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Perguntas frequentes no ensino em Cursos de Medicina no Modelo Pedagógico PBL made in Brazil

Selecionamos as dúvidas mais frequentes em alunos que estudam em cursos de medicina no modelo pedagógico PBL.

As mais importantes foram:

1. Como ficam as disciplinas no currículo PBL?

O currículo PBL não é organizado por disciplinas, mas por módulos temáticos.

Estes reúnem temas derivados do conjunto de habilidades e conhecimentos previstos como necessários para a formação do profissional pretendido pelo currículo.

2. O tutor pode ser alguém que não entenda do assunto tratado, um leigo?

Não.

O tutor deve ter conhecimentos específicos sobre o módulo temático, mas não necessita de ser um especialista. O indivíduo sem conhecimentos específicos tende a ser um tutor pobre.

3. Não há aulas no currículo PBL?

Sim.

O método básico de aquisição de conhecimentos em um currículo PBL é o estudo individual dos alunos orientado por discussões de problemas realizadas no grupo tutorial.

4. A infraestrutura para este tipo de currículo é muito cara?

O uso de laboratórios de modelos, de computadores e de boas bibliotecas representa necessidade não desprezível de investimentos.

5. O aluno não é obrigado a estudar?

Em um currículo PBL o aluno tem menos tempo comprometido com atividades formais. Isto possibilita que ele regule melhor seu tempo para os estudos.

6. Os docentes que não são tutores não participam do ensino?

Há várias modalidades de ensino como tutorias, ensino em manequins [laboratório de habilidades], conferências [muito raras],  consultorias.

7. Os alunos não passam pelas disciplinas básicas?

Sim.

Não há a divisão clássica entre ciclo básico e as outras etapas de ensino. Há integração das disciplinas nos temas. O aluno tem de cursar as várias disciplinas para atingir os objetivos de aprendizado traçados nos grupos tutoriais a partir da discussão de problemas.

10. Os alunos tem provas?

Não.

Os alunos são avaliados por conceitos satisfatórios e ou insatisfatórios.

11. O ensino de conteúdos só ocorre por proposição de problemas em um currículo PBL ?

Sim. Eventualmente os conhecimentos poderão ser aprofundados através de uma conferência oportunamente oferecida.

Vanguarda pedagógica ou estelionato pedagógico no “PBL made in Brazil” ?

Na luta pelo ensino superior em cursos de medicina com qualidade.

“A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”.

Seneca

PBL em Cursos de Medicina ou Aprendizagem Baseada em Problemas: o mito e a realidade

mito-ou-verdade - pblJoão Ozório R. Neto , Cleize Silveira Cunha,  Cristiane Silveira Cunha, Adriana Novaes Rodrigues, e  Mauro Tavares comentam no artigo Aprendizagem baseada em problemas: o mito e a realidade aspectos relacionados à sua implantação e analisam os resultados disponíveis na literatura sobre as avaliações do processo de ensino e das reais qualidades desta nova metodologia implementada em muitas faculdades de medicina.

Desejo da modernidade ou necessidade pedagógica ?

O artigo foi  publicado em 2011 apontando os reais interesses da implementação do PBL no Brasil, África e América Latina.

Implantando pela política neoliberal que se infiltrou na educação dos cursos superiores

Ensinar e não gastar muito…

Sem professores…

Sem infraestrutura.

A “Mão Invisível” de  Adam Smith  no ensino superior…

O pai da economia moderna, e considerado o mais importante teórico do liberalismo econômico.

Uma investigação sobre a natureza e a causa das riquezas das nações.

Essa obra continua sendo usada como referência para gerações de economistas, na qual procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da atuação de indivíduos que, movidos  notadamente pelo seu próprio interesse, promoviam o crescimento econômico e a inovação tecnológica.

Adam Smith parece agora encontrar discípulos na educação superior…

No PBL do Brasil.

Em sua conclusão afinal o artigo aduz:

“Importa uma palavra de cautela na avaliação rápida e superficial do novo, em tempos de mundo globalizado, com imensos interesses econômicos em jogo diariamente. Não é possível vislumbrar a possibilidade de libertação do mercado, nem com as reflexões filosóficas de educadores do terceiro mundo, muito menos com o pensamento romântico de filósofos franceses encarregados de pensar a educação. Tudo faz parte do mesmo jogo estratégico macroeconômico cuja única finalidade é o lucro financeiro a qualquer custo”.

Em defesa de ensino superior com qualidade!

PBL aluno

“A suprema arte do professor é despertar a alegria na expressão criativa do conhecimento, dar liberdade para que cada estudante desenvolva sua forma de pensar e entender o mundo, assim criamos pensadores, cientistas e artistas que expressarão em seus trabalhos aquilo que aprenderam com seus mestres.”

Albert Einstein

PBL made in Brazil aplicado em cursos de medicina

pbl- aluna estudando“O PBL made in Brazil” é realmente uma ferramenta poderosa no modelo ensino-aprendizagem ou  fiasco pedagógico!

