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CPI FUMES. Relatório Final apresentado na sessão ordinária da Câmara Municipal de Marília

A CPI da Fumes apresentou seu Relatório Final, o qual foi lido na sessão plenária ordinária na Câmara Municipal de Marília.

Composta pelos vereadores Eduardo Gimenes (presidente), Wilson Damasceno e Lázaro Júnior (relator), a CPI demorou perto de 18 meses de intensivos trabalhos.

No meio da leitura do relatório final, o vereador José Albuquerque pediu vista dos autos da CPI por cinco dias, o que inviabilizaria a votação  pela sessão plenária ainda nessa sessão legislativa, antes do recesso parlamentar.

Diante de tal pedido, o presidente da Câmara Yoshio Takaoka pediu ao relator que terminasse a leitura, após pedido dos vereadores  Damasceno e Coraíni.

Assim foi feito.

A leitura completa do Relatório Final da CPI da Fumes (relator Lázaro Júnior) foi obtida com exclusividade para os leitores do blog.

Ao final da leitura, o vereador Albuquerque que teve dois anos e meio para se inteirar dos trabalhos da CPI da Fumes, reduziu em seu seu requerimento verbal  para quatro dias.

Será então apreciada no próxima dia 14.

Em sendo assim, o vereador Wilson Damasceno assim se pronunciou temeroso pelo arquivamento da CPI pela manobra política do vereador Albuquerque (trancar a pauta de votação).

O vereador Mario Coraíni também se mostrou inconformado após a leitura do relatório final, quando o vereador Albuquerque pediu vista para impedir a votação pelo plenário da Câmara Municipal por 13 vereadores.

A sociedade de Marília vai ter que esperar por mais três dias.

Dia 14 de dezembro de 2012.

O Dia D para a Saúde Pública de Marília.

“A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado” .

Theodore Roosevelt

CPI da FUMES apontou irregularidades e pede intervenção municipal e estadual

A  CPI  da Fumes (lei municipal  1371-1966- Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília)  mostrou de maneira clara e transparente o que de fato ocorre  na fundação municipal criada nos anos 60, pelo ex-prefeito de Marília,  Armando Biava,  para suporte financeiro da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) criada pela lei 9236/66 pelo então, à época,  governador Ademar Pereira de Barros.

Os vereadores Lázaro da Cruz Júnior, Wilson Damasceno e Eduardo Gimenes protocolaram o documento ontem na Câmara, para que o mesmo seja lido e votado na próxima Sessão Ordinária Camarária, no dia 10 de dezembro.

A CPI que se encerrou dia 05 de dezembro do presente mês com a leitura do relatório pelo vereador Lázaro Júnior, somente foi possível, após a cassação da liminar pela Juíza de Direito – Angela Martinez  Heinrich em 31/05/2011.

Conforme o relatório, que tem cerca de 27 páginas, foram identificadas várias irregularidades no gerenciamento dos serviços do Hospital de Clínicas e Fumes, e ainda pela  Famar (Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília), que assumiu todo o gerenciamento no lugar da Fumes no ano de 2007, após ruptura do contrato entre a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e Fumes no repasse de verbas pelo SUS.

O  Secretário de Saúde Luiz Roberto Barradas, à época, concordou pela urgência em depositar a dotação orçamentária na Famar em 2007.

A Fumes não podia receber esses recursos do SUS.

A Fumes é uma fundação de direito público, a qual  serviu de suporte  para os repasses de verbas do Estado a serem utilizados nos hospitais escolas da Faculdade de Medicina de Marília desde sua criação nos anos 60.

A Famar foi criada como  fundação de direito privado ! Em tese para apoiar a Fumes.

Lázaro Júnior  (relator da  CPI da Fumes) apontou em documentos nos autos da CPI que há  aluguéis de imóveis, pagamento de viagens e contratação de serviços terceirizados de forma irregular, sem cumprir o que determina a Lei das Licitações.

Após a leitura, os parlamentares destacaram que todo o processo envolvendo a administração de recursos da Fumes pela Famar é irregular e ilegal, devendo ser resolvida por meio de intervenção do município como apontou o perito Dorival Venciguera contratado pela Câmara  Municipal de Marília para realizar auditoria na Fumes.

