

O que fazer diante da suspeita de AVC?

A identificação rápida dos sintomas é muito importante para o diagnóstico e o tratamento adequado, além de redução de incapacidades.

Dirija-se imediatamente a um serviço hospitalar especializado. Não perca tempo!

Cada minuto é importante, pois quanto mais tempo entre o surgimento dos sintomas e o início do tratamento adequado maior a lesão no cérebro.

Serviços de Urgência:

SAMU: 192

avc- sinais

Isso é contra o método ! Surrealismo pedagógico ou Hipocrisia absoluta nas faculdades de medicina !

professor dormindo

Nesse modelo  de ensino “PBL made in Brazil” é proibido ter aulas  magnas, conferências, atividades práticas  em laboratórios de disciplinas básicas, etc.

É um surrealismo !

Ou hipocrisia absoluta !

Ambos !

Existem mecanismos de reprogramar o pensamento, como a programação neurolinguística usada como lavagem cerebral:

O método de submissão pretende produzir mudanças no comportamento da pessoa não se preocupando com suas atitudes ou crenças. Essa abordagem induz ao “Apenas Faça”.

O método da persuasão, ao contrário, pretende mudar a atitude e induz ao “Faça porque isso vai fazer você se sentir bem/feliz/saudável/bem-sucedido”.

Por último, o método de educação (chamado de “método de propaganda” quando não se acredita no que está sendo ensinado) está no topo da influência social e tenta afetar uma mudança nas crenças da pessoa, induzindo a ações do tipo “Faça porque você sabe que é a coisa certa a ser feita”.

Vamos aos quatro mecanismos para implantar um modelo de ensino “Isso é contra o método “:

Primeiro mecanismo de lavagem cerebral:

Surrealismo

Segundo os surrealistas, a arte de ensinar e aprender deve libertar-se das exigências da lógica, e da razão.

Os surrealistas rejeitam a razão e valores como pátria, professor, família, cristianismo, trabalho e honra.

Tudo é relativo na régua moral desses seguidores dessa doutrina.

As ideias conservadoras e o decoro devem ser subvertidos.

Segundo mecanismo de lavagem cerebral:

Maquiavelismo

Invoca para si o pensamento de Maquiavel “pelo que se nota que os homens ou são aliciados ou aniquilados”.

Aniquilar na academia qualquer resistência ao pensamento contrário, usar de tráfico de influência, e se preciso for mentir usando as ferramentas e meios da instituição.

Nesse cenário  hipotético dessa faculdade/universidade de que o ensino deve ser padronizado, hermético, rígido, inflexível  é  notadamente uma afronta  à Constituição Federal do Brasil que aduz em seu artigo 206:

In verbis :

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

III pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; [..]

Ora, se o professor não pode ensinar  pois a faculdade ou universidade impede de lecionar aulas,  haver seminários, e outras ferramentas de ensino, nota-se claramente as duas correntes anteriores:  o surrealismo ( destrói o conservador, os valores, e a lógica) e o maquiavelismo ( aniquilamento de qualquer professor ou aluno contrário ao modelo de ensino implantado).

Terceiro mecanismo de lavagem cerebral:

Avaliação Subjetiva

O  modelo de avaliação é de maneira subjetiva (poder concentrado pelo avaliador), e punindo com conceitos insatisfatórios os opositores ao modelo pedagógico implantado.

Quarto mecanismo de lavagem cerebral:

Cooptação Política

A cooptação é um sistema de  organização pela qual uma instituição nomeia internamente os seus próprios membros, sem dependência de critérios externos.

Caso os três mecanismos anteriores possam falhar,  o que é muito raro, a poderosa cooptação política entra em ação como remunerar bem os defensores do modelo “Isso é contra o método”, com altos valores salariais, e bons cargos, em tempo indeterminado.

“Isso é contra o método”, é na verdade o método que é,  e será sempre, contra o modelo de excelência desejado por alunos e professores comprometidos.

“Isso é contra o método” é o modelo que lembra a “Cosa Nostra” (literalmente, “Coisa Nossa”)!

Alunos inocentes creem no surrealismo implantado, e quando percebem já estão envolvidos na “cartilha ditatorial do isso é contra o método”.

Difícil se libertar e passar incólume aos quatro mecanismos.

Essa é a situação que de descortina em universidade/faculdade em que o ensino é centrado  no aluno, e nada de:  aulas, laboratórios abertos e com atividades práticas, pesquisa e concurso de professores.