Pelo que observo é realizado sem aulas magnas e sem atividades práticas no laboratórios da faculdade de medicina.

Tudo substituído por casos clínicos, nos quais os alunos buscam respostas para as questões de aprendizagem.

Infelizmente não aprenderão anatomia, histologia, fisiologia, patologia, parasitologia,  bioquímica, farmacologia em laboratórios de ensino-aprendizagem.

Certamente esses alunos tentarão buscar conteúdos em Med Curso e SJT.

Mas, os cursos preparatórios não oferecem atividades práticas.

Os alunos não terão conteúdos de Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Ginecologia e Obstetrícia e Pediatria no internato.

Aulas magnas extintas!

Enfim,  nunca saberão a fisiopatologia das doenças, embora possam aventar a tese de que são mais humanistas na relação médico-paciente.

Humanistas, mas sem conteúdos de medicina !

Fico imaginando um piloto de aviação comercial, como por exemplo, a  ponte aérea Rio-São Paulo, muito simpático, boa conversa, extremamente solícito com a tripulação, mas quando você se assenta em sua poltrona, ele afirma:

“Eu não sei conteúdos/protocolos da escola de aviação comercial, mas vamos ver o que será esse próximo voo…”.

A analogia é provocativa para mostrar ao leitor do blog  que não existe a segunda chance na pilotagem de uma aviação comercial, nem tampouco em salvar uma vida humana.

A tripulação morrerá, e o paciente também…

Enumeramos causas do insucesso no ensino-aprendizagem:

  1. falta de motivação do estudante;
  2. enfraquecimento do ensino das cadeiras básicas;
  3. ausência de avaliação rigorosa na qual se julgue a capacidade do aluno raciocinar usando seus conhecimentos e não sua memória;
  4. ensino descartável – o aluno não é cobrado pelos conhecimentos que ele deveria ter adquirido durante os seus cursos anteriores;
  5. ensino baseado em diagnóstico e conduta e não em entendimento dos mecanismos básicos das diferentes doenças e  das alterações por elas provocadas;
  6. despreparo dos docentes; e
  7. ausência de mecanismos que facilitem e obriguem o médico já formado a participar de programas de educação continuada.

 

A McMaster University , um dos berços do PBL, exige como pré requisito absoluto “a minimum of 3 years of university undergraduate degree level work”.

A seleção é feita através de duas entrevistas diferentes: “Simulated Tutorial” e “Personal Interview”.

Na primeira é avaliada a capacidade do grupo de discutir um problema ou situação de saúde e na segunda dentre vários itens avalia-se  a capacidade de adaptação do indivíduo ao programa da McMaster.

Na “Harvard Medical School”, atualmente, existem três programas  diferentes de medicina: o Curso Clássico, o “The New Pathway” e o “HST”.

O “New Pathway Program” adota um sistema muito parecido com o PBL. Para admissão nesse curso exige-se além de três anos de curso universitário (como no curso tradicional), no mínimo mais 16 créditos em cursos  “não científico”, porém “students are rarely accept to the New Pathway Program  without a bachelor’s degree”.

Ao se analisar estes dados pode se deduzir  que a McMaster considera que nem  todos os alunos se amoldam  a este tipo de aprendizado, uma vez que um dos objetivos explicito da entrevista pessoal é o de avaliar se o futuro aluno tem condições de se adaptar ao PBL.

A Harvard Medical School é mais exigente em termos de seleção para os alunos do “New Pathway Program” do que para o programa clássico.

Pelo exposto pode-se ver que os alunos  que são expostos ao PBL difere muito daqueles  que entram na escola de medicina no Brasil.

Outra diferença básica do PBL é o modo como as diferentes matérias são distribuídas durante o curso.

Assim por exemplo  no Módulo Doenças Neurológicas, o aluno vai aprender neuroanatomia, semiologia, fisiopatologia , quadro clínico e tratamento.

Em uma uma situação dessas, tanto os professores como os alunos darão muito mais importância para os temas ligados a diagnóstico e tratamento do que para a fisiopatologia e semiologia.

Isso vai levar, ao longo do tempo, a menor ênfase no estudo das cadeiras básicas fazendo com que falte ao aluno o substrato do conhecimento necessário ao raciocínio clínico, ou seja, fisiopatologia.

Se quisermos formar o indivíduo que pensa e tem senso crítico um mínimo de conhecimento das cadeiras básicas é fundamental.

Em resumo, em minha compreensão, o nosso aluno quando entra na faculdade de medicina no Brasil não tem a base suficiente para desde o inicio, ser submetido a um programa semelhante ao PBL.

Outro fator complicador é formação dos docentes.

Quando se escolhe qualquer assunto em medicina geralmente existe mais de uma opinião. Assim dependendo do artigo consultado você pode chegar a conclusão que a conduta A é melhor, pior ou igual a conduta B, ou até ter uma opinião C.