Conforme os parlamentares afirmaram após a leitura do relatório final, se aprovado pelos demais vereadores no dia 10/12/2012, o prefeito  atual ou o próximo prefeito de Marília terá de tomar as providências indicadas pela CPI da Fumes, sob pena de ser alvo de crime de prevaricação previsto no Direito Penal.

Ao mesmo tempo, os documentos  serão enviados ao Ministério Público Estadual e Federal, após aprovação pelo pleno na próxima Sessão Camarária para  que providências criminais e cíveis  sejam imputadas aos responsáveis pelas irregularidades da Fumes.

Conforme as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito, o contrato de cooperação da Fumes (Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília)  pela Famar (Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília), assinado em 2008 é irregular por ter sido feito sem autorização do Poder  Executivo e Poder  Legislativo.

“Para que esse contrato fosse legal, o correto seria ter consultado à Prefeitura Municipal de Marília, e ter sido  enviado o projeto à Câmara Municipal para constituir uma outra  fundação pública para receber posteriormente os valores do SUS para os Hospitais administrados pela Faculdade de Medicina de Marília, e não a Famar que é uma fundação privada, criada ao arrepio do Direito Administrativo, ou ainda ter consultado à Prefeitura e enviado um projeto à Câmara  para abertura de licitação e chamada pública para escolha de uma Organização Social qualificada para assumir a Fumes”, relatou o vereador Wilson Damasceno.

Segundo o relatório da CPI da Fumes, à  época da cooperação, o patrimônio da Famar era de R$ 10 mil e a mesma não tinha estrutura física e administrativa para gerir os hospitais e ambulatórios administrados pela Famema.

Além disso, é citado no documento que o orçamento da Fumes passou de R$ 34 milhões em 2008 para R$ 147 milhões neste ano de 2012, sem que haja explicação para o acréscimo ou melhoria nos serviços de saúde.

Inclusive o relatório destaca ainda que o referenciamento (referência e contrarreferência) do atendimento ao Pronto- Socorro pela rede de atenção básica de Marília  feito em 2009, sobrecarregou toda a  logística de funcionamento da mesma.

Outra irregularidade citada durante a leitura do documento está relacionada ao custeio de diárias de viagens. Conforme as investigações, algumas das viagens pagas não tinham vínculo com a área da saúde, chegando, inclusive, a custear ida a jogos de futebol.

Gratificação paga a um docente da diretoria geral em 2006, antes da “cooperação” entre Fumes e Famar, também é apontada como irregular.

O relatório informa que foi pago R$ 44,6 mil a um vice-diretor, mas que, de acordo com o estatuto da Fumes, é vedada qualquer vantagem ou benefício aos diretores da mesma.

Apenas a um servidor, de acordo com o levantado pela comissão,  foram pagas 275 horas extras, em apenas um mês.

Segundo os vereadores que integram a CPI, esse trabalhador teria que ter feito “uma força extra-humana” para conseguir cumprir essas horas.

A comissão pede que, após a aprovação do relatório final pela Câmara, a cláusula de “cooperação” entre Fumes e  Famar  seja considerada inexistente e nula,  e o prefeito Ticiano Toffoli nomeie um interventor para ser o gestor da Fumes, e ainda que se realize  urgentemente auditoria geral na mesma  para posterior intervenção municipal.

Cópias do relatório serão encaminhadas ainda ao Ministério da Saúde, MPF (Ministério Público Federal), Ministério Público Estadual (MP),  e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin para que possa também nomear interventor estadual na Famema, autarquia estadual gerida pelos docentes da Fumes e Famar, para transição entre essa diretoria geral e a nova diretoria a ser nomeada pelo governador de São Paulo.

A CPI da Fumes iniciou às investigações em 01/10/2009- composta pelos vereadores Wilson Damasceno, Mario Coraíni Júnior e Eduardo Gimenes.

A Fumes interrompeu  a investigação com Mandado de Segurança.

A Fumes pressionou a Câmara  Municipal para não ser  investigada.

O jornalista Jocelin Machado publicou no editorial do Jornal da Manhã que a CPI precisava investigar a Fumes.

A Fumes conseguiu um primeiro Mandado de Segurança em 14/10/2009 para impedir a CPI .

A Fumes conseguiu liminar em um segundo Mandado de Segurança e interrompeu as investigações da CPI.

À época, em 10/06/2010 a Direção da Famema disse não haver motivo para investigar a Fumes.

A ONG Matra também publicou sobre a segunda liminar por meio de Mandado de Segurança  em 21/07/2010 impedindo a CPI da Fumes.