Aí posso dizer:

“Isso é contra o ensino de qualidade”.

Os alunos de instituições públicas devem receber excelente formação, e não “gotas de reflexões do biopsicossocial” na grade curricular.

Isso é o marxismo cultural implantado com ares de vanguarda pedagógica.

E é o modus operandi implantado nas faculdades de medicina no modelo “PBL made in Brazil”.

Nosso repúdio a expressão “isso é contra o método” nas faculdades de medicina  no modelo “PBL made in Brazil”!

raiva 2

“Melhor mentira é aquela que é contada para a verdade nos revelar. Como o grito do despertador que nos acorda de um sonho, e ao abrir os olhos, percebemos que, mesmo não nos sentindo preparados, a realidade é mais perfeita que as nuvens surreais da fantasia que decidimos nunca despertar”.

Leandro Machado

Cefaleias Primárias. Seminário. Curso de Medicina da Famema

cefaleia - clusterSeminário apresentado pelos alunos do 4º ano do curso de medicina da Famema –  —Marília Albanezi Bertolazzi, —Lays De Cassia, —Paulo Henrique Viçoti, —Tatiane Nishimura e —Yoichi Konno – discorrendo sobre as cefaleias primárias.

A cefaleia é particularmente comum no cotidiano das unidades que integram a Atenção Básica- UBS (Unidade Básica de Saúde) e USF (Unidade de Saúde da Família).

A cefaleia leva a prejuízos sociais, laborais, emocionais e econômicos.

As cefaleias primárias são as mais comuns, principalmente a cefaleia tensional, seguida pelas cefaleias tipo migrânea e as causadas por infecções sistêmicas agudas.

As cefaleias classificadas como secundárias são menos frequentes, mas que é fundamental o conhecimento dos sinais de alerta que indicam a gravidade da doença causal implicada na crise álgica.

A anamnese é que determina o diagnóstico.

O exame físico é parte importante da avaliação das cefaleias, pois permite detectar ou excluir sinais patognomônicos, e explica os exames complementares.

O tratamento e os cuidados devem levar em conta as necessidades individuais e que, para isso, uma boa comunicação clínica é essencial, incluindo familiares e cuidadores, que devem ser convidados a se envolver na gestão dos cuidados e nos tratamentos propostos.

Em nível de atenção básica, o profissional de saúde deve estar preparado para identificar sinais de gravidade diante de quadros de cefaleia aguda, especialmente quanto aos critérios que indicam a necessidade de referenciar o paciente a outros níveis de atenção.

E, por fim, destaca-se a importância da atuação da equipe multiprofissional nesse primeiro nível de atenção básica ao paciente com cefaleia primária ou secundária.

O Ambulatório Cefaleia  atende encaminhamentos de 62 municípios do Departamento Regional de Saúde IX do Estado de Saúde de São Paulo.

Acidente Vascular Encefálico. Seminário. Curso de Medicina da Famema

AVC -PORTUGALOs alunos Larissa Fernandez Maringolo,  Lucas Fernando de Melo Lima, Natália Canevassi dos Santos,  Renata Alves da Silva e Thiago Luengo Tavares – do 4º ano do curso de medicina da Famema – apresentaram seminário sobre Acidente Vascular Encefálico, no qual se discutiu epidemiologia, diagnóstico por imagem e tratamento clínico.

Verdades no AVE

Pressão arterial e fumo são fatores de risco independentes para AVE, em ambos os sexos.

A associação entre níveis pressóricos e risco de AVE não é linear, e a pressão sistólica prediz mais AVE que pressão diastólica.

Diabetes mellitus confere um risco relativo para AVE em torno de quatro a seis vezes.

A incidência de primeiro AVE é duas vezes maior e mais precoce nos negros que brancos e não é, aparentemente, explicado por classe social.

Risco de AVE é maior com anticoncepcional hormonal (ACO) de alta dosagem que os de baixa.

História pessoal de migrânea associa-se com maior risco de AVE isquêmico.

Mulheres migranosas que usam ACO e fumam apresentaram riscco aumentado de 34,4% para AVE isquêmico.

Até 40% dos AVEs nas mulheres migranosas decorrem diretamente de um episódio de enxaqueca.

Manejo dos fatores de risco (hipertensão, fumo e hiperglicemia) reduz o risco de AVE.