Caso o tutor do grupo não tenha uma boa experiência científica será muito difícil o mesmo comparar os resultados dos vários artigos científicos ou livros publicados no tema em discussão.

Docentes sem experiência científica tendem a aceitar como verdade o último trabalho publicado, um dos principais mecanismos de geração de modismos.

Por outro lado os temas publicados em livros textos geralmente são mais abrangentes discutindo os prós e contras de determinado tema em medicina, dando uma visão muito mais ampla do que a leitura de  artigos.

Os artigos científicos devem serem  usados pelo aluno como complementação de aprendizado, e pelo docente como atualização.

Ainda em relação ao docente, o preparo das aulas dos temas  das disciplinas básicas deveria ser ferramenta poderosa de aprendizado de um determinado tema, que corre o risco de ser perdido no PBL.

Semiologia principalmente.

A estrutura da universidade é fundamental para o desenvolvimento do PBL.

Assim nas faculdades onde é implementado o PBL as aulas básicas deverão estar à disposição dos alunos, sob a forma de mídias gravadas,  além de extenso  acervo da biblioteca.

Normalmente as mudanças, em medicina,  que se comprovam eficazes, geralmente têm rápida difusão, e passam a serem  aceitas em questão de alguns anos, em todo mundo como verdade absoluta, e posteriormente não são aprimoradas ou debatidas na instituição.

Em defesa do ensino superior com qualidade!

alunos estudando

 

“Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo”

Michel Foucalt

22 anos de pesquisa não mostrou superioridade do modelo de ensino PBL em relação ao modelo tradicional de ensino em cursos de medicina

pinoquio - nariz à direitaUma pesquisa publicada  recentemente  pela Med Teach. 2010 Jan;32(1):28-35  com análise de 30 trabalhos com a metodologia PBL  (1985-2007 ) não evidenciou superioridade em relação ao modelo tradicional de ensino em cursos de medicina.

A tão propalada superioridade do PBL não foi corroborada por  pesquisadores que avaliaram 30 cursos pré-clínicos nos  Estados Unidos.

Sendo assim, o marketing dos últimos anos em instituições brasileiras parece estar com os dias contados em apontar o PBL muito superior ao modelo tradicional de ensino.

Sem contar que a infraestrutura alienígena é muito superior ao que temos em nossas instituições de ensino superior.

Aos que bafejavam a superioridade insofismável do PBL, o trabalho colocou uma pá de cal nos ufanistas defensores do mesmo.

O “PBL made in Brazil”  parece estar  agora acometido de degenerescência e falácias sofismáticas em seus últimos 22 anos de anos de jornada em faculdades de medicina.

Ensino sem professor !

Ensino sem aulas!

Ensino sem laboratórios  em disciplinas básicas!

As pesquisas mostraram que o modelo PBL não é superior ao modelo tradicional.

Fico imaginando um curso de arqueologia no PBL.

As múmias devem ser manequins a serem retirados dos sarcófagos…

Múmias de resina…

Seria anacrônico…

Imagine o modelo PBL de ensino em uma Academia Militar – curso superior para a formação técnica de delegados e policiais.

Não haveria professor para ensino de leis e aulas de tiros ?

O policial  aprende atirando sozinho sem instrutor ?

Somente ensino  tutorial para formar soldados (incluindo bombeiros que não  precisariam de aulas práticas de natação, rapel etc.) ?

Imagine um urso de piloto de aviação no formato PBL.

Só lendo na biblioteca as apostilas de aviação ?

Sem aulas de voos.

Deve  ser surreal um curso assim…

Enfim, a verdade apareceu.

O modelo tradicional  de ensino ressurge como se  nunca a universidade o tivesse  esquecido.

No mínimo, o ensino tradicional mesclado a pedagogia que se utiliza de métodos ativos de ensino-aprendizagem.

Abandonado jamais !

Os ufanistas defensores do PBL  nos devem uma explicação.

E como devem uma explicação !

Um duro golpe nos defensores do PBL no ensino universitário em cursos de medicina.

O ensino público  superior não pode cair em qualidade.

Ou, ser subjugado por modismos de ensino.

Com ares de vanguarda pedagógica.

Enquanto isso…

A espera que cansa, e que nos adoece a cada dia…

Uma reforma no ensino urgente…

Estamos Perdidos no Espaço (série de sucesso de TV nos anos 60 nos Estados Unidos) ?

Jonatham Harrris, ator dessa série  de TV,  que fazia o personagem do Dr. Smith, talvez pudesse nos ajudar se ainda estivesse vivo.

Dr.  Smith sempre tinha a solução…

“Nada tema, com Smith não há problema”.

Sem  tradução, mas no original:

“Never fear, Smith is here”.

DR SMITH- PERDIDOS NO ESPAÇO“‘Eu não me importo com o que os outros pensam sobre o que eu faço, mas eu me importo muito com o que eu penso sobre o que eu faço. Isso é caráter”.

Theodore Roosevelt