Em maio de 2011 , a juíza de Direito Ângela Martinez Heinrich  da 5ª Vara Cível de Marília cassou a liminar do segundo Mandado de Segurança obtido em julho de 2010, e autorizou as investigações da CPI  durante o segundo semestre de 2011, e 2012, sendo o relatório final apresentado dia 05-12-2012.

A composição dos vereadores da segunda CPI da Fumes, diferente da primeira CPI, teve uma alteração:  a saída do vereador Mario Coraíni Júnior e a entrada do vereador Lázaro Júnior(relator).

Após a CPI ser retomada, em maio de 2011, membros colheram depoimentos e contrataram o perito contábil Dorival Venciguera para analisar a aplicação dos repasses estaduais à instituição, além de pareceres  informados pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo).

A ONG Matra divulgou em sua Rádio Matra-30-08-2912-  a última reunião dos membros da CPI, antes da leitura final que ocorreu dia 05-12-2012.

O presidente da CPI, Eduardo Gimenes, falou em sessão ordinária da Câmara Municipal de Marília, em 12-09-2011, da necessidade de se investigar a Fumes.

Mesmo com a cassação do Mandado de Segurança em 2011,  a Fumes tentou outro recurso- Agravo de Instrumento- com efeito suspensivo e devolutivo sobre a decisão da Juíza Angela Martinez Heinrich (decisão interlocutória).

O Tribunal de Justiça de São Paulo não aceitou o efeito suspensivo, e por isso a CPI da Fumes pode prosseguir.

Somente do SUS a entidade deve receber em 2013, R$ 92 milhões, conforme orçamento aprovado no início da semana- dia 03-12-2012. De 2006 a 2010, período analisado pela CPI, o valor repassado para a Fumes saltou de R$ 34,6 milhões para R$ 86 milhões.

Atualmente, a Famar realiza pagamento de funcionários  e outras despesas, porém é a Fumes que  é oficialmente a entidade que recebe os recursos do SUS (federal, estadual e municipal).

Um imbróglio jurídico.

“A Famar deveria apenas apoiar a Fumes como determinado no termo de cooperação, mas pelos documentos está comprovado que se utilizou da estrutura e até mesmo CNPJ da mesma para firmar convênio com o SUS (Sistema Único de Saúde)”, comenta o relator Júnior.

Os documentos apontam que o capital da Famar seria de R$ 10 mil, e como foi averiguado pessoalmente pelos membros da CPI, não há  estrutura física e logística da Famar para o  gerenciamento dessas verbas públicas.

Os jornais de Marília e região publicaram o relatório final:

Jornal O Diário de Marília.

A Rede Bom Dia.

O Jornal da Manhã.

A Matra- Marília Transparente.

O jornalista José Ursílio em seu blog comentou o relatório final da CPI da Fumes com o título “Caixa Preta: CPI mostra irregularidades e aponta intervenção para salvar a Famema”

O vereador Wilson Damasceno um dos líderes da CPI da Fumes, assim se pronuncou no transcorrer da CPI em 18/06/2012, quando a direção geral da faculdade qualificou os vereadores da  mesma com adjetivos nada elogiosos.

No início do ano de 2012, em 21/01/2012 a direção da Fumes afirmou que as acusações investigadas pela CPI da Fumes eram levianas.

Para a ONG Matra, a direção da Fumes assim se pronunciou em 10/06/2010, ou seja, quase dois e meio antes da data de encerramento do relatório final lido na sala Nassib Cury em 05/12/2012.

O Ministério da Saúde também publicou em sua  Saúde na mídia- página 66  em 11/09/2012.

O relatório final da CPI lido pelo vereador relator Lázaro  Júnior  na íntegra com exclusividade dos leitores do blog.

Após a leitura do relatório  final da CPI da Fumes, os jornais televisivos em duas TV(s) locais,  agrupadas a rede Net Marília (TV a Cabo), divulgaram o relatório em duas matérias jornalísticas.

Canal 4 – TV Marília.

Canal 13 – TV Comunitária.