Mudanças nos fatores de risco explicam 71% da queda nos homens e 54%, nas mulheres da mortalidade por AVE.

O Ambulatório Neurovascular recebe encaminhamentos do Departamento Regional de Saúde IX do Estado de São Paulo.

AVC- PRESSÃO

Cefaleias Primárias. Seminário. Curso de Medicina da Famema

CEFALEIA JAPONESA 2Seminário  sobre Cefaleias Primárias apresentado pelos alunos THAILA PINE GONDEK, PAULO SIQUEIRA DO AMARAL, MAYARA BRANCO E SILVA, ISABELA FERNANDES JORGE e LEANDRO HEIDI TSUJI HONDA.

1. Introdução

De modo geral, as cefaleias estão entre os principais motivos que levam a procura de auxílio médico e tanto o seu diagnóstico, como o seu tratamento, são baseados em uma ampla abordagem clínica envolvendo conhecimentos anatômicos, fisiológicos e farmacológicos. que envolvem diferentes vias do sistema nervoso central.

O termo cefaleia primaria é utilizado quando a cefaleia  não apresenta uma causa predisponente.  É uma das grandes causas de incapacitação das atividades diárias e redução da qualidade de vida.

Existem diversos tipos de cefaleias primaria,  mas três delas merecem muita atenção pela frequência e importância na prática clínica:

• Cefaleia tensional
• Enxaqueca ou Migrânea
• Cefaleias autonômicas do trigêmeo (cefaleia em salvas é a principal representante)

2. Cefaleia Tensional

É a causa mais comum de cefaleia primaria, variando de 30-78% de prevalência em diversos estudos.

É caracterizada por um desconforto bilateral, de caráter constritivo, em faixa, com lenta progressão, oscilando em intensidade, sem a presença de náuseas ou vômitos, com duração de 30 minutos a 7 dias e são divididas de acordo com sua frequência em dois grupos:

  •  Cefaleia tensional episódica de baixa frequência
  • Cefaleia tensional episódica de alta frequência
  • Cefaleia tensional Crônica

2.1. Cefaleia Tensional de Baixa Frequência

De pouco impacto na vida social dos pacientes, esse tipo de cefaleia não é alvo de grandes atenções na prática clínica.

Seu diagnóstico é definido pela International Classification of Headache Disorders II (ICHD-II) de acordo com os critérios abaixo:

Presença de no mínimo 10 episódios/ano, ocorrendo menos de uma vez ao mês preenchendo os demais critérios.
Duração de 30 minutos a 7 dias
Apresentar no mínimo duas das características a seguir: localização bilateral; qualidade em aperto; leve a moderada intensidade; ausência de agravamento por exercícios de rotina.
Não apresentar náuseas ou vômitos e ser acompanhada de apenas fono ou fotofobia

2.2. Cefaleia Tensional de Alta Frequência

Diferentemente da cefaleia de baixa frequência, pacientes com varias crises de repetição de cefaleia tensional tendem a apresentar maior frequência.

De acordo com a ICHD-II, o diagnóstico de cefaleia tensional de alta frequência difere somente no que tange ao número de episódios sendo caracterizada por mais de 1 episódio e menos do que 15 durante um mês.

2.3. Cefaleia Tensional Crônica

Aqui o caráter incapacitante é ainda mais pronunciado e novamente a única diferença de critério é o número de crises.

Para ser definida como crônica, a cefaleia tensional precisa ocorrer mais do que 15 vezes ao mês (> 180 dias por ano).

2.4. Tratamento

O tratamento abortivo das crises agudas pode ser realizado com analgésicos simples como paracetamol, dipirona ou AINEs.

Técnicas de relaxamento, acupuntura, e uma abordagem comportamental são muitas vezes efetivas apesar de não reduzir todas as crises.

Para a prevenção de crises nos casos de cefaleia tensional episódica de alta frequência ou de cefaleia tensional crônica, os antidepressivos tricíclicos são muito eficazes.

3. Enxaqueca

É uma grande causa de incapacidade.

A OMS caracteriza a enxaqueca como a 19ª doença mais incapacitante do mundo, muito em função de sua alta prevalência e elevados custos socioeconômicos.

Atinge 15% das mulheres e 6% dos homens sendo a história familiar positiva em grande parte dos casos.

De modo geral a sua apresentação clínica se dá como uma dor unilateral, de caráter pulsátil, de intensidade moderada a severa, sendo agravada por estímulos externos bem com atividades físicas diárias e associada a outros sintomas como náuseas e ou vômitos.