O blog não tem o condão de criar fatos, difamar ou caluniar quem quer que seja, mas reitera apenas que o Poder Legislativo de Marília, e o Poder Executivo local representado pelo atual prefeito ou o próximo prefeito em 2013 proponha intervenção municipal, sob penas das dívidas previdenciárias e trabalhistas serem repassadas à Prefeitura Municipal de Marília, pois a Fumes -fundação de direito público- foi criada no anos 60  pelo ex-prefeito Armando Biava para suporte e gerenciamento da Famema criada,  à época,  pelo ex-governador do Estado de São Paulo Ademar de Barros.

CPI da Fumes chegou ao fim !

“A lição é a seguinte: nunca desista, nunca, nunca, nunca. Em nada.  Grande ou pequeno, importante ou não. Nunca desista. Nunca se renda à força, nunca se renda ao poder aparentemente esmagador do inimigo”.

Winston Churchill

Não à formação de médicos no Brasil sem qualificação para o exercício da medicina !

adib jatene 2Adib Jatene pode deixar comissão do MEC por discordar da abertura indiscriminada de escolas.

Aos 83 anos de vida e quase 60 de medicina,  Adib Jatene é uma referência para os médicos brasileiros na prática clínica, cirúrgica e no ensino médico.

A formação médica, tema desta entrevista, o fez voltar a participar do governo federal em 2008, 12 anos depois de exercer pela terceira vez o cargo de ministro da Saúde.

Mas agora a continuidade desta participação depende de uma improvável sintonia fina. De um lado, os especialistas que defendem critérios e fiscalização para garantir a qualidade das escolas médicas no país. Do outro, o Ministério da Educação, cujas decisões parecem caminhar na direção oposta.

Conheça agora os motivos desta discordância e as opiniões, sempre francas e contundentes, do professor Adib a este respeito.

O senhor continua presidindo a comissão de especialistas, ligada ao MEC, que avalia as escolas médicas?
Continuo. Mas, em função das posições divergentes entre os membros da comissão e o ministério, solicitei recentemente ao ministro [Aloizio Mercadante], durante uma reunião, que a comissão fosse encerrada. Ele não aceitou, pediu que fizéssemos mais uma reunião, que será marcada proximamente, e nos garantiu que, até lá, nenhuma nova escola será autorizada.

Quais motivos o levaram a pedir o fim da comissão?
Em 1996, havia 84 escolas médicas; em 2011, já eram 187. São 103 novas escolas em 16 anos, o que é inconcebível. No último dia 5 de junho, o governo permitiu a abertura de mais nove cursos privados de medicina e autorizou que outros 19 em universidade federais fossem implantados após avaliação.

É impossível garantir corpo docente condizente e hospitais-escola nesta quantidade. O artifício que as faculdades têm utilizado é firmar convênios com hospitais assistenciais para lá treinar os alunos, o que é absolutamente inadequado.
Um dos objetivos da comissão era justamente estabelecer critérios mínimos para a abertura de escolas? Por fim, estes acabaram não sendo respeitados…

Em relação às 17 escolas mal avaliadas no Enade [Exame Nacional de Desempenho de Estudantes] em 2008, pelo menos dois membros da comissão visitaram cada uma delas, entrevistaram professores, alunos, vistoriaram a infraestrutura e encontramos muitos problemas.

Em Rondônia, por exemplo, a faculdade de medicina da universidade federal tinha convênio com o único hospital público. Depois abriram mais duas escolas com 100 vagas cada tendo como campo de ensino prático o mesmo hospital. Como a comissão não tinha poderes para determinar o fechamento de escolas, o que fizemos foi reduzir o número de vagas. Mas, na sequência, o Conselho Nacional de Educação restituiu essas vagas, à revelia da comissão, o que nos fez denunciar esta situação à opinião pública.

Existe um verdadeiro lobby pela abertura de novas escolas. O governo coloca que o atual número de médicos no Brasil é insuficiente. Diante da dificuldade de atrair profissionais de medicina para a Estratégia de Saúde da Família, o governo passou a apoiar a “importação” de médicos. Foi criado o programa Revalida, com critérios uniformes para a revalidação dos diplomas expedidos no exterior, mas poucos candidatos conseguiram aprovação. Agora o governo quer minimizar esses requisitos ou permitir que esses médicos comecem a atuar sob supervisão por um período de dois anos até conseguirem a revalidação, o que é inaceitável. Então, se o ministério caminha numa direção e a comissão em outra, esta não pode ser a sua assessora.

A que atribui este lobby pela abertura de escolas? Aos interesses econômicos das instituições?
À busca de prestígio para a universidade ou a cidade. Como está sendo fácil, todo mundo quer ter uma escola de medicina. A pressão é muito grande; há dezenas de pedidos. É absolutamente inconveniente que os cursos sejam criados dessa forma. O Brasil não precisa de qualquer médico, mas de profissionais efetivamente preparados para tratar a população. A própria visão sobre a residência médica está equivocada. Ela forma especialistas. Com o foco precoce na especialidade, durante a graduação o aluno já se orienta para aquela área escolhida em detrimento das demais.

Por isso, tenho defendido o estabelecimento de um pré-requisito para o ingresso na residência, que seria a atuação por dois anos na Estratégia de Saúde da Família, supervisionado pela sua escola, com o objetivo de que esta também tenha a responsabilidade de formar médicos para o atendimento da população sem dependência de alta tecnologia. Isso seria primordial porque ocorre uma grave distorção atualmente. Os professores são todos especialistas, mas professores especialistas são necessários na pós, não na graduação, quando se deve formar o médico com visão geral e profunda das principais questões da assistência à população. Essa super especialização está gerando enorme desperdício de recursos, como o colosso de exames desnecessários, e dificulta o atendimento, porque o indivíduo só consegue ter seu problema resolvido depois de passar por três ou quatro médicos.

As entidades médicas estão mais preocupadas em discutir a qualidade da formação dos profissionais do que a quantidade. Está de acordo com este ponto de vista?
Sim. Quando as entidades médicas se pronunciam a este respeito, infelizmente são vistas por alguns como corporativistas, defensoras de reserva de mercado, mas claro que não é isso. As entidades querem médicos bem preparados para atender a população, que não coloquem os pacientes em risco e nem a si próprios, tendo em vista as responsabilidades do profissional. E não compactuam com essa ideia absurda de aumentar a quantidade de médicos a qualquer custo.

Como avalia o ensino médico no Brasil?
Eu me formei em 1953, quando só havia raio-X, eletrocardiograma e poucos exames laboratoriais, e o curso era de seis anos. Com todo o enorme avanço técnico e científico ocorrido desde então, a graduação de medicina continua em seis anos. Há certa perplexidade sobre o que ensinar para os alunos. Na minha visão, deve ser ensinado de todas as especialidades o que o médico prático não pode deixar de saber. E bem ensinado. É fundamental haver critérios para a abertura de escolas médicas. A recém-criada Faculdade Santa Marcelina é um exemplo positivo, pois está ligada a um hospital de mais de 700 leitos, grande volume de atendimento de emergência, tem ambulatório de especialidades, mais de 200 equipes de Saúde da Família, administra outros três hospitais (Cidade Tiradentes, Itaim Paulista e Itaquaquecetuba). É o ideal para o ensino-aprendizagem. Mas uma universidade que nunca lidou com saúde criar uma faculdade de medicina sem qualquer estrutura é uma distorção inaceitável.

Caso a comissão seja encerrada, pretende continuar militando em prol da qualidade do ensino médico?
Se o MEC aceitar manter a comissão, terá de mudar sua orientação sobre tudo o que já citamos. Caso contrário, procuraremos atuar de outra forma que não na comissão. Todos os integrantes da comissão têm décadas de trabalho nesta área e, justamente por isso, não podem aceitar o que vem ocorrendo. Continuaremos defendendo este ideal, da mesma maneira que as entidades médicas como a APM, a Associação Médica Brasileira, o Conselho Federal de Medicina e os Conselhos Regionais o fazem. Nosso papel lá era verbalizar este posicionamento da classe médica contra a abertura indiscriminada de escolas. Vamos aguardar a decisão final sobre este trabalho.

Fonte: Associação Paulista de Medicina

formação médica

CPI da FUMES investiga convênio entre Famar e Fumes

cpiA CPI da Fumes foi instaurada em junho de 2010, e atualmente presidida pelo vereador Eduardo Gimenes, e ainda  é composta pelos vereadores Lázaro da Cruz Júnior da Farmácia e Wilson Alves Damasceno.

Ainda em 2010, a Fumes entrou com Mandado de Segurança pedindo a suspensão das investigações.

Em 2011 as liminares concedidas de um dos Mandados de Segurança foi cassada.

A CPI recomeçou em 2011.