Suas crises duram de 4 a 72 horas e muitas vezes fatores ambientais, de estresse ou até mesmo alterações hormonais durante o ciclo menstrual são reconhecidos como gatilhos para as crises.

O uso de contraceptivo oral pode agravar a frequência e intensidade da dor.

Para fins didáticos a migrânea ou enxaqueca pode ser dividida em dois grandes grupos: a enxaqueca com aura e a enxaqueca sem aura.

O termo aura nada mais é do que a presença de sintomas neurológicos focais que precedem em até 1 hora, ou até mesmo acompanham por algumas horas o quadro de cefaleia.

3.1. Enxaqueca sem Aura

É o subtipo mais comum de enxaqueca e também o mais relacionado à incapacidade, tem uma estrita relação com o ciclo menstrual e classificação das crises de acordo com a frequência em esporádica e crônica é bastante usual.

Seus critérios diagnósticos segundo a ICHD-II são:

5 episódios de crise preenchendo os critérios abaixo
Crises durando de 4 a 72 horas
Pelo menos 2 dos sintomas a seguir: localização unilateral; caráter pulsátil; moderada a severa intensidade; agravado ou causado por alguma atividade do cotidiano
Durante a crise um dos seguintes sintomas: náuseas e/ou vômitos e fono e fotofobia

3.2. Enxaqueca com Aura

Esse tipo de enxaqueca é acompanhado de um sintoma neurológico focal que se desenvolve gradualmente em 5-20 minutos e dura menos do que 60 minutos.

De maneira geral sua característica clínica é semelhante às crises sem aura e seu diagnostico pela ICHD-II é feito pelo preenchimento dos critérios anteriores associados a aura.

3.3. Tratamento

Para abortamento das crises agudas diversos fármacos podem ser utilizados, e variam desde AINEs associado a analgésicos, ou ainda  agonistas dos receptores serotoninérgicos como os triptanos.

Nesse ponto devemos lembrar que o uso abusivo de analgésicos pode acabar levando a outro tipo de cefaleia conhecida como cefaleia por abuso de medicamentos na tentativa de abortar a crise de enxaqueca.

Entretanto, naqueles pacientes com mais de 4 crises/ mês indica-se tratamento medicamentoso para profilaxia se torna indicado.

As drogas de escolha são os betabloqueadores como o propranolol e o atenolol, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes e bloqueadores do canal de cálcio.

4. Cefaleia em Salvas

Parte do grupo das cefaleias autonômicas do trigêmeo, e tem frequência de 0,1% da população.

Usualmente acomete pacientes entre 20-40 anos e tem maior prevalência em homens.

Clinicamente é marcada por uma intensa dor causando inquietação e tentativas desesperadas de fazer o estímulo cessar.

É unilateral, em região orbital, supraorbital e temporal com uma duração de 15 a 180 minutos caracterizada por períodos de crise que podem chegar até oito episódios diários.

Junto ao quadro sintomas como lacrimejamento, congestão nasal, rinorreia, ptose palpebral, miose podem aparecer.

A crise pode ser provocada por uso de álcool, histamina, nitroglicerina e outras substâncias.

Os critérios segundo a ICHD-II são os abaixo:

Ao menos 5 crises preenchendo os critérios abaixo
Crises severas, unilaterais, acometendo a região orbital, supraorbital e temporal com duração de 15 a 180 minutos.
Presença de pelo menos um dos demais sintomas: congestão lacrimal ou lacrimejamento; congestão nasal ou rinorreia; edema palpebral; suor facial; miose ou ptose; sensação de agitação.
Crises com frequências de uma a oito vezes ao dia

4.1 Tratamento

O tratamento da crise aguda se faz necessário para rápido alivio sintomático uma vez que a intensidade da dor é severa.

Para esse fim a inalação de oxigênio a 100% é o que se mostra mais eficaz.

O uso de sumatriptano subcutâneo pode ser usado para encurtar a crise.

Logo que feito o diagnóstico o início da terapêutica preventiva deve ser instituída, uma vez que as crises são recorrentes durante um longo período inclusive se repetindo várias vezes ao dia.

A corticoterapia com prednisona por 10 dias interrompe os ciclos de dor.

REFERÊNCIA

The International Classification of Headache disorders 2ªed. Blackwell Publishing 2004

enxaqueca- alien