O objetivo da CPI da Fumes é apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos destinados ao Complexo Famema, que administra o Hospital das Clínicas, Hospital Materno Infantil, Unidade São Francisco, Hemocentro e Ambulatório Mário Covas

No relatório parcial entregue ao prefeito Ticiano Toffoli neste mês consta que a administração municipal não concedeu aval para o convênio firmado entre a Fumes e a Famar em 2008.

Há ausência de contrato entre Fumes e Famar, já que foi feito somente um convênio de cooperação entre ambas.

A CPI ainda aponta que a Famar foi criada para substituir a Fumes, já a que primeira possuía a Certidão Negativa de Débito, enquanto a última Certidão Positiva de Débito.

Entre outros itens o relatório que é composto por depoimentos e laudo contábil do perito Dorival Venciguera, pede a suspensão do convênio entre a Fumes (Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília) e a Famar (Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília).

Outro pedido que consta no relatório é a intervenção municipal na Fumes pelo prefeito municipal para administração da Fumes.

Além disso, o relatório também solicita que verba repassada à Fumes seja gerenciada pela prefeitura.

Somente do SUS a entidade recebeu R$ 92 milhões neste ano de 2012.

Na semana passada, o vereador Gimenes esteve no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo para conferência de alguns documentos relacionados as irregularidades de contratos sem licitação, tomada de preços e horas extras. “A visita serviu para constatarmos várias irregularidades já diagnosticadas durante os trabalhos da CPI, como a questão de falta de licitação para contratação de outras empresas. Este material também será anexado ao relatório”, disse.

O conteúdo completo dos relatórios, mas segundo se  apurou já foram identificadas várias irregularidades, como viagens suspeitas ao custo de R$ 146,7 mil no mês de dezembro de 2009, além de diversos exames terceirizados não especificados na contabilidade da Fumes.

Os exames terceirizados eram com a Inrad (Instituto de Radiologia),  e com o IOM (Instituto de Olhos de Marília).

A terceirização na Saúde pública como atividade-fim é inconcebível.

Atualmente, a Famar realiza pagamento de funcionários e todas  as despesas da Fumes.

As duas fundações estão ligadas a autarquia Famema.

O dinheiro do Estado é repassado para Famar, a qual repassa à Fumes, que seria, em tese, responsável pela administração do recurso a ser utilizado pelos hospitais.

“Não foi realizada licitação, mas apenas um termo de cooperação em que as cláusulas do contrato levaram a permissão de uso ilegal do patrimônio público. Com o fim desta parceria pretendemos restabelecer a ordem jurídica, cancelar o contrato de forma retroativa para que os responsáveis sejam punidos”, afirmou Eduardo Gimenes .

O Frankenstein Jurídico (Famema-Fumes-Famar) parece estar chegando ao fim, e os responsáveis, civilmente e criminalmente, serão investigados pelo Ministério Público.

É o que se espera do Ministério Publico.

A sociedade de Marília precisa de uma resposta do Poder Judiciário.

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Rui Barbosa

Operadoras de Saúde e Cooperativas Médicas repassem valores baixos para a classe médica

Os baixos valores repassados pelas operadoras por consultas, procedimentos e exames estão no centro das reivindicações dos médicos.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece um teto, mas não impõe uma regulamentação – os valores dependem de negociação direta entre a classe médica e os planos de saúde.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), a remuneração é variável e depende das particularidades de cada plano – os valores estão associados ao número de vidas cobertas no plano, ao tipo de plano e de cobertura, entre outros fatores.

Por isso, alguns planos pagam mais e outros menos pelo mesmo procedimento ou consulta.

De acordo com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), representante de 15 grupos de operadores de saúde, os reajustes para procedimentos e consultas são feitos com regularidade, com índices sempre acima da inflação e também do índice praticado pela ANS.

No dia 05 desse mês o Simesp (Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo) fez um protesto pela ruas da cidade de São Paulo.

Médicos lutando por melhor remuneração dos planos de saúde.

Abaixo, alguns exemplos de valores repassados pelas operadoras por procedimentos.

Vale ressaltar que são valores médios.

Dependendo do plano, o repasse pode ser maior ou menor.

COMPARE OS HONORÁRIOS PAGOS AOS MÉDICOS

O que pode ser comprado* com o valor de alguns procedimentos**

Biópsia incisional (retirada de lesão dermatológica, como pintas): R$ 8,17

Recarga mínima de celular da Vivo (R$ 8,00)

Exame cardiológico eletrocardiograma: R$ 10,00

Revista semanal Carta Capital (R$ 9,90)

Raio X dos seios da face: R$ 24,75

Entrada inteira de cinema no Shopping Bourbon, de 6ª a domingo e feriado (R$ 24,00)

Ultrassonografia do abdome inferior feminino (bexiga, útero, ovário e anexos): R$ 33,52

Pedicure na rede de cabeleireiros Soho (R$ 32,00)

Ultrassonografia Obstétrica: R$ 43,32

Jantar no Restaurant Week (R$ 43,90)

Consulta ambulatorial: R$ 45,00

Lavagem de carro grande completa na rede Dry Dream (R$ 40,00)

Teste ergométrico: R$ 45,00

Pizza giga de mussarela de búfala na rede Domino’s (45,90)

Exame Holter 24 horas (aparelho que monitora o ritmo cardíaco durante um dia inteiro): R$ 60,00

Três combos Big Tasty + três casquinhas na rede Mc Donald’s (R$ 58,50)

Retirada de amígdala: R$ 75,00 a R$ 90,00

Corte de cabelo feminino na rede MGet (R$ 80,00 + R$ 15,00 da lavagem)

Retirada de útero: R$ 136,50

Passagem de ônibus São Paulo – Brasília pela Viação Real Expresso (R$ 140,41)

Parto: R$ 300,00

Mensalidade em plano trimestral na academia Runner (R$ 309,00)

*Valores médios pesquisados em São Paulo

**Valores médios pagos pelas operadoras de saúde aos médicos, segundo informações da Associação Paulista de Medicina (APM)

Fonte: Wanise Martinez – O Estado de S.Paulo

Sendo assim, melhor se ter outra profissão a ser médico no Brasil.

Muita responsabilidade civil para a baixíssima remuneração na prestação de serviços.

As cooperativas médicas não ficam muito distantes desses valores.

Tornaram-se na prática muito semelhantes às operadoras de saúde.

O “Estado de Bem-Estar’  aos cooperados proposto pelas cooperativas médicas não passa de letra morta.

Algumas pagam menos que algumas operadoras de saúde.

Se a cooperativa decretar falência, os cooperados respondem com seu capital social, e até com seus bens pessoais.

Um  tremendo risco  em se manter em cooperativa médica para receber em média RS 50,00/consulta,  e ainda arcar com seus bens pessoais em possível insolvência financeira futura.

Os médicos nunca acreditam que sua cooperativa médica poderá decretar falência.

A Unimed Paulista fechou as portas em 2000.

A Unimed Paulistana está em crise financeira desde 2006.

A classe médica muita apática aceita prestar serviço em qualquer plano de saúde acreditando que terá mais visibilidade  para se ter uma carteira de clientes.

Triste ilusão.

Ficam reféns do sistema.

E muitas dessas operadoras de saúdem acabam nem pagando os médicos pelas consultas e procedimentos médicos.

Ideal seria atender menos pacientes , uma justa remuneração,  e ao final, médico e usuário se sentirem satisfeitos ao final da  relação médico-paciente.

Reflexão para os mais incautos que acreditam que a medicina sem intermediários é impossível.

É possível sim.

As cooperativas e planos de saúde estão aviltando a remuneração médica..

Há uma crise nos planos de saúde em curso, e a ANS cada vez mais exige das operadoras de saúde e cooperativas médicas rol de procedimentos obrigatórios aos usuários.

A crise dos planos de saúde atinge a classe médica !

Para tanto uma Diretoria Administrativa com competência administrativa é imprescindível para avaliar os gastos das cooperativas médicas.

estetoscopio“Não adianta dizer: “Estamos fazendo o melhor que podemos”.  Temos que conseguir o que quer que seja necessário”.

Winston Churchill

Famema recebe 4 estrelas em 2012 no curso de medicina no Guia do Estudante da Editora Abril

O Guia do Estudante apontou 4 estrelas para o curso de medicina da Famema.

Em 2011 – 3 estrelas.

Em 2012 – 4 estrelas.

Nesse Guia do estudante, ao contrário do Enade, na minha opinião, muito mais próximo da realidade que a avaliação do Enade, que avalia alunos com poder de resolver testes de múltiplas  escolha.

No Enade, o Med Curso pode ajudar.

Mas, no Guia do Estudante jamais.

Aqui o Med Curso não entra em campo.

Para dar uma mãozinha  e ajudar no Enade.

Aqui nos critérios do Guia do Estudante valem:

Infraestrutura.

Projeto Pedagógico.

Qualificação dos Professores

Hospitais de Ensino.

Bibliotecas equipadas com tecnologia para acesso à informática e abastecidas de livros atualizados.

Laboratórios de Ensino.

Itens mais que necessários para se formar alunos de medicina com qualidade.

A ferramenta  PBL  não basta.

Curso de medicina sem aulas, sem professores, sem laboratórios, professores sem salas de trabalho individuais, ausência de refeitório para alunos e docentes, pesquisa e pós-graduação com notas baixas pela Capes,  não recebe estrelas.

E a nota mínima é 3.

USP (SP e Ribeirão Preto), UNICAMP e UNESP – 5 estrelas em 2011.

Famerp- 4 estrelas em 2011.

Famema – 3 estrelas em 2011.

Essa semana tem sido um marco para a instituição Famema.

No RUF (Ranking Universitário Folha) a Famema não aparece entre os 20 melhores cursos de medicina do Brasil.

No Guia do Estudante  2012-  4 estrelas.

Enfim, os fatos são claros, cristalinos, e transparentes.

O modelo de ensino para o curso de medicina precisa ser repensado.

Por outro lado, como prevíamos, a Enfermagem conseguiu  em 2012 – 4 estrelas.

Em 2011 – 5 estrelas.

Parabéns ao curso de enfermagem !

Mas, houve uma queda de 5 para 4 estrelas.

Fácil entender…

Os alunos de enfermagem aprendem muito mais saúde pública, plano de cuidados, assistência social sendo inseridos precocemente na rede básica de saúde que os alunos da medicina.

Os alunos de medicina precisam de conteúdos  nas disciplinas do curso de medicina.

Sólidos conhecimentos de cadeiras básicas e clínicas.

Inseri-los desde o primeiro ano na rede básica é perda de tempo se supervisionados por professores colaboradores da rede de atenção básica ( professor colaborador e o medico que trabalha na USF e ou UBS, e muitas vezes nem Residência Médica possui).

Dizer que o MEC  obriga o aluno  estar todos os quatro anos na rede básica, em face do que  é emanado das Diretrizes Curriculares do Curso de Medicina é parcialmente verdadeiro.

A faculdade faz a sua grade curricular como quiser.

Lei das Diretrizes e Bases da Educação dá essa liberdade.

Não precisa quatro anos de permanência do aluno na rede básica para se conhecer o SUS.

Dizer que o MEC exige tal  conduta do curso é um grande sofisma.

O MEC pede para o aluno conhecer o SUS.

E não permanecer na rede básica de saúde.

O modelo precisa ser repensado para o curso de medicina.

E  o Diretório Acadêmico Christano Altenfelder depois da avaliação da Folha de São Paulo (RUF) e do Guia do Estudante não lutará por mudanças ?

Ficará calmamente assistindo a tudo, como se isso não repercutisse na formação dos alunos da  medicina ?

Os fatos não podem ser desmentidos, interpretados, e ignorados.

A Famema precisa rever seu modelo de ensino.

As outras faculdades: USP (São Paulo e Ribeirão Preto), Unesp, Unicamp e Famerp foram melhores com o modelo tradicional de ensino em 2011.

Como os ufanistas defensores do “PBL made in Brazil” irão explicar ?

O modelo tradicional tão vilipendiado pelos defensores do PBL saiu-se vitorioso em 2011.

Placar 5 a 1.

Goleada !

Dizer que a avaliação não era bem assim, que essas pesquisas não avaliam nada, é duvidar da inteligência dos alunos e dos professores que discordam do modelo de ensino.

A Famema precisa voltar a ter padrão excelência em ensino.

Uma grande instituição.

Tem potencial para isso.

Os alunos passam…

Os docentes passam..

Mas, o legado de lutas por melhorias permanece nas gerações presentes e futuras.

A hora da luta é agora !

Avante Famema !

Reformas no modelo de gestão administrativa e  pedagógica  urgentes !

Faça a sua reflexão…

Seja honesto com você mesmo.

Está tudo bem com a Famema ?

A luta é de todos os que têm uma história aqui na Famema.

E você  aluno da Famema vai lutar ou ficar inerte diante de tais fatos ?

rui barbosa 2 “Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante,  mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”.

Brecht